Moto deixou de ser só transporte e virou ferramenta de renda; Setor bate recorde em produção
Em julho, foram fabricadas 190.794 unidades, maior volume já registrado para o mês na história do setor; Diretor da TV Lar Motors avalia que consumo de combustível, manutenção, peças e potencial de retorno financeiro entram na conta na hora da compra
A motocicleta vem ocupando um espaço cada vez maior na rotina de trabalhadores que dependem do veículo para prestar serviços, fazer entregas ou atuar por meio de aplicativos. Para Oduénavi Ribeiro, diretor executivo da operação que acompanha o comportamento do consumidor por meio da TV Lar Motors e do Club7, a moto deixou de cumprir apenas uma função de mobilidade e passou também a ser uma ferramenta de geração de renda.
“O crescimento dos emplacamentos precisa ser analisado também por essa transformação no papel da motocicleta. Para muitas pessoas, ela continua sendo uma solução de mobilidade, mas também se tornou um ativo de trabalho. É utilizada em entregas, prestação de serviços e diversas atividades ligadas à economia dos aplicativos”, diz Ribeiro.
Esse movimento acontece em um momento de forte produção no Polo Industrial de Manaus (PIM). Entre janeiro e julho de 2026, as fabricantes instaladas na capital amazonense produziram 1.254.191 motocicletas, volume 9,9% maior que o registrado no mesmo período de 2025 e o melhor resultado para os primeiros sete meses do ano desde 2008, segundo a Abraciclo, entidade que representa o setor.
Somente em julho, foram fabricadas 190.794 unidades, maior volume já registrado para o mês na história do setor. O resultado representou alta de 36% sobre julho de 2025 e de 45,8% na comparação com junho deste ano.
Dentro dessa produção, os modelos de baixa cilindrada continuam predominando. As motocicletas de até 300 cilindradas responderam por 78,6% de tudo o que foi fabricado no PIM entre janeiro e julho, com 985.788 unidades. São justamente os modelos mais associados ao uso urbano, ao deslocamento diário e às atividades profissionais.
Para Ribeiro, quando a compra tem finalidade de trabalho, a decisão deixa de passar apenas pelo preço da parcela. Consumo de combustível, manutenção, peças e potencial de retorno financeiro também entram na conta.
“Quando a motocicleta também representa uma ferramenta de geração de renda, o consumidor precisa avaliar a compra dentro da sua realidade profissional. A escolha do modelo e as condições de pagamento precisam fazer sentido para o tipo de atividade que aquela pessoa exerce”, ressalta.
O cenário de crédito mais caro também mudou a forma como parte dos consumidores avalia a compra. Segundo o executivo, o interesse permanece forte, mas o cliente passou a pesquisar mais antes de fechar negócio.
“O interesse pela motocicleta continua forte, mas percebemos um cliente que pesquisa mais. Ele compara modelos, avalia as condições oferecidas e busca entender quanto aquele compromisso vai representar no orçamento ao longo do tempo”, afirma Ribeiro.
Essa análise, segundo ele, também precisa considerar o custo total de uso, e não apenas o valor da prestação.
“É importante não olhar somente para o valor da parcela. O consumidor precisa considerar combustível, manutenção, peças e todas as despesas envolvidas no uso da motocicleta. O melhor negócio é aquele que atende à necessidade da pessoa e que ela consegue manter de forma equilibrada”, acrescenta.
Ribeiro avalia que o momento combina duas tendências: expansão do setor e maior cuidado do consumidor antes de assumir um compromisso financeiro.
“A motocicleta tem hoje uma importância que vai muito além do deslocamento. Ela movimenta a economia e, para muitas pessoas, representa trabalho e geração de renda. O crescimento do setor mostra essa força, mas também reforça a importância de o consumidor fazer uma escolha compatível com a sua necessidade e com a sua realidade”, conclui.
Resumo redes: Diretor da TV Lar Motors, Oduénavi Ribeiro, avalia que consumo de combustível, manutenção, peças e potencial de retorno financeiro entram na conta na hora da compra. Setor vive um bom momento no PIM: em julho, foram fabricadas 190.794 unidades, maior volume já registrado para o mês.