Riba: montadora de elétricos começa a operar no Polo de Manaus em setembro já planejando 100 mil veículos em três anos
Linha terá capacidade inicial para montar 3 mil veículos por mês, somando ciclomotores e autopropelidos
A Riba Brasil começa a operar neste mês sua própria montadora de veículos elétricos no Polo Industrial de Manaus (PIM), abrindo uma nova fase empresarial que, até agora, esteve concentrado principalmente na locação de motos para trabalhadores de entrega. A linha terá capacidade inicial para montar 3 mil veículos por mês, somando ciclomotores e autopropelidos, mas a ambição da companhia é bem maior: em até três anos, o plano é chegar a 100 mil unidades e transformar os veículos também em produto de venda, deixando de depender apenas do modelo de locação. As informações constam em matéria do Valor Econômico.
A expansão exigirá capital. Nas contas do CEO Carlos Roma, a Riba poderá precisar de cerca de R$ 2 bilhões entre equity e dívida para bancar o crescimento previsto para os próximos anos. A primeira captação deve começar nos próximos meses, com uma tranche de aproximadamente R$ 400 milhões, combinando participação acionária e financiamento.
O conselheiro Marcelo Di Lorenzo, maior investidor da empresa, diz que a intenção não é levantar todo o dinheiro de uma só vez e que o caráter sustentável do projeto pode abrir espaço para linhas diferenciadas.
“Não captaremos tudo de uma vez. Como este é um projeto sustentável, podemos buscar fontes diferenciadas de financiamento, incluindo dívidas subsidiadas e green bonds, com custos mais adequados”, afirma.
A empresa não divulga atualmente faturamento nem resultado financeiro.
A fábrica de Manaus receberá kits CKD (Completely Knock Down) de três fabricantes chineses, estratégia adotada para que a operação não fique dependente de um único fornecedor. Nesse modelo, os veículos chegam desmontados e passam pela etapa final de montagem no país de destino.
Mais adiante, porém, a Riba pretende aumentar a participação de componentes produzidos localmente e planeja investir até R$ 40 milhões em uma nova planta destinada a itens como chassis, movimento que levaria a operação para além da montagem dos kits importados.

Aposta
Além das motocicletas elétricas voltadas a entregadores, a companhia aposta em um tipo de veículo ainda pouco explorado no uso profissional. A Riba define a Ribinha Bairros como um autopropelido desenvolvido para jornadas de trabalho, categoria de mobilidade individual que, dentro das limitações previstas para esse tipo de veículo, dispensa CNH e emplacamento. O modelo tem velocidade limitada a 32 km/h e foi projetado principalmente para deslocamentos de última milha em vias locais, enquanto as motos elétricas enquadradas como ciclomotores exigem habilitação e registro e podem circular normalmente pela cidade.
O desenvolvimento dos veículos levou dois anos e envolveu fabricantes chineses e o CEiiA, centro português de engenharia e inovação. A preocupação da Riba era chegar a um modelo capaz de suportar jornadas muito mais intensas do que as encontradas normalmente entre patinetes, bicicletas e outros autopropelidos voltados ao lazer.
“Os chineses demoraram a entender por que nós precisávamos de um veículo tão resistente, mas nós sabíamos exatamente o que queríamos”, diz Di Lorenzo.
Segundo ele, há mais de 800 mil autopropelidos circulando pelo país, mas boa parte foi desenvolvida para uso recreativo. “Não aguentam duas semanas de uso intenso. Não são resistentes para trabalhar de oito a 10 horas por dia e usam baterias de baixa qualidade”, ressalta o conselheiro.
Antes de chegar à linha de montagem, a Ribinha Bairros foi testada em São Paulo. A empresa também realizou projetos-piloto com suas motocicletas elétricas no serviço de mototáxi da 99, em Belém, e na operação da 99Food em Maringá. A escolha de cidades com condições diferentes fazia parte da estratégia de testar bateria, resistência e desempenho em climas e rotinas distintas.
“Rodamos mais de três milhões de quilômetros e fizemos inúmeras entrevistas com os condutores”, diz Roma, engenheiro mecânico que atua com veículos elétricos desde 2002 e já passou por General Motors, Ford e BYD.
Roma também relaciona o desenvolvimento dos autopropelidos à possibilidade de ampliar o acesso de trabalhadores à mobilidade sem a necessidade imediata de habilitação.
“Há 10 milhões de brasileiros que não trabalham nem estudam, e muitos não têm nem dinheiro para tirar a CNH”, afirma.
A proposta, no entanto, não é colocar esses veículos em qualquer tipo de via. Pela limitação de velocidade e pelas características de segurança, a empresa pretende direcioná-los a ruas locais, deixando de fora marginais e grandes avenidas. Para trajetos maiores e circulação mais ampla, a aposta continuará sendo nas motocicletas elétricas tradicionais.
Nesse mercado, a Riba terá como concorrentes empresas que também mantêm operação industrial em Manaus, como Vammo e Mottu. A primeira também trabalha com motocicletas elétricas, enquanto a segunda ainda opera majoritariamente com modelos a combustão de origem indiana. A chegada da Riba acrescenta mais uma empresa a esse grupo e amplia a presença da capital amazonense na produção de veículos voltados a entregadores e serviços urbanos.
A estratégia nacional também passa pela criação de uma rede de aproximadamente 8 mil pontos de troca de baterias, numa proporção estimada de uma estação para cada 12 motos. A lógica é permitir que o entregador deixe uma bateria descarregada e retire outra já carregada, reduzindo o tempo de parada durante o trabalho. Segundo a companhia, um profissional que percorre 350 quilômetros em um dia pode chegar a utilizar oito baterias. A intenção é levar o sistema para todas as capitais brasileiras e também para grandes cidades como Santos e Campinas.
A estrutura societária da Riba reúne Marcelo Di Lorenzo e outros 19 sócios em uma holding que possui 43% da companhia. Além desse grupo, há quatro acionistas diretos. O fundador, Island Faria Costa, mantém 25% das ações. É com essa composição e com a nova operação em Manaus que a empresa pretende sair de uma atuação concentrada em locação e construir uma operação industrial capaz de abastecer tanto a própria frota quanto o mercado de venda de veículos elétricos.

Resumo redes: Nas contas do CEO Carlos Roma, a Riba poderá precisar de cerca de R$ 2 bilhões entre equity e dívida para bancar o crescimento previsto para os próximos anos. A primeira captação deve começar nos próximos meses, com uma tranche de aproximadamente R$ 400 milhões, combinando participação acionária e financiamento.