Reforma Tributária lidera preocupações de executivos brasileiros para os próximos três anos, mostra pesquisa

Em pesquisa da EY com 214 executivos no país, 38% apontaram o tema como um dos principais desafios externos para os próximos anos

Mulher de óculos usa notebook em escritório, com tela exibindo sistema de emissão de nota fiscal eletrônica.
Foto: Reprodução

A Reforma Tributária passou a ocupar um espaço central no planejamento das empresas brasileiras. Em pesquisa da EY com 214 executivos no país, 38% apontaram o tema como um dos principais desafios externos para os próximos três anos, acima de fatores como cenário econômico, mudanças no comportamento dos consumidores e riscos próprios de cada setor. A pesquisa foi apresentada pelo site da Revista Eletrolar.

O resultado indica que a transição tributária já deixou de ser tratada apenas como uma obrigação das áreas fiscais. Segundo a EY, as mudanças podem atingir preços, contratos, créditos tributários, capital de giro, sistemas de gestão e a própria organização interna das empresas.

“A Reforma afeta todas as empresas, mas seus impactos não serão iguais. O risco está em tratá-la apenas como uma obrigação fiscal, sem avaliar as consequências sobre precificação, contratos, créditos tributários, capital de giro, dados e arquitetura de ERP”, diz Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina.

A partir de 2026, a entrada da CBS e do IBS nas obrigações e documentos fiscais aumenta a necessidade de trabalho conjunto entre áreas como finanças, comercial, compras, jurídico, tecnologia e tributário. A transição, portanto, passa a envolver decisões operacionais e estratégicas, e não apenas adequação legal.

A pesquisa ouviu 1.988 líderes empresariais em 18 países. No Brasil, depois da Reforma Tributária, aparecem entre as maiores preocupações o cenário econômico global, as mudanças na demanda e no comportamento dos clientes e os riscos específicos de cada setor, todos com 27%.

O cenário econômico local foi citado por 26% dos participantes. A entrada de novos concorrentes e produtos substitutos aparece com 25%, enquanto a incerteza política local foi mencionada por 22%.

Empresas também pressionam por eficiência

Dentro das próprias organizações, o foco está principalmente em produtividade, redução de custos e melhoria das operações. Esses temas foram citados por 35% dos executivos brasileiros.

O crescimento da participação de mercado aparece logo depois, com 31%. Tecnologia e transformação digital somam 29%, enquanto estratégia e transformação dos negócios chegam a 25%. Liquidez, gestão financeira e controles internos foram apontados por 19%.

Para Donato, o desafio está em evitar que a busca por adequação e redução de custos limite os investimentos necessários para crescer.

“Eficiência e crescimento não podem ser tratados como agendas concorrentes. O foco deve migrar para a produtividade estrutural, com simplificação de processos, automação, integração de dados, gestão de fornecedores e realocação de recursos para ofertas e canais de maior retorno”, afirma.

IA já entrou na agenda, mas adoção ainda é desigual

A tecnologia também ocupa espaço importante nas prioridades dos executivos. Inovação, produtividade impulsionada por tecnologia e transformação digital acelerada foram citadas por 86% dos entrevistados.

Quando a pesquisa olha especificamente para tecnologias consideradas mais disruptivas, inteligência artificial avançada e sistemas autônomos lideram, com 89% das menções.

Mesmo assim, o uso da IA ainda varia bastante entre as empresas. Cerca de 31% afirmam já ter implementado a tecnologia em partes específicas do negócio. Outros 28% estão em projetos-piloto ou testes iniciais, enquanto 21% ainda permanecem nas etapas de pesquisa e avaliação.

Análise de dados e Big Data, além de infraestrutura digital e edge computing, aparecem com 79%. Cibersegurança avançada e identidade digital foram mencionadas por 71%.

A preocupação com segurança também cresce junto com a digitalização. Cibersegurança e proteção de dados, assim como o uso de dados de forma integrada na empresa, foram citados por 79% dos executivos. A adaptação a novas regulamentações aparece com 75%.

Para a EY, a expansão tecnológica exige que as empresas também reforcem planos de continuidade, gestão de fornecedores críticos, proteção de dados e mecanismos de recuperação em caso de falhas.

“Escalar IA exige muito mais do que tecnologia, depende de dados confiáveis, integração aos fluxos de trabalho, capacitação das equipes, definição clara de responsabilidades e governança adequada”, pontua Donato.

Resumo redes: Em pesquisa da EY com 214 executivos no país, 38% apontaram o tema como um dos principais desafios externos para os próximos anos, acima de fatores como cenário econômico, mudanças no comportamento dos consumidores e riscos próprios de cada setor.