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# DIÁRIO DO POLO - 16/10/2026
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/polo-industrial-manaus-diesel-logistica-br319-16-10-2026/
- Published: 2026-10-16T11:32:37.000Z
- Updated: 2026-10-16T11:32:37.000Z
- Description: Enquanto o PIM acelera para o fim de ano, a alta do combustível e o bloqueio para carretas na BR-319 exigem novas estratégias. Confira também os avanços na qualificação técnica local.
- Author: Murilo Ignácio Gomes da Silva
- Tags: Diário do Polo, #diario

## Lo­gís­tica Ama­zô­nica

O cenário lo­gís­tico do Ama­zo­nas atra­vessa um momento de extrema sen­si­bi­li­dade, onde a in­fra­es­tru­tura ter­res­tre e os custos de com­bus­tí­veis con­ver­gem para pres­si­o­nar a vi­a­bi­li­dade ope­ra­ci­o­nal do Polo In­dus­trial de Manaus (PIM). A in­ter­de­pen­dên­cia entre os modais torna-se evi­dente à medida que a seca severa res­tringe a na­ve­ga­bi­li­dade dos rios, ele­vando a im­por­tân­cia es­tra­té­gica da BR-319, que, contudo, ainda opera sob severas li­mi­ta­ções téc­ni­cas e es­tru­tu­rais que impedem o fluxo pleno de carga pesada. 

- **BR-319: Tra­ves­sia no Rio Igapó-Açu é re­to­mada para ve­í­cu­los leves.** A li­be­ra­ção parcial mitiga o iso­la­mento ter­res­tre total após o nau­frá­gio da balsa, mas a res­tri­ção a ve­í­cu­los pesados mantém o gargalo lo­gís­tico para o trans­porte de insumos e es­co­a­mento da pro­du­ção do PIM, for­çando in­dús­trias a bus­ca­rem al­ter­na­ti­vas mais one­ro­sas como o ca­bo­ta­gem com trans­bordo ou o modal aéreo para com­po­nen­tes crí­ti­cos. [Fonte ↗](https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/br-319-travessia-no-rio-igapo-acu-e-retomada-para-veiculos-leves?ref=jornalopolo.com.br)
- **Diesel sobe 6,67% na 1ª quin­zena e pres­si­ona custos de frete.** O aumento no preço do com­bus­tí­vel no mercado na­ci­o­nal eleva di­re­ta­mente os custos de lo­gís­tica ro­do­vi­á­ria e fluvial, im­pac­tando o *Custo Ama­zo­nas* no momento em que as in­dús­trias ace­le­ram o ritmo para o final do ano. Este in­cre­mento reduz a margem de manobra fi­nan­ceira das trans­por­ta­do­ras que operam na região Norte. [Fonte ↗](https://www.diariodepernambuco.com.br/economia/2026/10/11726689-diesel-sobe-667-na-1-quinzena-etanol-avanca-238-e-gasolina-fica-estavel.html?ref=jornalopolo.com.br)

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## In­dús­tria e Em­pre­sas do PIM

As fá­bri­cas ins­ta­la­das em Manaus operam atu­al­mente em seu pico de ca­pa­ci­dade sazonal, com o foco total voltado ao abas­te­ci­mento das redes de varejo para as vendas de Natal e Ano Novo. Os setores de duas rodas e ele­tro­e­le­trô­ni­cos, pi­las­tras do fa­tu­ra­mento re­gi­o­nal, en­fren­tam o desafio lo­gís­tico de ga­ran­tir que o produto acabado chegue ao Centro-Sul do país a tempo, su­pe­rando as taxas ex­tra­or­di­ná­rias de es­ti­a­gem e a baixa vi­si­bi­li­dade causada pelas quei­ma­das na região. 

