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# Marco de minerais críticos prevê R$ 7 bilhões em apoio e pode abrir nova frente industrial para o Amazonas
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/marco-de-minerais-criticos-preve-r-7-bilhoes-em-apoio-e-pode-abrir-nova-frente-industrial-para-o-amazonas/
- Published: 2026-08-27T13:38:57.000Z
- Updated: 2026-08-27T13:38:57.000Z
- Description: Projeto que deve avançar no Congresso cria fundo de R$ 2 bilhões e até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para estimular processamento e transformação de minerais estratégicos no Brasil
- Author: Redação
- Tags: Mineração, #video-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #Instagram-ok

O debate sobre minerais críticos pode ganhar uma dimensão industrial para o Amazonas. O PL 2.780/2024, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, deve ser votado pelo Senado na próxima semana e prevê até R$ 7 bilhões em instrumentos de apoio para ampliar a pesquisa, o beneficiamento e a transformação desses recursos no país, etapas que podem gerar mais valor do que a simples extração mineral.

A proposta cria um fundo garantidor de R$ 2 bilhões, com recursos da União, e autoriza até R$ 5 bilhões em créditos fiscais durante cinco anos para incentivar empresas que processem e transformem minerais considerados estratégicos. 

Para o Amazonas, o ponto mais relevante está justamente nessa tentativa de criar uma cadeia que vá além da mineração. O estado possui ocorrências conhecidas de nióbio, tântalo, terras raras e outros minerais de interesse tecnológico, ao mesmo tempo em que abriga um dos maiores polos industriais do país.

Esses materiais estão presentes em produtos como celulares, computadores, baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e sistemas de defesa. Parte dessas cadeias já dialoga com segmentos instalados no Polo Industrial de Manaus, principalmente eletroeletrônicos e bens de tecnologia.

O projeto pretende organizar uma política nacional para o setor, com regras para pesquisa, extração, processamento e transformação industrial. Também prevê a criação de um conselho ligado à Presidência da República, responsável por coordenar ações e definir prioridades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos.

No Amazonas, duas áreas ajudam a dimensionar esse potencial. Uma delas é Pitinga, em Presidente Figueiredo, conhecida pela produção de estanho e também pela presença de nióbio, tântalo e outros minerais associados a cadeias de maior valor tecnológico.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/mina-de-pitinga.jpeg)

Mina de Pitinga (AM) | Foto: Reprodução/Internet

Outra é o Morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, estudado pelo Serviço Geológico do Brasil por seu potencial para terras raras e nióbio. Nesse caso, porém, qualquer discussão sobre exploração encontra limites territoriais e ambientais importantes. A área está inserida na Terra Indígena Balaio, na Reserva Biológica Morro dos Seis Lagos e no Parque Nacional do Pico da Neblina.

Ou seja: potencial geológico não significa liberação automática para mineração. A eventual exploração de áreas protegidas envolve restrições legais, proteção ambiental, direitos indígenas e processos específicos de consulta e autorização.

Mesmo com essas limitações, o peso mineral da região é relevante. Levantamento da Agência Nacional de Mineração aponta que a Amazônia Legal responde por quase metade do valor gerado pelos minerais estratégicos no Brasil. Hoje, porém, a produção regional ainda está concentrada principalmente em ferro, bauxita, cobre e ouro. Terras raras, cobalto e potássio ainda não possuem produção regional consolidada.

É justamente aí que o novo marco tenta atuar. Além dos incentivos financeiros, a proposta prevê cadastro nacional de projetos, investimentos em pesquisa e inovação e prioridade para áreas com potencial de minerais críticos em processos promovidos pela ANM.

A discussão ganhou impulso após um acordo político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para acelerar a votação de projetos considerados estratégicos. O marco dos minerais críticos está entre as matérias previstas para avançar.

Para o Amazonas, o impacto do projeto dependerá menos da existência dos minerais, já conhecida em diferentes áreas, e mais de onde serão instaladas as etapas seguintes da cadeia. Se beneficiamento, pesquisa e transformação ficarem concentrados fora do estado, o Amazonas pode continuar limitado ao papel de fornecedor de matéria-prima.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Marco-de-minerais-cr--ticos-prev---R--7-bilh--es-em-apoio-e-pode-abrir-nova-frente-industrial-para-o-Amazonas.jpg)

Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre | Foto: Agência Senado