Pix já ultrapassa cartão de crédito em pagamentos de consumidores a empresas e movimenta R$ 3,5 trilhões

Levantamento mais recente também aponta que 72% dos consumidores digitais usam Pix nas compras on-line, enquanto o cartão de crédito é usado por 60%

Mãos seguram um smartphone com o logotipo do Pix na tela e um cartão de crédito físico.
Foto: Reprodução/Transfeera

O Pix já movimenta mais dinheiro que o cartão de crédito quando a comparação é feita especificamente nas transações de consumidores para empresas. Em 2025, o chamado Pix P2B (sigla em inglês para person-to-business) somou aproximadamente R$ 3,5 trilhões, enquanto o cartão de crédito movimentou R$ 3,06 trilhões, segundo o Varejo Finance Report 2026. A diferença ficou próxima de R$ 440 bilhões.

O recorte é importante porque evita uma comparação distorcida. Considerando todas as operações realizadas pelo Pix (incluindo transferências entre pessoas e outros tipos de movimentação) o sistema ultrapassou R$ 35,4 trilhões em 2025, com quase 80 bilhões de transações, segundo o Banco Central. Esse total, portanto, não deve ser colocado diretamente ao lado do volume do cartão de crédito.

Quando são isolados os pagamentos relacionados diretamente ao consumo, o avanço do Pix fica mais claro. Dados também apresentados no Varejo Finance Report 2026 atribuem ao Pix P2B 44,6% desse mercado em 2025, contra 39% do cartão de crédito.

Pix também passa o crédito nas compras on-line

A mudança aparece também no comportamento dos consumidores em 2026. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), realizada em parceria com a Offerwise, mostrou que 72% dos consumidores digitais utilizam Pix nas compras on-line, enquanto o cartão de crédito é usado por 60%. Como um mesmo consumidor pode utilizar mais de uma forma de pagamento, os percentuais não representam fatias exclusivas do mercado.

O levantamento mostra ainda que o avanço do Pix não significa desaparecimento do cartão. O crédito continua oferecendo características que o pagamento instantâneo convencional não reproduz da mesma maneira, como parcelamento, prazo até o vencimento da fatura, programas de benefícios e mecanismos próprios de contestação de compras.

Como já informado, em todo o ano de 2025, o Pix somou cerca de 80 bilhões de transações, o equivalente a aproximadamente 52,9% das 150,9 bilhões de operações de pagamento registradas pelo Banco Central. Somadas, as modalidades crédito, débito e pré-pago alcançaram cerca de 48,7 bilhões de transações, 32,3% do total.

Cartão continua crescendo

Apesar da perda de liderança para o Pix em alguns recortes, o mercado de cartões segue em expansão. Em 2025, cartões de crédito, débito e pré-pago movimentaram juntos R$ 4,5 trilhões, crescimento de 10,1% sobre o ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o volume das três modalidades chegou a R$ 2,3 trilhões, alta de 8%.

No segundo trimestre deste ano, somente o cartão de crédito movimentou R$ 846,3 bilhões, avanço de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025. Os cartões, considerados em conjunto, representaram 56,3% do consumo das famílias no trimestre, enquanto o crédito sozinho respondeu por 40,1%.

Resumo redes: Em 2025, o Pix P2B, de pessoa física para empresa, movimentou cerca de R$ 3,5 trilhões, ante R$ 3,06 trilhões do cartão de crédito, segundo o Varejo Finance Report. Outro levantamento - realizado por CNDL, SPC Brasil e Offerwise - mostra que 72% dos consumidores digitais usam Pix em compras on-line, contra 60% que utilizam cartão de crédito.