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# Na indústria conectada de Manaus, cibersegurança também significa manter a produção funcionando
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/na-industria-conectada-de-manaus-ciberseguranca-tambem-significa-manter-a-producao-funcionando/
- Published: 2026-09-30T13:09:19.000Z
- Updated: 2026-09-30T13:09:19.000Z
- Description: Por Rodrigo Gazola, CEO da ADDEE
- Author: Redação
- Tags: Especialista, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

Outubro, mês dedicado à conscientização sobre cibersegurança, é uma oportunidade para as empresas reverem como protegem dados, sistemas e acessos. Em Manaus, essa discussão ganha uma dimensão especialmente importante: quando tecnologia e produção industrial estão cada vez mais conectadas, um incidente digital pode ultrapassar rapidamente as fronteiras da TI e chegar à linha de produção.

O Polo Industrial de Manaus encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 227,67 bilhões, crescimento de 11,02% em relação ao ano anterior, e manteve uma média mensal superior a 131 mil empregos diretos. Ao mesmo tempo, a região avança na adoção de tecnologias ligadas à Indústria 4.0, com automação, sistemas conectados e uso crescente de dados nos processos produtivos. O Programa Prioritário de Indústria 4.0 e Modernização Industrial, criado no âmbito da Suframa, já contabiliza mais de R$ 493 milhões investidos e mais de 350 projetos ativos. São números que ajudam a mostrar a dimensão da transformação em curso.

Digitalizar uma indústria traz ganhos importantes de produtividade, controle e eficiência. Mas existe outro lado dessa evolução: quanto mais processos passam a depender de sistemas e equipamentos conectados, maior é o impacto potencial de uma indisponibilidade. Uma falha que antes poderia atingir alguns computadores hoje pode comprometer sistemas utilizados na produção, logística, controle de estoques, comunicação com fornecedores ou faturamento. Por isso, a pergunta sobre cibersegurança precisa mudar. Não basta saber se a empresa possui ferramentas de proteção. É necessário perguntar quanto tempo ela consegue permanecer sem seus sistemas críticos e como pretende recuperá-los caso um incidente aconteça.

Essa mudança de perspectiva é particularmente importante para o ambiente industrial. Durante muitos anos, a segurança digital foi tratada prioritariamente como uma barreira destinada a impedir invasões. Antivírus, firewall, controle de acesso e outras camadas de proteção continuam indispensáveis, mas nenhuma organização deveria estruturar sua estratégia acreditando que conseguirá evitar todos os incidentes. 

Mas, é preciso estar preparado também para responder e recuperar. Isso envolve saber quais sistemas são realmente críticos, manter backups adequados, testar restaurações, controlar privilégios de acesso, utilizar autenticação multifator, monitorar comportamentos suspeitos e definir previamente quais operações precisam ser restabelecidas primeiro.

No ambiente industrial, essa preparação pode ser ainda mais relevante porque existe uma cadeia de dependências. Produção, fornecedores, transportadoras, sistemas corporativos, equipamentos e equipes podem estar conectados. Uma interrupção em um desses pontos pode provocar efeitos em sequência. Por isso, backup não deveria ser encarado simplesmente como uma cópia de arquivos. O que realmente importa é a capacidade de recuperação. Uma empresa pode possuir cópias dos dados e ainda assim descobrir, no momento de uma crise, que não consegue restaurá-las no prazo necessário para manter sua operação.

O mesmo vale para os prestadores responsáveis pela tecnologia dessas organizações. À medida que Manaus se digitaliza, cresce também a responsabilidade das empresas que administram ambientes de TI de terceiros. Os Managed Service Providers, conhecidos como MSPs, precisam evoluir junto com seus clientes. O trabalho deixa de ser apenas instalar equipamentos, administrar servidores ou atender chamados quando alguma coisa para de funcionar. Segurança, monitoramento, backup, recuperação e continuidade passam a fazer parte de uma mesma estratégia.

Essa transformação exige também maior profissionalização dos próprios prestadores. Uma empresa de serviços de TI que atende dezenas ou centenas de clientes precisa conhecer seus indicadores, automatizar processos, monitorar ambientes e identificar gargalos antes que eles comprometam a qualidade do serviço. Em uma região com a característica econômica de Manaus, esse amadurecimento tem um significado adicional. Quando o cliente é uma indústria, a indisponibilidade tecnológica pode significar também indisponibilidade operacional.

Por isso, o mês de conscientização sobre cibersegurança deveria ser aproveitado pelas empresas para fazer um exercício bastante concreto: mapear quais sistemas sustentam sua operação, quanto tempo podem ficar indisponíveis e o que aconteceria se fosse necessário reconstruir o ambiente tecnológico amanhã. Também é importante testar aquilo que foi planejado. Planos de continuidade que nunca foram colocados à prova podem revelar fragilidades justamente quando a organização mais precisa deles. O mesmo ocorre com backups que existem, mas cuja restauração nunca foi validada.

Manaus já demonstra que modernização industrial e tecnologia caminham juntas. A próxima etapa é garantir que segurança e capacidade de recuperação acompanhem esse avanço. A transformação digital não elimina riscos. Ela muda a natureza deles e aumenta a necessidade de administrá-los. Em uma indústria cada vez mais conectada, cibersegurança não significa apenas impedir que alguém entre. Significa garantir que, mesmo diante de um incidente, a empresa tenha condições de voltar a produzir.

Resumo redes: Em artigo, Rodrigo Gazola, CEO da ADDEE, alerta que a digitalização do Polo Industrial de Manaus amplia a necessidade de empresas tratarem cibersegurança como parte da continuidade operacional. Ele defende mapear sistemas críticos, testar backups e restaurações, controlar acessos, usar autenticação multifator e preparar planos de resposta.