DIÁRIO DO POLO - 16/09/2026

Antaq barra cobranças unilaterais da taxa da seca e Polo de Duas Rodas bate recordes. Confira os prazos críticos da Reforma Tributária e os riscos de ESG para a indústria de Manaus.

Zona Franca e Po­lí­tica

  • Maria do Carmo propõe atu­a­li­zar Zona Franca e in­cen­ti­var mi­ne­ra­ção no AM. A pro­posta foca na di­ver­si­fi­ca­ção eco­nô­mica como blin­da­gem es­tra­té­gica ao modelo tra­di­ci­o­nal, su­ge­rindo a ver­ti­ca­li­za­ção mineral para que o estado produza in­ter­na­mente com­po­nen­tes ele­trô­ni­cos em vez de apenas extrair e ex­por­tar minério bruto. Para o setor in­dus­trial, essa mudança si­na­liza um po­ten­cial aden­sa­mento da cadeia pro­du­tiva local e a redução da de­pen­dên­cia de for­ne­ce­do­res ex­ter­nos de matéria-prima. Fonte ↗
  • David Almeida defende união po­lí­tica em Bra­sí­lia para manter Zona Franca. A coesão entre a pre­fei­tura de Manaus e o governo es­ta­dual é vista pelas li­de­ran­ças em­pre­sa­ri­ais como fator es­sen­cial para evitar perdas de ar­re­ca­da­ção e pre­ser­var os be­ne­fí­cios fiscais durante a re­gu­la­men­ta­ção final da Reforma Tri­bu­tá­ria. A defesa do modelo ZFM exige uma ar­ti­cu­la­ção técnica e po­lí­tica robusta para ga­ran­tir que a se­gu­rança ju­rí­dica do Polo In­dus­trial de Manaus não seja com­pro­me­tida por de­ci­sões uni­la­te­rais do governo federal. Fonte ↗
  • Dia 1º de janeiro de 2027: seis mu­dan­ças tri­bu­tá­rias que exigem atenção. O cro­no­grama da Reforma Tri­bu­tá­ria entra em fase crítica e as ge­rên­cias fiscais das in­dús­trias de Manaus devem adequar seus sis­te­mas para a tran­si­ção dos im­pos­tos sobre consumo que afetam di­re­ta­mente o IPI. A pre­pa­ra­ção ime­di­ata é ne­ces­sá­ria para ga­ran­tir que os di­fe­ren­ci­ais com­pe­ti­ti­vos da Zona Franca sejam man­ti­dos sob o novo regime, evi­tando gar­ga­los ad­mi­nis­tra­ti­vos que possam onerar o fluxo de caixa das mul­ti­na­ci­o­nais. Fonte ↗

In­dús­tria e Em­pre­sas do PIM

  • Juros altos re­for­çam busca por compra pla­ne­jada de mo­to­ci­cle­tas no Ama­zo­nas. Com a Selic mantida no patamar de 14%, o crédito direto ao con­su­mi­dor en­ca­rece sig­ni­fi­ca­ti­va­mente; o cres­ci­mento de con­sór­cios e mo­da­li­da­des de compras pla­ne­ja­das tem sido o motor que sus­tenta o ritmo de vendas e, con­se­quen­te­mente, a pro­du­ção das mon­ta­do­ras de Manaus. Fonte ↗
  • Desde 2018 o Brasil não pro­du­zia tantas mo­to­ci­cle­tas como em 2026. O marco his­tó­rico con­firma a plena re­cu­pe­ra­ção do Polo de Duas Rodas, que opera com alta ocu­pa­ção de sua ca­pa­ci­dade ins­ta­lada e tra­ci­ona toda a cadeia de sub­for­ne­ce­do­res de com­po­nen­tes me­tá­li­cos e ele­trô­ni­cos si­tu­a­dos no Dis­trito In­dus­trial. Fonte ↗
  • Brasil precisa mais que dobrar in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tura, aponta CNI. No Ama­zo­nas, o deficit apon­tado pela Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal da In­dús­tria é agra­vado pelo iso­la­mento ge­o­grá­fico; o dado reforça o pleito local por mais re­cur­sos fe­de­rais des­ti­na­dos à dra­ga­gem de rios e à mo­der­ni­za­ção de portos pú­bli­cos para reduzir o Custo Ama­zo­nas. Fonte ↗

