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# Split payment: microempresas ficam fora do recolhimento automático de impostos em 2027
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/split-payment-microempresas-ficam-fora-do-recolhimento-automatico-de-impostos-em-2027/
- Published: 2026-08-25T18:38:52.000Z
- Updated: 2026-08-25T18:38:52.000Z
- Description: Novo mecanismo da Reforma Tributária começa a ser adotado de forma gradual no próximo ano e vai separar CBS e IBS diretamente no pagamento das operações
- Author: Redação
- Tags: Tributos, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok, #video-nao

A Reforma Tributária vai mudar também a forma como os impostos chegam aos cofres públicos. A partir de 2027, começa a implementação do split payment, sistema que separa o valor dos tributos no próprio pagamento de uma compra ou serviço. As microempresas, porém, não entrarão no mecanismo nesse primeiro ano.

A medida busca reduzir o impacto da mudança sobre negócios que trabalham com menor disponibilidade de caixa. Ainda não estão detalhados os critérios específicos para definir quais empresas serão consideradas microempresas para essa exclusão, nem por quanto tempo a dispensa continuará valendo.

O split payment está entre as mudanças da Reforma Tributária do Consumo, criada a partir da Emenda Constitucional nº 132/2023\. As regras do novo modelo foram detalhadas pela Lei Complementar nº 214/2025.

A reforma cria dois novos tributos: a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), dividido entre estados, Distrito Federal e municípios.

### Imposto sai antes de o dinheiro chegar à empresa

A principal mudança do split payment está no caminho percorrido pelo dinheiro. Quando uma operação for paga, a parcela referente à CBS e ao IBS será separada e destinada diretamente ao Fisco. O fornecedor ficará com o valor líquido da transação.

Isso significa que a empresa não precisará receber todo o pagamento para somente depois recolher esses impostos. O modelo prevê uma ligação entre os sistemas financeiro e fiscal para fazer essa separação no momento da operação.

A Receita Federal prevê iniciar a implementação em 2027, de forma gradual e facultativa, começando principalmente pelas transações realizadas entre empresas, chamadas de operações B2B. A obrigatoriedade deverá ser introduzida conforme os setores estiverem preparados.

O ano de 2026 será dedicado a testes e adaptação. Nesse período, estão previstas alíquotas de 0,9% para a CBS e de 0,1% para o IBS, mas sem cobrança efetiva nas operações das empresas. O avanço da implementação e as situações em que o mecanismo se tornará obrigatório ainda precisam de regulamentação específica.

### Dinheiro dos impostos deixa de ficar no caixa

A mudança também interfere na administração financeira das empresas. Hoje, existe um intervalo entre o recebimento de uma venda e o momento de pagar determinados tributos. Durante esse período, o dinheiro permanece no caixa e pode ser utilizado temporariamente pela empresa. É o chamado float tributário.

Um exemplo apresentado pelo Marjuhh considera uma empresa que vende R$ 1 milhão por mês e recolhe os impostos 30 dias depois. Nesse cenário, cerca de R$ 200 mil permanecem disponíveis durante um mês antes de serem destinados ao governo. Com o split payment, esse valor deixa de passar pelo caixa da companhia.

Outro desafio deverá aparecer durante a própria transição. Em 2027 e 2028, empresas que já utilizarem o novo mecanismo poderão conviver no mercado com outras que ainda recolhem os impostos pelo modelo anterior. Na prática, isso exigirá o controle de dois fluxos tributários ao mesmo tempo.

### Pix, boleto e outros pagamentos terão adaptações

O split payment depende da integração entre as estruturas fiscais e financeiras para que os impostos possam ser identificados e separados durante a transação.

Nas operações entre empresas feitas por Pix, TED, boleto e TEF, três novos campos deverão ser adicionados às transações. A comunicação será feita por APIs, conectando empresas, prestadores de serviços de pagamento e as plataformas públicas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. A previsão é que as informações sejam processadas em tempo real ou próximo disso.

A dispensa do split payment em 2027 também não elimina a necessidade de preparação das microempresas. A E-Simples Auditoria aponta que negócios menores precisarão rever a emissão fiscal, a integração dos sistemas financeiros e os processos tributários para acompanhar as demais mudanças trazidas pela reforma.

Como a entrada no sistema será gradual, empresas submetidas a regras diferentes poderão operar simultaneamente durante a transição. O cronograma de obrigatoriedade por setor e outras etapas do split payment ainda aguardam regulamentação.