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# Moto Morini tem R$ 250 milhões para expansão no Brasil e trabalha em fábrica própria em Manaus
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- Published: 2026-08-17T21:46:56.000Z
- Updated: 2026-08-18T12:46:06.000Z
- Description: Marca italiana projeta atingir R$ 300 milhões em faturamento em 2027
- Author: Redação
- Tags: Duas Rodas, Moto Morini, DBS, PIM, Zona Franca, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok

Imagine o nascimento de uma motocicleta, passando por três lugares totalmente diferentes. O desenho fica na Itália. As peças saem da China. E é em Manaus que tudo se encontra para virar um veículo pronto para o mercado brasileiro.

Essa é a engrenagem da Moto Morini, que funciona há pouco mais de um ano no país e, agora, quer saltar para outra escala. Há R$ 250 milhões no radar da companhia para os próximos três anos, novos modelos chegando, a possibilidade de mais lojas e um projeto de fábrica própria já sendo trabalhado pela companhia. O Polo Industrial de Manaus já está confirmado para receber a unidade.

Desde que desembarcou por aqui a empresa afirma ter vendido quase 2 mil unidades.

Para 2026, a previsão é fechar as contas com R$ 85 milhões de faturamento. Para 2027? R$ 300 milhões.

É justamente para tentar acompanhar esse salto que a estrutura brasileira começa a mudar.

Hoje, a Moto Morini tem sua produção realizada dentro da DBS, sua parceira industrial no PIM, que mantém uma linha dedicada exclusivamente às motocicletas da marca.

Manaus possui atualmente o maior polo produtor de motocicletas fora da Ásia, com mão de obra altamente qualificada ao longo das últimas décadas. 

Além disso, no último ano, a cidade tem despertado o interesse de centenas de companhias, nacionais e multinacionais, devido às incentivos garantidos pela Reforma Tributária até 2073 ao modelo Zona Franca.

O projeto da Moto Morini ainda tem etapas burocráticas pela frente e detalhes que não foram fechados.

> “A ideia é lançar esse ano, mas eu ainda não tenho todos os detalhes confirmados”, diz Fabricio Morini, presidente da operação brasileira da Moto Morini, em entrevista à Forbes Brasil.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Moto-Morini-na-estrada.jpg.webp)

Foto: Divulgação

### Os R$ 250 milhões vão além da fábrica

O montante de R$ 250 milhões, que foi anunciado, corresponde ao plano mais amplo da Moto Morini para ganhar musculatura no Brasil durante três anos. Isso envolve estrutura comercial, expansão da rede, novos produtos e desenvolvimento da operação, além do projeto industrial.

Uma das frentes já pode ser vista: a empresa chegou a oito lojas, instaladas em Santo André, Florianópolis, Curitiba, Vitória, Salvador, Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. A próxima rodada prevê mais 12 pontos.

Mesmo com o plano de expansão, Fabrício diz que não quer transformar a abertura de concessionárias em uma corrida.

> “Há quem diga que a gente já tinha que ter mais lojas. Eu não acho”, afirma. “A Moto Morini precisa colocar o pé no Brasil e entender o consumidor brasileiro. E a verdade seja dita, 12 meses e oito lojas é muita coisa”.

## Uma italiana que encontrou sua escala na China

Para entender a atual Moto Morini, é preciso voltar quase 90 anos, e depois atravessar continentes.

A empresa nasceu em 1937, em Bolonha, fundada por Alfonso Morini. A primeira motocicleta da marca apareceu em 1946, após a fábrica original ter sido destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

O controle mudou de mãos várias décadas depois. Desde 2018, a Moto Morini pertence ao grupo chinês Zhongneng.

Isso criou uma configuração pouco convencional: a empresa continua se apresentando como italiana, mantém desenvolvimento e engenharia na Itália, mas utiliza a capacidade industrial chinesa para fabricar seus produtos.

> “Continuamos até hoje com escritório central na Itália, com desenvolvimento e engenharia feitos em Trivolzio, na Lombardia, e o parque fabril na China”, explica Fabrício.

O próprio executivo admite que, de início, não estava convencido dessa mistura.

> “No começo, fiquei um pouco reticente com essa nova receita, mas a verdade é que ela deu certo. Eu estava errado”.

Hoje, ele vê justamente na China uma das peças que permitem à marca competir em preço.

> “A China é muito importante, é o berço da produção mundial. A Moto Morini optou pela China pela qualidade, e eu acho que é uma receita de sucesso. Mas nós nos definimos como italianos”.

E não, apesar da coincidência, Fabrício Morini não é descendente de Alfonso Morini, fundador da companhia. O sobrenome acabou encontrando a marca quando ele recebeu, em 2024, a missão de tocar a chegada da fabricante ao Brasil.