Renan Santos volta a atacar Zona Franca, diz que Honda tem R$ 16 bilhões em renúncia fiscal, mas número não é confirmado

Candidato do Missão afirma que pretende começar pela ZFM uma revisão das renúncias tributárias federais e questiona a manutenção de fábricas de motocicletas em Manaus

O candidato à Presidência Renan Santos, vestindo paletó azul e camisa branca, durante entrevista em estúdio de televisão.
Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) voltou a defender uma redução das renúncias fiscais concedidas pelo Governo Federal, durante entrevista no programa CNN Eleições, da CNN Brasil, no início do mês. E mais uma vez, Santos colocou a Zona Franca de Manaus entre os primeiros benefícios que pretende revisar e questionou diretamente a permanência da produção de motocicletas no Amazonas.

A proposta foi apresentada dentro de um plano mais amplo de redução das despesas públicas. Renan afirma que pretende cortar R$ 250 bilhões em gastos federais e considera a revisão dos incentivos tributários uma das frentes para alcançar esse objetivo.

Ao tratar especificamente das renúncias concedidas pela União, o candidato afirmou:

“As federais o governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus”.

A declaração reforça uma posição que Renan já havia apresentado anteriormente em outras duas entrevistas contra o atual formato de incentivos da ZFM.

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Honda entra no discurso

A crítica avançou sobre uma das maiores operações industriais instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Renan citou nominalmente a Honda e afirmou que a fabricante teria R$ 16 bilhões em renúncia fiscal ligada à Zona Franca.

“Só uma empresa chamada Honda, na Zona Franca de Manaus, tem R$ 16 bilhões em renúncia fiscal. Isso é um absurdo. Isso cruza qualquer limite. Para fazer moto, eu preciso então gastar R$ 16 bilhões do Estado brasileiro? Só para fazer moto num lugar que não tem que fazer moto?”, declarou.

O valor, porém, foi apresentado pelo próprio candidato. Não há, nas informações divulgadas junto à declaração, documentação oficial que demonstre que os R$ 16 bilhões correspondam especificamente aos benefícios tributários recebidos pela Honda em Manaus.

A crítica não ficou restrita ao tamanho dos incentivos. O candidato também questionou a própria localização das fábricas de motocicletas no Amazonas e defendeu que esse tipo de produção ocorra mais perto dos principais centros consumidores.

“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante. A gente tem que pagar para fingir que está produzindo lá”, disse.

Na prática, a posição apresentada por Renan atinge uma das cadeias industriais mais importantes do PIM. Manaus concentra a produção nacional de motocicletas e reúne, além das montadoras, fabricantes de peças, componentes e outros fornecedores que abastecem o setor.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), 1.458.276 motocicletas foram produzidas de janeiro a agosto deste ano, alta de 9,9% em relação ao mesmo período de 2025. Esse foi o melhor resultado para o período desde 2008, quando foram fabricadas 1.606.230 motocicletas.

Só a Honda, considerada a fábrica mais verticalizada do mundo, produz aproximadamente 7 mil motocicletas por dia. A expectativa da fabricante é fechar o ano com 1,6 milhão de unidades produzidas.

No primeiro semestre, as empresas do PIM faturaram cerca de R$ 121,8 bilhões e mantiveram média mensal de 130.903 trabalhadores.

A Zona Franca reúne cerca de 600 indústrias incentivadas em Manaus. O acesso aos benefícios fiscais é condicionado ao cumprimento de regras industriais e contrapartidas previstas no modelo, que tem sua vigência constitucional assegurada até 2073.

Resumo redes: “Só uma empresa chamada Honda, na Zona Franca de Manaus, tem R$ 16 bilhões em renúncia fiscal. Isso é um absurdo. Isso cruza qualquer limite. Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor”, declarou Santos.