Projeto Autazes prevê produção comercial de potássio em 2030, mas ainda busca até US$ 400 milhões para sair do papel
Projeto prevê produzir 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano e já tem 91% da produção futura comprometida
A Brazil Potash ainda precisa levantar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio (equity) para avançar com o financiamento do Projeto Autazes, empreendimento de US$ 2,5 bilhões planejado para produção de potássio no Amazonas. A necessidade permanece mesmo após a criação de novos incentivos federais para a indústria de fertilizantes e dos benefícios tributários associados à Zona Franca de Manaus.
Segundo o presidente da companhia, Matt Simpson, a combinação dos incentivos da Zona Franca com o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) pode representar uma economia de até US$ 190 milhões para o projeto. Sancionado na última sexta-feira (28), o programa prevê R$ 10 bilhões em créditos fiscais de tributos federais para novas plantas de fertilizantes e também estabelece apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor.

Em entrevista ao Valor Econômico, Simpson afirmou que a prioridade da empresa agora é fechar a estrutura financeira necessária para iniciar a construção. O modelo estudado reúne dívida, recursos de investidores, benefícios fiscais e contratos relacionados à infraestrutura do empreendimento.
O executivo também defendeu uma participação maior de instituições públicas no financiamento de projetos de fertilizantes. Para ele, a entrada do BNDES ou de outras entidades apoiadas pelo governo teria peso não apenas pelo volume de recursos, mas pela sinalização aos investidores internacionais de que o projeto conta com respaldo institucional no Brasil.
“Não é tanto o volume do investimento que importa, mas o fato de o governo ter uma participação financeira nesses projetos de fertilizantes. Isso dá conforto aos investidores internacionais de que o projeto é efetivamente apoiado pelo governo brasileiro”, afirmou Simpson.
A Brazil Potash informa já ter mantido conversas com instituições ligadas ao governo, mas não detalhou quais entidades participaram das tratativas nem os valores discutidos.

Produção prevista para 2030
Caso consiga avançar com a captação e cumprir o cronograma de construção, a companhia trabalha com o início da produção comercial no fim de 2030. A capacidade inicial prevista é de 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano, volume equivalente a aproximadamente 17% do consumo brasileiro.
Antes mesmo do início das obras principais, 91% dessa produção já está comprometida em contratos de longo prazo do tipo take or pay. Os acordos, com duração entre dez e 17 anos, envolvem a Amaggi, a suíça Keytrade e a Kimia, que assumiram compromissos de compra de volumes mínimos a preços de mercado.
A estratégia da companhia é concentrar inicialmente o potássio no mercado brasileiro, embora também sejam consideradas exportações para outros países da América Latina e para os Estados Unidos.
Simpson afirma que a produção nacional não significa necessariamente um potássio mais barato ao produtor rural, já que a comercialização continuará seguindo referências de mercado. A aposta está na redução da exposição brasileira às oscilações internacionais, especialmente diante da concentração de parte relevante da oferta mundial em Rússia e Belarus.
Logística entra na conta
Outro ponto utilizado pela Brazil Potash para sustentar a competitividade do empreendimento é o custo de transporte. A estimativa da empresa é que levar o produto de Autazes até produtores de Mato Grosso custe cerca de US$ 53 por tonelada.
O valor seria inferior à metade dos mais de US$ 100 por tonelada calculados para o potássio importado que entra no Brasil por portos como Santos e Paranaguá e depois segue por transporte rodoviário até o Centro-Oeste.
A estratégia logística prevê utilizar no trajeto de retorno as barcaças empregadas atualmente no escoamento de soja, milho e algodão pela região, reduzindo viagens com capacidade ociosa.
Na área de licenciamento, Simpson afirmou que a principal pendência atualmente está relacionada à linha de transmissão de 165 quilômetros prevista para conectar o projeto à subestação de Silves, no Amazonas.
O empreendimento também teve uma decisão judicial favorável neste mês, quando o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido que buscava suspender decisões de instâncias inferiores relacionadas ao aval socioambiental do projeto. Segundo Simpson, o empreendimento não está localizado em terra indígena.
Resumo redes: A Brazil Potash ainda precisa levantar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio (equity) para avançar com o financiamento do Projeto Autazes, empreendimento de US$ 2,5 bilhões planejado para produção de potássio no Amazonas. A necessidade permanece mesmo após a criação de novos incentivos federais para a indústria de fertilizantes e dos benefícios tributários associados à Zona Franca de Manaus.