Mottu: de 50 motos numa garagem ao 3º lugar entre as marcas mais emplacadas do Brasil
Em agosto, foram 11.983 motos emplacadas no país; Marca ultrapassou Shineray em vendas no mês
Em 2020, a startup paulistana Mottu Motos cabia praticamente dentro de uma garagem. Eram 50 motocicletas e uma ideia: alugar motos para quem queria trabalhar, mas não conseguia comprar uma. Pouco mais de seis anos depois, a fotografia é outra. Em agosto de 2026, já com fábrica no Polo Industrial de Manaus, a marca colocou 11.983 motos nas ruas e terminou o mês como a terceira marca com mais emplacamentos do Brasil, atrás somente das japonesas Honda e Yamaha.
O número chama ainda mais atenção quando colocado no tamanho do mercado. O Brasil emplacou 205.190 motocicletas em agosto, 10,63% a mais que no mesmo mês de 2025. Desse total, 5,84% levavam a marca Mottu. Foram 591 unidades a mais que a Shineray, que fechou o mês com 11.392 registros e perdeu a terceira posição mensal para a antiga startup.

E tem outro detalhe que ajuda a dimensionar o salto: a Mottu Sport 110i, principal modelo da marca, respondeu por 100% dos emplacamentos, terminando agosto como a quinta motocicleta mais emplacada de todo o país, atrás apenas de quatro modelos da Honda. Foi também um novo recorde mensal para a Sport, superando as 11.397 unidades registradas em julho, alta de 5,1%.

A ultrapassagem sobre a Shineray, é importante dizer, ainda vale apenas para agosto. No acumulado de janeiro a agosto, a Mottu soma 78.970 motocicletas emplacadas e ocupa a quarta posição nacional, com 5% do mercado. A Shineray permanece em terceiro, com 96.536 unidades e participação de 6,11%. A distância entre as duas é de 17.566 motos.

Empresa produz no PIM
Talvez a parte mais interessante dessa história esteja a mais de 2,6 mil quilômetros de São Paulo. Foi no Polo Industrial de Manaus que a Mottu deixou de ser apenas uma empresa que comprava motos para alugá-las e passou a fabricar as próprias motocicletas. A operação começou em 2022 com a Tupã Indústria de Motos (fabricante da marca), de onde saíram cerca de 8 mil unidades das linhas de produção no primeiro ano.
Já em 2025, a Tupã alcançou a marca acumulada de 100 mil motos produzidas, número equivalente a 12,5 vezes o volume inicial. Em 2026, a página oficial da companhia mostra que já são mais de 110 mil motos produzidas por ano.
A fábrica cresceu junto. Dos cerca de 70 postos de trabalho existentes no início da operação, a unidade chega hoje a mais de 510 empregos, sendo cerca de 400 postos diretos. A empresa também anunciou investimentos para concentrar peças e insumos dentro da própria planta, por meio de um sistema verticalizado de armazenagem, reduzindo a dependência de galpões externos.

A escala alcançada hoje já vai muito além da fábrica. Em informações atualmente disponíveis em seu próprio site, a Mottu afirma operar mais de 160 filiais, no Brasil e no México, e uma rede com 270 parceiros e revendedores. Hoje, são 200 mil motos alugadas.
Tecnologia
Hoje, boa parte da relação com o cliente acontece pelo aplicativo: é por ele que o usuário faz o cadastro, escolhe o plano, paga a caução e a primeira parcela e administra o contrato. O app também concentra pagamentos e agendamentos de manutenção. Nos bastidores, a empresa afirma ter desenvolvido sistemas próprios para controlar manutenção, peças, rotas e cobranças, com uso de dados e telemetria para acompanhar a frota.
A Mottu mantém ainda uma rede de manutenção e suporte de campo e oferece, além do aluguel tradicional, planos como o Minha Mottu e o Conquiste, nos quais o cliente pode ficar com a motocicleta ao fim do contrato.

Resumo redes: Em agosto, a Mottu colocou 11.983 motos nas ruas e terminou o mês como a terceira marca com mais emplacamentos do Brasil, atrás somente das japonesas Honda e Yamaha. Foram 591 unidades a mais que a Shineray, que fechou o mês com 11.392 registros e perdeu a terceira posição mensal. A ultrapassagem vale apenas para agosto.