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# Projeto Autazes prevê produção comercial de potássio em 2030, mas ainda busca até US$ 400 milhões para sair do papel
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/projeto-autazes-preve-producao-comercial-de-potassio-em-2030-mas-ainda-busca-ate-us-400-milhoes-para-sair-do-papel/
- Published: 2026-08-31T19:47:23.000Z
- Updated: 2026-08-31T19:47:23.000Z
- Description: Projeto prevê produzir 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano e já tem 91% da produção futura comprometida
- Author: Redação
- Tags: Mineração, #video-ok, #story-ok, #facebook-ok, #instagram-ok

A Brazil Potash ainda precisa levantar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio (equity) para avançar com o financiamento do Projeto Autazes, empreendimento de US$ 2,5 bilhões planejado para produção de potássio no Amazonas. A necessidade permanece mesmo após a criação de novos incentivos federais para a indústria de fertilizantes e dos benefícios tributários associados à Zona Franca de Manaus.

Segundo o presidente da companhia, Matt Simpson, a combinação dos incentivos da Zona Franca com o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) pode representar uma economia de até US$ 190 milhões para o projeto. Sancionado na última sexta-feira (28), o programa prevê R$ 10 bilhões em créditos fiscais de tributos federais para novas plantas de fertilizantes e também estabelece apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Projeto-Autazes-prev---produ----o-comercial-de-pot--ssio-em-2030--mas-ainda-busca-at---US--400-milh--es-para-sair-do-papel-2.jpg)

Autazes (AM) | Foto: Divulgação

Em entrevista ao *Valor Econômico*, Simpson afirmou que a prioridade da empresa agora é fechar a estrutura financeira necessária para iniciar a construção. O modelo estudado reúne dívida, recursos de investidores, benefícios fiscais e contratos relacionados à infraestrutura do empreendimento.

O executivo também defendeu uma participação maior de instituições públicas no financiamento de projetos de fertilizantes. Para ele, a entrada do BNDES ou de outras entidades apoiadas pelo governo teria peso não apenas pelo volume de recursos, mas pela sinalização aos investidores internacionais de que o projeto conta com respaldo institucional no Brasil.

> “Não é tanto o volume do investimento que importa, mas o fato de o governo ter uma participação financeira nesses projetos de fertilizantes. Isso dá conforto aos investidores internacionais de que o projeto é efetivamente apoiado pelo governo brasileiro”, afirmou Simpson.

A Brazil Potash informa já ter mantido conversas com instituições ligadas ao governo, mas não detalhou quais entidades participaram das tratativas nem os valores discutidos.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Matt-Simpson_-CEO-da-Brazil-Potash-Foto-Rogerio-Vieira-Valor.png)

Matt Simpson, CEO da Brazil Potash | Foto: Rogerio Vieira/Valor Econômico

### Produção prevista para 2030

Caso consiga avançar com a captação e cumprir o cronograma de construção, a companhia trabalha com o início da produção comercial no fim de 2030\. A capacidade inicial prevista é de 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano, volume equivalente a aproximadamente 17% do consumo brasileiro.

Antes mesmo do início das obras principais, 91% dessa produção já está comprometida em contratos de longo prazo do tipo *take or pay*. Os acordos, com duração entre dez e 17 anos, envolvem a Amaggi, a suíça Keytrade e a Kimia, que assumiram compromissos de compra de volumes mínimos a preços de mercado.

A estratégia da companhia é concentrar inicialmente o potássio no mercado brasileiro, embora também sejam consideradas exportações para outros países da América Latina e para os Estados Unidos.

Simpson afirma que a produção nacional não significa necessariamente um potássio mais barato ao produtor rural, já que a comercialização continuará seguindo referências de mercado. A aposta está na redução da exposição brasileira às oscilações internacionais, especialmente diante da concentração de parte relevante da oferta mundial em Rússia e Belarus.

### Logística entra na conta

Outro ponto utilizado pela Brazil Potash para sustentar a competitividade do empreendimento é o custo de transporte. A estimativa da empresa é que levar o produto de Autazes até produtores de Mato Grosso custe cerca de US$ 53 por tonelada.

O valor seria inferior à metade dos mais de US$ 100 por tonelada calculados para o potássio importado que entra no Brasil por portos como Santos e Paranaguá e depois segue por transporte rodoviário até o Centro-Oeste.

A estratégia logística prevê utilizar no trajeto de retorno as barcaças empregadas atualmente no escoamento de soja, milho e algodão pela região, reduzindo viagens com capacidade ociosa.

Na área de licenciamento, Simpson afirmou que a principal pendência atualmente está relacionada à linha de transmissão de 165 quilômetros prevista para conectar o projeto à subestação de Silves, no Amazonas.

O empreendimento também teve uma decisão judicial favorável neste mês, quando o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido que buscava suspender decisões de instâncias inferiores relacionadas ao aval socioambiental do projeto. Segundo Simpson, o empreendimento não está localizado em terra indígena.

Resumo redes: A Brazil Potash ainda precisa levantar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio (equity) para avançar com o financiamento do Projeto Autazes, empreendimento de US$ 2,5 bilhões planejado para produção de potássio no Amazonas. A necessidade permanece mesmo após a criação de novos incentivos federais para a indústria de fertilizantes e dos benefícios tributários associados à Zona Franca de Manaus.