Lo­gís­tica Ama­zô­nica

  • Antaq exige aval prévio para co­brança da taxa da seca no Ama­zo­nas. A decisão re­gu­la­tó­ria impede que ar­ma­do­res apli­quem uni­la­te­ral­mente so­bre­ta­xas de baixa pro­fun­di­dade, que che­ga­ram a US$ 4,6 mil por con­têi­ner em crises an­te­ri­o­res, pro­te­gendo as margens das in­dús­trias do PIM contra custos lo­gís­ti­cos abu­si­vos durante a es­ti­a­gem. Fonte ↗
  • BR-319 im­pul­si­ona ocu­pa­ção de área pre­ser­vada por vias clan­des­ti­nas. Imagens de sa­té­lite mostram que o aumento do des­ma­ta­mento e de ramais ilegais na área de in­flu­ên­cia da rodovia amplia a pressão am­bi­en­tal sobre o projeto, di­fi­cul­tando a ma­nu­ten­ção da licença de pa­vi­men­ta­ção do trecho do meio e gerando in­cer­teza sobre o modal ter­res­tre. Fonte ↗
  • Es­ti­a­gem reforça im­por­tân­cia de in­ves­ti­men­tos em se­gu­rança hídrica. Além da na­ve­ga­ção, a seca severa afeta o abas­te­ci­mento in­dus­trial; o alerta exige que as fá­bri­cas do Dis­trito In­dus­trial ace­le­rem pro­je­tos de reúso de água e im­ple­men­tem sis­te­mas de re­dun­dân­cia para evitar paradas for­ça­das nas linhas de mon­ta­gem. Fonte ↗

Energia e Mi­ne­ra­ção

  • Sistema elé­trico de Manaus atinge recorde his­tó­rico de consumo de energia. O pico de demanda re­gis­trado durante a seca severa coloca o sistema de trans­mis­são e geração sob es­tresse elevado, au­men­tando os riscos de quedas de energia que podem pa­ra­li­sar linhas de mon­ta­gem ele­tro­in­ten­si­vas no Dis­trito In­dus­trial, como nos setores químico e de ele­tro­e­le­trô­ni­cos. Fonte ↗

Eco­no­mia do Ama­zo­nas

  • DIÁRIO DO POLO - 16 de se­tem­bro de 2026. A co­ber­tura diária dos prin­ci­pais fatos que movem o Polo In­dus­trial de Manaus.
  • Roberto Cidade defende diálogo com in­dús­tria e novas ma­tri­zes para gerar renda. O es­trei­ta­mento de laços com as en­ti­da­des de classe FIEAM e Cieam si­na­liza uma gestão focada em des­bu­ro­cra­ti­zar o li­cen­ci­a­mento para novas plantas in­dus­tri­ais e ampliar a se­gu­rança ju­rí­dica ne­ces­sá­ria para re­in­ves­ti­men­tos no polo. Fonte ↗
  • Garimpo avança 562% em terras in­dí­ge­nas na Ama­zô­nia. A ex­plo­são da mi­ne­ra­ção ilegal eleva dras­ti­ca­mente o risco re­pu­ta­ci­o­nal e de con­for­mi­dade ESG para as in­dús­trias de ele­tro­e­le­trô­ni­cos, que pre­ci­sam ga­ran­tir a ras­tre­a­bi­li­dade total de metais como ouro e estanho uti­li­za­dos em seus com­po­nen­tes. Fonte ↗
  • União cria 4 novas re­ser­vas sus­ten­tá­veis no Ama­zo­nas. A criação dessas áreas de­li­mita o ter­ri­tó­rio para pro­je­tos de manejo flo­res­tal sus­ten­tá­vel, abrindo opor­tu­ni­da­des es­tra­té­gi­cas para as in­dús­trias de cos­mé­ti­cos e fár­ma­cos do PIM uti­li­za­rem insumos cer­ti­fi­ca­dos da bi­o­di­ver­si­dade re­gi­o­nal. Fonte ↗
  • Flo­resta em pé vale mais no fluxo de caixa do que no chão. O debate sobre ativos am­bi­en­tais pode trans­for­mar a pre­ser­va­ção em receita direta para o estado via cré­di­tos de carbono, ofe­re­cendo uma al­ter­na­tiva de fi­nan­ci­a­mento para obras de in­fra­es­tru­tura lo­gís­tica verde sem de­pen­der apenas do or­ça­mento federal. Fonte ↗

Co­mér­cio e Câmbio

In­di­ca­dor Valor Va­ri­a­ção
PTAX USD/BRL (Compra/Venda) R$ 5,15 / R$ 5,15 -0,40%
USD/BRL (spot) R$ 5,15 +0,27%
EUR/BRL (spot) R$ 5,95 +0,32%
SELIC 14,00% a.a. valor

O mercado de câmbio operou com leve alta no spot ontem, fe­chando em R$ 5,15, en­quanto a PTAX re­gis­trou um recuo mar­gi­nal para o mesmo patamar. Para as in­dús­trias do Polo In­dus­trial de Manaus, a es­ta­bi­li­dade da moeda acima de cinco reais mantém elevado o custo de re­po­si­ção de insumos im­por­ta­dos, um desafio cons­tante para os setores de ele­tro­e­le­trô­ni­cos e duas rodas. Com a taxa Selic mantida em 14,00% ao ano, o custo fi­nan­ceiro para sus­ten­tar es­to­ques de longo prazo con­ti­nua sendo um dos maiores en­tra­ves à ren­ta­bi­li­dade, exi­gindo uma gestão de caixa ex­tre­ma­mente ri­go­rosa das em­pre­sas do estado diante do longo ciclo lo­gís­tico re­gi­o­nal.