Ges­to­res das plantas de in­for­má­tica mo­ni­to­ram com rigor os *lead times* de im­por­ta­ção. A vo­la­ti­li­dade do frete e os gar­ga­los na BR-319 exigem um pla­ne­ja­mento de es­to­ques de se­gu­rança mais agres­sivo, embora o custo de capital (SELIC) torne essa es­tra­té­gia fi­nan­cei­ra­mente pesada. A efi­ci­ên­cia pro­du­tiva e a oti­mi­za­ção de pro­ces­sos tor­na­ram-se os únicos ca­mi­nhos para ab­sor­ver os au­men­tos de custos em diesel e energia sem re­pas­sar in­te­gral­mente os valores ao con­su­mi­dor final, pre­ser­vando a com­pe­ti­ti­vi­dade frente aos pro­du­tos im­por­ta­dos di­re­ta­mente. 

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## Tra­ba­lho e Qua­li­fi­ca­ção

A com­pe­ti­ti­vi­dade de longo prazo do Polo In­dus­trial de Manaus depende in­trin­se­ca­mente da so­fis­ti­ca­ção técnica de sua mão de obra local. Em um am­bi­ente de ma­nu­fa­tura avan­çada, a tran­si­ção da mão de obra ope­ra­ci­o­nal para cargos téc­ni­cos es­pe­ci­a­li­za­dos é o que permite a redução da de­pen­dên­cia de ser­vi­ços ex­ter­nos e acelera a ma­nu­ten­ção de pre­ci­são nas linhas de mon­ta­gem. 

- **SENAI Ama­zo­nas forma pri­meira turma de apren­di­za­gem técnica em Ele­tro­me­câ­nica.** Ao todo, 45 jovens foram ca­pa­ci­ta­dos e nove já ga­ran­ti­ram con­tra­ta­ção ime­di­ata por in­dús­trias do PIM. A in­ser­ção direta de téc­ni­cos qua­li­fi­ca­dos supre uma demanda crítica de pre­ci­são nas fá­bri­cas, re­du­zindo custos de re­cru­ta­mento e trei­na­mento es­pe­ci­a­li­zado para o setor in­dus­trial de fer­ra­men­tal e ma­nu­ten­ção. [**Leia no O Polo ↗**](https://www.jornalopolo.com.br/senai-amazonas-forma-45-jovens-da-primeira-turma-de-aprendizagem-tecnica/)

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## Co­mér­cio e Câmbio

| In­di­ca­dor         | Fe­cha­mento | Va­ri­a­ção |
| -------------------- | ------------ | ----------- |
| PTAX USD/BRL (Venda) | R$ 5,05      | +0,16%      |
| USD/BRL (Spot)       | R$ 5,08      | +0,72%      |
| EUR/BRL (Spot)       | R$ 5,72      | +1,36%      |
| SELIC                | 13,75% a.a.  | 0,00%       |

O dólar spot fechou ontem em R$ 5,08, con­so­li­dando uma ten­dên­cia de alta que en­ca­rece di­re­ta­mente a re­po­si­ção de insumos para os polos de ele­tro­e­le­trô­ni­cos e in­for­má­tica. Com a PTAX de venda subindo para R$ 5,05, o custo médio das im­por­ta­ções pro­gra­ma­das para o próximo ciclo pro­du­tivo sofre uma pressão adi­ci­o­nal. Somado à taxa Selic de 13,75% ao ano, o custo fi­nan­ceiro para manter es­to­ques pre­ven­ti­vos durante a es­ti­a­gem torna-se oneroso, exi­gindo uma dis­ci­plina ri­go­rosa no fluxo de caixa e na gestão de crédito das em­pre­sas in­dus­tri­ais. 

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## Pressão no Custo de Energia

O pe­tró­leo Brent en­cer­rou o dia em alta de +0,36% (US$ 106,30), sus­ten­tando a pressão sobre as com­mo­di­ties ener­gé­ti­cas no médio prazo. No entanto, o fe­cha­mento in­ter­na­ci­o­nal do diesel apre­sen­tou uma queda de \-3,60% e o gás natural recuou \-1,82%. Para a in­dús­tria em Manaus, esse alívio externo é con­tra­di­tó­rio frente à alta de 6,67% no diesel do­més­tico nesta quin­zena, re­sul­tando em um custo de ope­ra­ção que per­ma­nece elevado tanto para a geração térmica quanto para o frete ro­do­flu­vial, anu­lando be­ne­fí­cios de ganhos ope­ra­ci­o­nais ime­di­a­tos. 

