Suframa aprova produção de filé de peixe ligada à Juruá Pescados em Manaus
Projeto atualiza operação já existente; Regras do setor favorecem matérias-primas de origem pesqueira da Amazônia
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) aprovou a atualização do projeto industrial da Processadora de Produtos Amazônicos Ltda., empresa que atua no beneficiamento de pescados em Manaus e está ligada comercialmente à marca Juruá Pescados. A Portaria Suframa nº 2.718, publicada nesta segunda-feira (1º), autoriza a produção de filé de peixe.
O projeto foi classificado pela Suframa como “atualização”, e não como “implantação”, o que significa que a autorização alcança uma operação industrial que já existe. A empresa possui unidade licenciada em Manaus para atividades como beneficiamento, empacotamento, classificação, armazenamento e envasamento de alimentos. O endereço registrado no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), na rua Altemar Dutra, no bairro Tancredo Neves, aparece identificado como Juruá Pescados.
A atividade industrial envolve etapas que vão desde o recebimento e a limpeza do pescado até o corte, preparação do filé, embalagem, conservação e armazenamento. A unidade já possui licença ambiental para beneficiamento, congelamento, classificação, empacotamento e armazenamento de alimentos.
O filé de peixe, no entanto, já aparecia nos planos industriais da companhia. Em março deste ano, o Governo do Amazonas incluiu a classificação fiscal NCM 0304.81.00 no incentivo estadual concedido à Processadora de Produtos Amazônicos para a fabricação de “carne de peixe sem espinha”. A nova portaria acrescenta agora a aprovação da Suframa para a fabricação de filé de peixe dentro do regime federal de incentivos da Zona Franca.
Nesse tipo de projeto, o Processo Produtivo Básico (PPB) funciona de maneira diferente do observado em segmentos tradicionais do Polo Industrial de Manaus (PIM), como eletroeletrônicos ou motocicletas. O PPB é o conjunto mínimo de etapas ou requisitos que uma empresa precisa cumprir para ter acesso aos incentivos da Zona Franca. Para determinados produtos ligados à biodiversidade e ao setor de alimentos, as regras consideram a utilização predominante de matérias-primas originárias da Amazônia Ocidental ou do Amapá, inclusive de origem pesqueira.
A Juruá Pescados também aparece na rede Origens Brasil, iniciativa que conecta empresas a cadeias produtivas ligadas a populações tradicionais da Amazônia. Segundo a plataforma, a empresa compra pirarucu manejado por comunidades extrativistas da região do Solimões. Nesse modelo, o pescado pode passar por etapas de beneficiamento, corte, congelamento e embalagem ainda no Amazonas, antes de seguir para distribuição e venda.
Aberta em Manaus em 2020, a Processadora de Produtos Amazônicos tem como atividade registrada em sua matriz o comércio atacadista de pescados e frutos do mar e capital social informado de R$ 2,25 milhões.
A operação também está ligada a outras frentes de produtos amazônicos. A Cocar & Co., que apresenta a Juruá Pescados em seu portfólio, se define como uma empresa nascida em Manaus e voltada a marcas próprias, parcerias e distribuição de alimentos e bebidas. Além da Juruá, o portfólio divulgado inclui marcas como Uatumã, Panaí e DoRio, além da distribuição de produtos de outras regiões.
A Processadora de Produtos Amazônicos também abriu, em fevereiro de 2026, uma filial em Itacoatiara com o nome fantasia PPA Extratos Amazônicos. A unidade foi registrada para atividades que incluem fabricação de produtos alimentícios, conservas e sucos de frutas, ampliando a atuação da companhia para além do pescado.
Resumo redes: Projeto atualiza operação já existente. Regras do setor favorecem matérias-primas de origem pesqueira da Amazônia.