Novamed inaugura expansão da fábrica e centro de PD&I com investimento de R$ 300 milhões
Com a expansão, farmacêutica prevê elevar a produção mensal de 1,7 bilhão para 2,5 bilhões de comprimidos, alta de 47,1%.
Primeira indústria farmacêutica a produzir medicamentos na Zona Franca de Manaus (ZFM), ainda em 2014, a Novamed abriu, nesta quinta-feira (10), uma nova etapa de sua operação no Polo Industrial de Manaus (PIM). A empresa do Grupo EMS, líder do setor farmacêutico brasileiro, inaugurou a expansão da fábrica e um novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), dentro de um pacote de R$ 300 milhões em investimentos que combina aumento de escala industrial, tecnologia e formação de mão de obra no Amazonas.
Os investimentos ampliaram em mais de 30% a área total construída da Novamed, que passa a ser de 46,2 mil metros quadrados.
A expansão coloca um novo patamar para uma operação que já trabalha em escala bilionária. Atualmente, cerca de 1,7 bilhão de comprimidos saem da unidade todos os meses, o equivalente a 20,4 bilhões por ano, mantido o ritmo atual. Com a nova estrutura, a meta é elevar a capacidade para até 2,5 bilhões mensais (30 bilhões ao ano), um crescimento de 47,1% sobre o volume produzido hoje.
O avanço acontece depois de a própria operação já ter aumentado seu ritmo nos últimos anos. A referência anterior era de aproximadamente 1,5 bilhão de comprimidos por mês. O patamar atual de 1,7 bilhão representa crescimento de 13,3%. Se comparada aquela escala inicial com a capacidade projetada de 2,5 bilhões, o crescimento chega a 66,7%.
Mais do que adicionar volume às linhas, a nova fase amplia o peso de Manaus dentro da estrutura industrial da EMS. A fábrica amazonense atende atualmente cerca de 80% da demanda do grupo por medicamentos sólidos e mantém 1.101 SKUs em suas linhas. A unidade é dedicada exclusivamente a essa categoria, que inclui, além dos comprimidos, cápsulas e drágeas, sem produção de medicamentos líquidos ou injetáveis.

A dimensão acumulada da operação ajuda a mostrar o salto desde a inauguração. Em 12 anos, aproximadamente 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos foram produzidas em Manaus. Hoje, a fábrica funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, distribuída em três turnos.
E esse crescimento também deve aparecer no quadro de pessoal. A Novamed trabalha atualmente com cerca de 1.160 colaboradores e apresentou um plano para chegar a aproximadamente 2 mil trabalhadores nos dois anos seguintes. Se a projeção for alcançada, serão cerca de 840 postos adicionais, o equivalente a uma expansão de mais de 72% no número de empregados.
Parte da preparação para esse movimento já começou fora das linhas de produção. Em parceria com o Senai, a companhia colocou em andamento um curso de Operação na Indústria Farmacêutica para capacitar 90 pessoas. A perspectiva informada pela empresa é absorver aproximadamente metade dos participantes. A iniciativa faz parte da Escola de Operadores do Grupo EMS, criada em 2022, a partir de uma parceria que atualmente está na 24ª turma.
Participaram da inauguração o presidente do Conselho de Administração do Grupo EMS, Carlos Sanchez; o vice-presidente do Grupo EMS, Gabriel Sanchez; a diretora executiva de Relações Institucionais do Grupo EMS, Juliana Megid; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o senador Eduardo Braga; o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle; além de outras autoridades e executivos.

Pesquisa passa a ocupar mais espaço dentro da fábrica
Se de um lado a expansão aumenta o tamanho da operação industrial, de outro o novo Centro de PD&I aproxima da fábrica atividades que antecedem a produção em grande escala. Dos R$ 300 milhões envolvidos nesta nova etapa, R$ 27,5 milhões vieram de financiamento aprovado, ainda em maio, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especificamente para a estrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
O crédito, aprovado em maio, financiou a reforma de um prédio já existente para receber uma área exclusivamente dedicada ao PD&I, além da aquisição de equipamentos de alta tecnologia. O projeto contempla ainda uma planta-piloto e a ampliação do laboratório analítico da unidade.
Na prática, a estrutura cria espaço para que desenvolvimento, testes e avaliações em escala intermediária ocorram mais próximos da operação industrial. A planta-piloto funciona justamente nessa passagem entre a pesquisa em laboratório e a fabricação em grandes volumes, permitindo trabalhar processos antes de sua transferência para linhas capazes de produzir bilhões de unidades.
Hoje, o Grupo EMS conta com mais de 1,5 mil pesquisadores, incluindo cerca de 155 PhDs.

Para Carlos Sanchez, a inauguração acrescenta à presença industrial da companhia no Amazonas uma frente diretamente ligada ao desenvolvimento tecnológico.
“A inauguração deste centro é um passo muito importante para a Novamed e também para o Amazonas. Quando investimos em pesquisa e desenvolvimento dentro da própria fábrica, criamos condições para que novas soluções sejam pensadas, testadas e desenvolvidas aqui, perto da produção. Isso também significa formar pessoas, gerar conhecimento e abrir novas possibilidades para profissionais da região. Queremos que Manaus tenha um papel cada vez mais relevante não apenas na fabricação de medicamentos, mas também no desenvolvimento de tecnologia para a indústria farmacêutica brasileira”, disse.
O crescimento ocorre sobre uma unidade que já possui alto nível de automação. Antes de chegar às linhas de fabricação, matérias-primas passam por sistemas robotizados de dosagem, enquanto softwares acompanham diferentes etapas do processo produtivo. A documentação industrial também funciona em meio eletrônico, reduzindo o uso de papel e permitindo o acompanhamento digital dos processos.
Sanchez também relacionou a entrega à trajetória construída pela empresa em Manaus.
“É muito especial ver esse projeto se concretizando. Sabemos o que uma expansão como essa representa para a empresa, mas também para Manaus e para toda a Região Norte. É uma conquista que mostra o quanto ainda podemos crescer por aqui, gerar oportunidades e fortalecer a presença da indústria farmacêutica na região”, declarou.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a inauguração da unidade dá maior capacidade de inovação à indústria farmacêutica instalada em Manaus, além de envolver a produção local de conhecimento na busca por novas soluções terapêuticas para o mercado brasileiro e para o Sistema Único de Saúde (SUS).
“A EMS cresceu e se consolidou nesses mais de 60 anos como uma empresa de genéricos e agora ela está na ponta da inovação, disputando o mercado futuro. A indústria farmacêutica, um setor estratégico para o país, deu um salto extraordinário. A pandemia mostrou o quanto é importante ter resiliência, soberania, capacidade de produção própria e conhecimento saúde”, destacou o presidente.
Resumo redes: Com a expansão, farmacêutica prevê elevar a produção mensal de 1,7 bilhão para 2,5 bilhões de comprimidos, alta de 47,1%. Em 12 anos, aproximadamente 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos foram produzidas pela farmacêutica em Manaus.