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# Samsung quer levar data centers de IA para o mar e já projeta estruturas de 200 MW
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/samsung-quer-levar-data-centers-de-ia-para-o-mar-e-ja-projeta-estruturas-de-200-mw/
- Published: 2026-09-01T21:24:49.000Z
- Updated: 2026-09-01T21:24:49.000Z
- Description: Projeto prevê refrigeração com água do mar e geração própria de energia; Empresa trabalha para levar primeira unidade comercial ao mercado até 2028
- Author: Redação
- Tags: Tecnologia, Samsung, #Instagram-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #video-nao

A Samsung Heavy Industries, uma das maiores fabricantes de navios e estruturas offshore da Coreia do Sul, está desenvolvendo data centers flutuantes capazes de abrigar infraestrutura de inteligência artificial em plataformas marítimas.

A empresa começou com um projeto de 50 megawatts e, no início de agosto, recebeu da American Bureau of Shipping (ABS) uma aprovação preliminar para um modelo quatro vezes maior, de 200 MW, escala já compatível com grandes operações de hyperscalers.

O projeto tenta responder a alguns dos principais gargalos criados pela expansão da inteligência artificial: disponibilidade de energia, necessidade crescente de refrigeração e dificuldade para encontrar locais com infraestrutura suficiente para receber grandes instalações. A proposta da Samsung é transferir parte dessa estrutura para o mar, utilizando água oceânica no sistema de resfriamento e incorporando geração própria de energia à plataforma.

O primeiro modelo, de 50 MW, já havia recebido em abril uma *Approval in Principle (AiP)* da ABS e da britânica Lloyd's Register. A certificação representa uma validação inicial da viabilidade técnica do conceito, mas não significa que a unidade esteja pronta para construção. Em agosto, a Samsung e a ABS avançaram para uma análise mais detalhada desse projeto, enquanto o modelo de 200 MW recebeu sua primeira aprovação preliminar.

A mudança de escala ocorre em um momento de forte aumento no consumo elétrico dos data centers. A Agência Internacional de Energia estima que essas instalações consumiram cerca de 485 terawatts-hora (TWh) em 2025 e podem chegar a aproximadamente 950 TWh em 2030\. A demanda associada especificamente à inteligência artificial deve crescer ainda mais rapidamente, pressionada pela concentração cada vez maior de chips de alta potência nos servidores.

No conceito da Samsung, a própria água do mar seria utilizada para retirar o calor produzido pelos equipamentos por meio de sistemas de troca térmica, sem contato direto da água salgada com os servidores. A plataforma também poderá contar com geração própria de eletricidade, reduzindo a dependência de redes terrestres, que hoje representam um dos principais entraves para a implantação de novos data centers.

A companhia trabalha ainda para transformar a construção dessas instalações em um processo semelhante ao empregado pela indústria offshore. Em vez de erguer toda a infraestrutura em terra, estrutura, sistemas elétricos, refrigeração e parte dos equipamentos poderiam ser integrados no estaleiro e posteriormente levados ao local de operação. A expectativa é reduzir etapas de construção e permitir maior padronização dos projetos.

A operação no mar, porém, cria desafios próprios. Servidores e componentes eletrônicos ficariam sujeitos a vibração, movimentação da plataforma, umidade elevada e salinidade. Para testar a viabilidade dessa infraestrutura, a Samsung firmou uma parceria com a Supermicro, que deverá avaliar o funcionamento de servidores de inteligência artificial em ambientes marítimos, enquanto a fabricante sul-coreana trabalha em sistemas de estabilização e proteção contra sal e umidade.

Outras companhias também participam do desenvolvimento. A ABB atua nos sistemas elétricos e de controle, enquanto a Lloyd's Register trabalha nas etapas de classificação e regulamentação. A grega Capital Clean Energy Carriers participa da avaliação e estruturação de potenciais projetos, e a americana Mousterian Corporation firmou parceria para desenvolver possíveis data centers flutuantes nos Estados Unidos.

A Samsung trabalha com a meta de comercializar seu primeiro data center flutuante até o segundo trimestre de 2028\. Até agora, porém, não foram divulgados clientes nem locais definitivos para a primeira unidade, e o projeto de 200 MW permanece em fase de desenvolvimento e certificação, sem uma estrutura dessa capacidade em construção no mar.

A empresa também não está sozinha nessa corrida. China, Japão e Singapura já desenvolvem projetos marítimos ou submarinos para infraestrutura computacional, com diferentes níveis de maturidade. O movimento mostra que a discussão deixou de se limitar a pequenos experimentos e começa a alcançar escalas compatíveis com grandes operações de inteligência artificial.

Resumo redes: Projeto prevê refrigeração com água do mar e geração própria de energia; empresa trabalha para levar primeira unidade comercial ao mercado até 2028.