Prefeitura de Manaus mantém Distrito de Inovação do Largo de São Vicente entre projetos estratégicos para 2027

Espaço deverá abrigar incubação de startups, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e eventos, aproximando empresas, empreendedores, universidades e outras instituições ligadas à inovação

Projeção digital do Largo de São Vicente com fontes luminosas tecnológicas, totens de Wi-Fi e pessoas usando tablets.
Foto: Divulgação

O Distrito de Inovação do Largo de São Vicente, no Centro Histórico de Manaus, voltou a aparecer entre as prioridades apresentadas pela Prefeitura para o ano de 2027, durante o Planeja Manaus, realizado entre 16 e 17 de setembro. O projeto, coordenado pela Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi), prevê reunir no local atividades de tecnologia, economia criativa, empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios.

O projeto já passou da etapa de planejamento: a primeira estrutura física está em obras e a Prefeitura já criou um modelo próprio de governança para conduzir a iniciativa.

O ponto de partida será o Casarão de São Vicente, imóvel histórico da rua Bernardo Ramos que está sendo restaurado para funcionar como um hub de inovação. O espaço deverá abrigar incubação de startups, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e eventos, aproximando empresas, empreendedores, universidades e outras instituições ligadas à inovação. A previsão divulgada pelo município é receber cerca de 30 startups nos primeiros dois anos de funcionamento.

Restauro da fachada do casarão de São Vicente | Foto: Arielle Lorena/Semcom

A implantação envolve investimento superior a R$ 14 milhões. Desse total, R$ 10,23 milhões são recursos federais não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), repassados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Prefeitura de Manaus entra com mais de R$ 4 milhões em contrapartida.

O projeto ganhou uma estrutura administrativa própria em maio. O Decreto nº 6.819 instituiu a governança do Distrito de Inovação e vinculou sua coordenação à Semtepi. Foram previstos três níveis: um Comitê de Governança, responsável pelas decisões estratégicas; um Comitê Gestor, encarregado da execução; e um Comitê Técnico, destinado à elaboração de estudos e ao suporte especializado.

Foto: Divulgação

O decreto dá ao Distrito uma abrangência maior que a instalação de empresas em um único imóvel. Entre suas finalidades estão estimular inovação tecnológica, social e institucional, incentivar o empreendedorismo, integrar políticas públicas e requalificar o território urbano. A estrutura também prevê mecanismos como incubação e aceleração de startups, parcerias com instituições científicas e ambientes regulatórios experimentais, os chamados sandboxes, nos quais novas soluções podem ser testadas sob regras específicas e em ambiente controlado.

Obra já começou

A implantação física ganhou forma em julho, quando começaram os serviços de requalificação do Casarão de São Vicente. Em agosto, a Prefeitura informou que as frentes de trabalho já envolviam demolições, montagem de andaimes, implantação de caixas e tubulações de esgoto e o início do restauro da fachada. O projeto arquitetônico é do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e preserva características históricas do imóvel, ao mesmo tempo em que prevê adaptações de acessibilidade, funcionalidade e sustentabilidade.

Serão três pavimentos, que poderão funcionar de forma independente ou integrada, permitindo desde encontros menores até eventos de maior porte. A estratégia é usar o patrimônio histórico não apenas como espaço de visitação, mas também como endereço para atividades econômicas ligadas à tecnologia e ao conhecimento.

A conclusão do casarão está prevista para junho de 2027. Ele será o primeiro equipamento do Distrito de Inovação, que pretende alcançar uma área mais ampla do entorno do Largo de São Vicente e se conectar ao processo de requalificação do Centro de Manaus.

A iniciativa também recupera uma discussão que não começou agora. Em 2022, a Prefeitura já apresentava a intenção de transformar o Casarão de São Vicente em espaço de inovação e coworking. Na época, o projeto ainda passava por adequações para análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Quatro anos depois, a proposta foi incorporada a um distrito de inovação mais amplo e ganhou financiamento e execução física.

Tecnologia como parte da revitalização do Centro

O Distrito de Inovação também se encaixa na tentativa da Prefeitura de diversificar os usos do Centro Histórico. O Casarão de São Vicente se soma a intervenções já realizadas na região, como o mirante Lúcia Almeida, o píer turístico Manaus 355, o Largo de São Vicente e o Casarão Thiago de Mello. A segunda fase do programa municipal “Nosso Centro” prevê ainda outras intervenções destinadas a ampliar atividades de turismo, lazer, gastronomia e economia criativa.

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A diferença, no caso do Distrito, é a tentativa de acrescentar uma atividade econômica permanente ao processo de revitalização. Em vez de concentrar a ocupação apenas em turismo e eventos, o projeto pretende levar startups, empresas de base tecnológica, pesquisa e desenvolvimento para uma das áreas mais antigas da capital.

A Prefeitura chegou a divulgar uma projeção de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos em cinco anos relacionados ao Distrito. O número é uma estimativa da Semtepi para os efeitos futuros do projeto e não representa vagas já contratadas ou garantidas.

Resumo redes: O espaço tem investimento superior a R$ 14 milhões e deverá reunir incubação de startups, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e eventos, aproximando empresas, empreendedores, universidades e instituições de inovação. A previsão é receber cerca de 30 startups nos dois primeiros anos.