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## Mo­vi­men­ta­ções do Setor

- O SENAI Ama­zo­nas con­cluiu a for­ma­ção da pri­meira turma de apren­di­za­gem técnica em Ele­tro­me­câ­nica em Manaus, re­sul­tando na con­tra­ta­ção ime­di­ata de nove pro­fis­si­o­nais por in­dús­trias do Polo In­dus­trial. A ini­ci­a­tiva visa suprir a ca­rên­cia de mão de obra es­pe­ci­a­li­zada no setor de fer­ra­men­tal, área es­tra­té­gica para a ma­nu­ten­ção e au­to­no­mia técnica das linhas de pro­du­ção locais.

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## O Que Muda Para o Ama­zo­nas

- **Custos Lo­gís­ti­cos:** O aumento de 6,67% no diesel na quin­zena en­ca­rece ime­di­a­ta­mente o frete fluvial de insumos e o es­co­a­mento da pro­du­ção por balsas.
- **Es­co­a­mento Ter­res­tre:** A li­be­ra­ção da BR-319 apenas para ve­í­cu­los leves mantém o gargalo para car­re­tas, obri­gando a in­dús­tria a manter planos de con­tin­gên­cia caros.
- **Im­por­ta­ção de Com­po­nen­tes:** A va­lo­ri­za­ção do dólar spot para R$ 5,08 en­ca­rece a re­po­si­ção de peças ele­trô­ni­cas im­por­ta­das no momento de pico das linhas de mon­ta­gem.
- **Efi­ci­ên­cia Técnica:** A entrada de novos téc­ni­cos em ele­tro­me­câ­nica for­ma­dos pelo SENAI reduz a de­pen­dên­cia de ser­vi­ços ex­ter­nos para ma­nu­ten­ção de ma­qui­ná­rio no PIM.
- **Gestão Fi­nan­ceira:** A Selic em 13,75% somada ao dólar em alta exige que as em­pre­sas reduzam prazos de pa­ga­mento e oti­mi­zem o fluxo de caixa para evitar dívidas caras.

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## Balanço da Semana

- **O que avançou:** A inau­gu­ra­ção da fábrica da KTM e a aber­tura de novas turmas téc­ni­cas pelo SENAI re­for­çam a atração de in­ves­ti­men­tos e a qua­li­fi­ca­ção de pessoal no estado.
- **O que travou:** O nau­frá­gio da balsa no Rio Igapó-Açu pa­ra­li­sou o trans­porte pesado na BR-319, agra­vando as di­fi­cul­da­des lo­gís­ti­cas já im­pos­tas pela seca severa.
- **Pen­dente:** A de­fi­ni­ção de so­lu­ções re­gu­la­tó­rias para as taxas ex­tra­or­di­ná­rias de es­ti­a­gem nos portos e a pa­vi­men­ta­ção de­fi­ni­tiva da BR-319 con­ti­nuam como pautas ur­gen­tes.

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## Fe­cha­mento

A eco­no­mia do Ama­zo­nas encerra este ciclo mo­ni­to­rando o impacto direto da alta dos com­bus­tí­veis e da vo­la­ti­li­dade cambial sobre a com­pe­ti­ti­vi­dade in­dus­trial. En­quanto a for­ma­ção de novos téc­ni­cos e a aber­tura de novas uni­da­des fabris si­na­li­zam a re­si­li­ên­cia do Polo In­dus­trial de Manaus, os gar­ga­los de in­fra­es­tru­tura ter­res­tre e fluvial impõem custos ex­tra­or­di­ná­rios que testam a ca­pa­ci­dade de gestão das em­pre­sas. A es­ta­bi­li­dade ope­ra­ci­o­nal do polo no curto prazo de­pen­derá da agi­li­dade em con­tor­nar as res­tri­ções lo­gís­ti­cas e da ma­nu­ten­ção do equi­lí­brio fiscal diante de um cenário de juros e dólar ele­va­dos. 

Bom dia e bons ne­gó­cios. 

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O Polo

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