Pressão no Custo de Energia

A matriz de custos ener­gé­ti­cos apre­sen­tou mo­vi­men­tos di­ver­gen­tes no fe­cha­mento do último pregão. O pe­tró­leo Brent en­cer­rou a 107,20 dólares o barril, re­gis­trando queda de 1,43%, o que pode aliviar fu­tu­ra­mente os custos de frete in­ter­na­ci­o­nal. Em con­tra­par­tida, o gás natural subiu 0,86%, fe­chando em 2,94 dólares por MMBtu, man­tendo a pressão sobre as uti­li­da­des tér­mi­cas das fá­bri­cas. O diesel teve uma queda ex­pres­siva de 4,71%, en­cer­rando a 5,01 dólares o galão, um respiro im­por­tante para a lo­gís­tica pesada de es­co­a­mento no Ama­zo­nas, com­pen­sando par­ci­al­mente os custos lo­gís­ti­cos extras gerados pela baixa pro­fun­di­dade dos rios.


Mo­vi­men­ta­ções do Setor

  • A Agência Na­ci­o­nal de Trans­por­tes Aqua­vi­á­rios (Antaq) es­ta­be­le­ceu que a apli­ca­ção da so­bre­taxa de seca (taxa de baixa pro­fun­di­dade) por ar­ma­do­res que operam no Ama­zo­nas passa a exigir au­to­ri­za­ção prévia da au­tar­quia, visando ga­ran­tir trans­pa­rên­cia na for­ma­ção de preços do frete in­dus­trial.
  • O ins­ti­tuto FPFtech iniciou em Manaus o trei­na­mento de um robô hu­ma­noide pro­je­tado para re­pro­du­zir mo­vi­men­tos humanos em pro­ces­sos de ma­nu­fa­tura, bus­cando in­te­grar ro­bó­tica avan­çada e au­to­ma­ção co­la­bo­ra­tiva às linhas de mon­ta­gem da Zona Franca.

O Que Muda Para o Ama­zo­nas

  • Custos lo­gís­ti­cos: A re­gu­la­ção da Antaq sobre a taxa da seca impede o en­ca­re­ci­mento súbito do frete fluvial, pro­te­gendo o capital de giro das in­dús­trias contra surtos in­fla­ci­o­ná­rios no trans­porte.
  • Com­pe­ti­ti­vi­dade fabril: O recorde de pro­du­ção de motos tra­ci­ona o fa­tu­ra­mento de cen­te­nas de pe­que­nas e médias em­pre­sas for­ne­ce­do­ras que operam como sa­té­li­tes do polo em Manaus.
  • Riscos de con­for­mi­dade: O aumento do garimpo ilegal exige que as fa­bri­can­tes de ele­trô­ni­cos in­vis­tam em sis­te­mas mais rígidos de au­di­to­ria de for­ne­ce­do­res de metais para manter acesso aos mer­ca­dos globais.
  • Ino­va­ção no PIM: O projeto de ro­bó­tica da FPFtech si­na­liza um avanço na pron­ti­dão tec­no­ló­gica das fá­bri­cas locais para a In­dús­tria 4.0, re­du­zindo a de­pen­dên­cia de tec­no­lo­gia es­tran­geira.
  • Pla­ne­ja­mento ener­gé­tico: O recorde de consumo elé­trico exige que as em­pre­sas revisem seus con­tra­tos de demanda e busquem efi­ci­ên­cia para evitar multas ou paradas por ins­ta­bi­li­dade no for­ne­ci­mento.

Fe­cha­mento

A eco­no­mia do Ama­zo­nas de­mons­tra re­si­li­ên­cia ao atingir marcas his­tó­ri­cas na pro­du­ção de mo­to­ci­cle­tas, apesar de en­fren­tar um cenário de juros ele­va­dos e de­sa­fios cli­má­ti­cos severos que pres­si­o­nam o calado dos rios. O con­trole re­gu­la­tó­rio sobre as taxas por­tu­á­rias e o avanço em pro­je­tos de tec­no­lo­gia co­la­bo­ra­tiva ofe­re­cem um am­bi­ente de maior pre­vi­si­bi­li­dade para os ne­gó­cios no curto prazo. Contudo, a vi­gi­lân­cia sobre os custos de im­por­ta­ção, a con­for­mi­dade ESG nas cadeias mi­ne­rais e a es­ta­bi­li­dade do sistema elé­trico per­ma­ne­cem como pri­o­ri­da­des ab­so­lu­tas para os ges­to­res do Polo In­dus­trial de Manaus neste en­cer­ra­mento de tri­mes­tre.

Bom dia e bons ne­gó­cios.


O Polo

Acom­pa­nhe o Polo In­dus­trial de Manaus todos os dias

O Polo é o jornal do Polo In­dus­trial de Manaus, no­tí­cias e aná­li­ses sobre a in­dús­tria, a Zona Franca e a eco­no­mia do Ama­zo­nas.

Leia o O Polo