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# MotoChefe mira R$ 600 milhões em faturamento e prevê ampliar em até 50% produção em Manaus
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- Published: 2026-10-09T16:04:54.000Z
- Updated: 2026-10-09T16:13:13.000Z
- Description: Empresa quer abrir outras 50 lojas até dezembro, prepara novos modelos elétricos e planeja fabricar chassis e baterias no Brasil
- Author: Redação
- Tags: eletromobilidade, #video-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #Instagram-ok

A MotoChefe, empresa brasileira de veículos elétricos, prepara uma expansão de sua operação industrial em Manaus – que ocorre junto à Jabil – para aumentar a capacidade de produção de 10 mil para até 15 mil unidades mensais no início de 2027\. O plano acompanha a meta de dobrar o faturamento da companhia, que pretende alcançar R$ 600 milhões ainda em 2026, em meio ao crescimento do mercado de veículos elétricos leves no Brasil.

Ao mesmo tempo, a companhia pretende aumentar a participação de componentes fabricados no país, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. As informações foram divulgadas pelo NeoFeed, em matéria publicada nesta quinta-feira (8).

Fundada em 2019, no Rio de Janeiro, a MotoChefe afirma ter comercializado mais de 300 mil unidades desde o início de suas atividades. A empresa reúne 30 modelos em seu portfólio, distribuídos entre veículos autopropelidos, que representam 70% dos negócios, bicicletas elétricas (20%) e ciclomotores elétricos (10%).

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## Operação em Manaus e produção nacional de componentes

Uma das prioridades da MotoChefe é ampliar a fabricação de peças no Brasil. Além da expansão da capacidade industrial, a empresa trabalha para incorporar novas etapas produtivas, incluindo componentes estruturais e sistemas de armazenamento de energia.

> "Hoje, temos uma média de 30% dos itens produzidos localmente e já estamos nos organizando para produzir chassis no Brasil. O próximo passo serão as próprias baterias", afirmou Flávio Drapal, cofundador e diretor da MotoChefe.

A estrutura industrial em Manaus também ocupa uma posição importante na logística da companhia. Segundo a MotoChefe, os veículos são disponibilizados para pronta-entrega a partir da capital amazonense, com apoio de uma rede de seis centros de distribuição e de um sistema de reposição de peças.

O principal centro de distribuição, localizado no Rio de Janeiro, deverá ser ampliado de 8 mil para 11 mil metros quadrados. Já a sexta unidade, inaugurada recentemente no Nordeste, acompanha a estratégia de aumentar a presença comercial da empresa naquela região.

O crescimento da MotoChefe ocorre em um mercado que também atrai fabricantes internacionais. Uma das concorrentes é a chinesa Yadea, que anunciou, em abril de 2025, o início da produção em Manaus por meio de uma parceria com a Jabil. A fabricante também mantém uma rede de lojas no Brasil.

## Mais 50 lojas e três novos modelos elétricos

A expansão industrial será acompanhada pelo aumento da rede comercial. Atualmente, a MotoChefe possui 104 lojas no país, sendo 22 próprias e 82 franquias. A meta é inaugurar outras 50 unidades até dezembro de 2026.

A empresa começou a atuar no varejo com lojas próprias em 2021 e adotou o modelo de franquias há cerca de um ano. Segundo a companhia, o investimento mínimo para abrir uma unidade franqueada é de R$ 400 mil, com retorno estimado em 18 meses, prazo que depende do desempenho de cada operação.

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Foto: Reprodução

O crescimento da rede também será acompanhado de novos produtos. A MotoChefe prevê lançar dois modelos ainda em 2026 e um terceiro no primeiro semestre de 2027, todos na categoria de veículos autopropelidos.

Para ampliar sua presença no mercado, a fabricante também aposta no futebol. Patrocinadora do Vasco desde 2025 e do Palmeiras desde maio de 2026, a empresa já possui um produto associado ao clube carioca e negocia uma iniciativa semelhante com o time paulista.

