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# Renan Santos volta a defender fim dos incentivos da Zona Franca e chama economia de Manaus de “artificial”. Modelo sustenta 131 mil empregos diretos
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/renan-santos-volta-a-defender-fim-dos-incentivos-da-zona-franca-e-chama-economia-de-manaus-de-artificial-modelo-sustenta-131-mil-empregos-diretos/
- Published: 2026-09-01T12:27:54.000Z
- Updated: 2026-09-01T12:27:54.000Z
- Description: Candidato à Presidência classificou a ZFM como uma “irracionalidade atroz” e afirmou que trabalhadores da indústria poderiam migrar para outros setores; Incentivos do modelo têm proteção constitucional até 2073
- Author: Redação
- Tags: Eleições, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok, #video-contexto, #video-nota-8, #video-ok, #video-auto

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) voltou a defender o fim dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) e endureceu as críticas ao modelo econômico construído na capital amazonense. Durante sabatina promovida pelo *Estadão*, Santos classificou a política de incentivos da região como uma “irracionalidade atroz” e definiu a estrutura criada em Manaus como uma “bolha de uma economia artificial”.

A declaração atinge diretamente um modelo que hoje sustenta cerca de 600 indústrias no Polo Industrial de Manaus (PIM) e mantém aproximadamente 131 mil empregos diretos. Somente no primeiro semestre de 2026, as empresas instaladas no complexo industrial faturaram R$ 121,76 bilhões, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Ao tratar da política de incentivos fiscais no país, Renan Santos afirmou que a Zona Franca seria o exemplo “mais anedótico” desse tipo de mecanismo. Para o candidato, a manutenção do atual sistema não se justificaria economicamente, apesar da estrutura produtiva consolidada em Manaus ao longo de quase seis décadas.

Santos também argumentou que os trabalhadores atualmente empregados pelas fábricas do Polo poderiam ser absorvidos por outras atividades econômicas caso os incentivos fossem retirados. Entre as possibilidades citadas durante a sabatina, mencionou setores ligados à “logística leve”.

Como outra alternativa, o candidato falou na possibilidade de criação de um polo petroquímico entre o Amazonas e o Amapá. Na entrevista, porém, não apresentou estudos, fontes de financiamento, cronograma de implantação ou estimativas de geração de empregos capazes de indicar em que escala essa nova atividade poderia substituir a estrutura industrial atualmente instalada na Zona Franca.

A proposta ganha peso diante da dimensão alcançada pelo PIM, já que o parque fabril reúne os segmentos de eletroeletrônicos, duas rodas, termoplásticos, química, metalurgia, informática e bens de consumo. No primeiro semestre deste ano, o faturamento de R$ 121,76 bilhões superou os R$ 110,8 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

## **Incentivos protegidos até 2073**

Apesar da defesa feita pelo candidato, os incentivos da Zona Franca de Manaus não funcionam como uma renúncia tributária convencional que possa ser eliminada integralmente apenas por decisão do presidente da República.

O regime possui proteção constitucional até 2073\. A prorrogação foi incorporada à Constituição e garante a manutenção da Zona Franca por mais cinco décadas a partir de 2023\. O tratamento diferenciado do modelo também foi considerado na reforma tributária, que criou mecanismos voltados à preservação da competitividade das empresas instaladas na região.

Uma eventual mudança estrutural na Zona Franca, portanto, dependeria de uma discussão política, legislativa e constitucional mais ampla. A retirada dos incentivos, especialmente em uma dimensão capaz de desmontar o atual modelo industrial, não dependeria apenas de uma decisão administrativa do Poder Executivo.

Resumo redes: Candidato à Presidência classificou a ZFM como uma “irracionalidade atroz” e afirmou que trabalhadores da indústria poderiam migrar para outros setores. Incentivos do modelo têm proteção constitucional até 2073.