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# Projeto de terras raras no Amazonas leva mineradora a comprar fábrica na Bahia
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/projeto-de-terras-raras-no-amazonas-leva-mineradora-a-comprar-fabrica-na-bahia/
- Published: 2026-10-05T20:38:14.000Z
- Updated: 2026-10-05T20:38:14.000Z
- Description: Brazilian Critical Minerals (BCM) assumirá 90% da Sais Nordeste, em Feira de Santana (BA), para garantir sulfato de magnésio ao Ema, projeto de terras raras localizado na região de Apuí
- Author: Redação
- Tags: Mineração, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

O projeto de terras raras Ema, desenvolvido no Amazonas pela mineradora australiana Brazilian Critical Minerals (BCM), levou a companhia a buscar na Bahia uma peça importante para a futura operação. A empresa fechou um acordo vinculante, nesta segunda-feira (5), para adquirir 90% da Sais Nordeste Indústria e Comércio, fabricante de sulfato de magnésio instalada em Feira de Santana.

A ligação entre uma fábrica baiana e o empreendimento amazonense está justamente no produto fabricado pela Sais Nordeste. O sulfato de magnésio é o principal reagente previsto pela BCM para o processo de recuperação das terras raras encontradas no Ema, localizado na região de Apuí. Em termos simples, é uma das substâncias necessárias para retirar esses elementos das argilas que formam o depósito mineral.

A operação será feita pela Mineração BBX do Brasil, subsidiária brasileira da BCM. Pelo acordo, a companhia pagará um valor nominal de R$ 1 pelos 90% da empresa, mas o negócio envolve uma operação financeira bem maior: a Sais Nordeste está em recuperação judicial e possui aproximadamente R$ 15,3 milhões em passivos tributários federais e estaduais, além de outras obrigações. A maior parte deverá ser renegociada para pagamento ao longo de dez anos.

A fábrica está com as atividades suspensas desde fevereiro de 2026\. A BCM informou que financiará e acompanhará a reestruturação financeira e operacional da unidade para colocá-la novamente em condições de produzir. A transferência definitiva dos 90% ainda depende do cumprimento das condições previstas no acordo e de aprovações judiciais, regulatórias e societárias. Os atuais sócios permanecerão com os outros 10%.

## **Metade da demanda já na primeira etapa**

A importância da fábrica para o projeto no Amazonas aparece nos números apresentados pela mineradora. A capacidade inicial da unidade de Feira de Santana deverá ser suficiente para fornecer aproximadamente 50% de todo o sulfato de magnésio necessário ao Ema nos primeiros anos de produção.

Com modificações na estrutura da fábrica, a BCM estima que a produção poderá superar 100% da demanda prevista pelo projeto, o que permitiria à própria companhia controlar no Brasil o fornecimento de praticamente todo o reagente utilizado nessa etapa da operação.

A empresa também fechou acordos para obter no mercado brasileiro as matérias-primas usadas para fabricar o sulfato de magnésio. O ácido sulfúrico deverá vir da unidade da Unigel em Camaçari, a cerca de 80 quilômetros de Feira de Santana, enquanto o óxido de magnésio será fornecido a partir da região de Brumado, também na Bahia.

Na avaliação da BCM, montar essa cadeia dentro do país reduz a exposição do Ema a fornecedores estrangeiros, especialmente à China. A mineradora relaciona a decisão ao aumento dos controles chineses sobre exportações ligadas à cadeia de terras raras, incluindo equipamentos, insumos e conhecimento técnico.

> “Antes de podermos fornecer para a emergente indústria de separação e refino de terras raras fora da China, precisamos primeiro garantir que Ema possa produzir MREC de forma confiável”, afirmou Andrew Reid, diretor-executivo da BCM.

## **O que será produzido no Amazonas**

O projeto Ema concentra mineralização de terras raras em argilas de adsorção iônica. A BCM pretende utilizar uma solução com sulfato de magnésio para recuperar esses elementos e, posteriormente, produzir o chamado carbonato misto de terras raras, conhecido pela sigla MREC. Esse material é um produto intermediário que depois segue para etapas de separação e refino.

Entre os elementos presentes no depósito estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores elétricos, geração de energia renovável e outros equipamentos de alta tecnologia. Segundo a atualização mais recente publicada pela própria BCM, o Ema possui recurso mineral estimado em 1,07 bilhão de toneladas, das quais 392 milhões já estão classificadas na categoria indicada, de maior nível de conhecimento geológico.

Resumo redes: A Brazilian Critical Minerals (BCM) assumirá 90% da Sais Nordeste, em Feira de Santana (BA), para garantir sulfato de magnésio ao Ema, projeto de terras raras localizado na região de Apuí. A planta deve atender metade da demanda inicial do empreendimento e poderá superar 100% após ajustes. O negócio inclui a reestruturação de cerca de R$ 15,3 milhões em passivos e busca reduzir a dependência de insumos chineses.