Depois de desenvolver uma primeira versão relacionada à Copa do Mundo, a MotoChefe prepara um modelo com a assinatura de Ronaldinho Gaúcho.

> "Foi um caminho que encontramos para popularizar a marca, trazer confiança e gerar credibilidade", afirmou Drapal.

## Veículos que dispensam habilitação impulsionam o mercado

A principal aposta comercial da MotoChefe está nos autopropelidos, categoria que reúne veículos elétricos leves, alguns com aparência semelhante à de pequenas motocicletas ou scooters. Dependendo de suas características, eles podem circular sem a necessidade de habilitação, registro e licenciamento.

A Resolução nº 996, de 2023, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), estabeleceu critérios para diferenciar bicicletas elétricas, ciclomotores e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos.

No caso dos autopropelidos, os limites incluem potência nominal de até 1.000 watts, velocidade máxima de fabricação de 32 quilômetros por hora, largura de até 70 centímetros e distância entre eixos de até 1,30 metro. A dispensa das exigências de habilitação e documentação depende do cumprimento dessas condições. As bicicletas elétricas de pedal assistido constituem uma categoria distinta.

> "O Brasil sempre abraçou bem as duas rodas. E algumas mudanças recentes na legislação e no comportamento dos consumidores só acentuaram o crescimento desse mercado no País", disse Drapal.

Na avaliação do executivo, esses veículos estão deixando de ser utilizados apenas para lazer e ganhando espaço nas atividades cotidianas, inclusive entre entregadores que procuram diminuir o esforço físico e os gastos com deslocamento.

Dados da Aliança Bike mostram que aproximadamente 160 mil autopropelidos foram produzidos ou importados no Brasil em 2024\. No mesmo período, chegaram ao mercado 53,6 mil bicicletas elétricas de pedal assistido. Os autopropelidos responderam por cerca de três quartos do volume combinado dessas duas categorias.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/10/MotoChefe-mira-R_-600-milh--es-em-faturamento-e-prev---ampliar-em-at---50_-capacidade-da-f--brica-em-Man.png)

Foto: Reprodução

## A crise da Voltz e os desafios do setor

A expansão da MotoChefe acontece em um cenário marcado também pelas dificuldades enfrentadas pela Voltz, fabricante brasileira de motocicletas elétricas que chegou a operar uma fábrica em Manaus.

Criada em 2017, a Voltz ganhou projeção com vendas pela internet, atraiu investimentos da Creditas e da UVC, fundo do Grupo Ultra, e chegou a ser chamada de "Tesla brasileira". Entretanto, sua expansão foi acompanhada por atrasos nas entregas, problemas de assistência técnica e dificuldades na reposição de peças.

No fim de 2023, a empresa pediu recuperação judicial, acumulando uma dívida de R$ 335 milhões. Antes disso, sua fábrica em Manaus já havia interrompido as atividades. Durante o processo, a companhia perdeu o imóvel industrial por falta de pagamentos à locadora.

A crise também atingiu sua estrutura comercial. A rede, que chegou a contar com 70 lojas, encerrou as operações, enquanto clientes ficaram à espera de veículos adquiridos e parceiros comerciais enfrentaram dificuldades para manter suas atividades.

Em agosto de 2026, a Diligence, administradora judicial do processo, solicitou uma manifestação do Ministério Público sobre a decretação da falência da Voltz. O pedido representa um novo desdobramento da situação judicial da fabricante, sem significar, por si só, que a falência tenha sido decretada.

Resumo redes: Fundada em 2019, a companhia afirma já ter vendido mais de 300 mil unidades. Os autopropelidos respondem por 70% dos negócios, enquanto bicicletas e ciclomotores elétricos completam o portfólio. A rede reúne 104 lojas em todo o Brasil, entre unidades próprias e franquias, e aposta em novos modelos e na fabricação nacional de peças.