Super Terminais leva cerca de 4 mil toneladas de estruturas e equipamentos portuários a Itacoatiara para manter logística durante a seca

Entre os equipamentos transportados está um módulo de cerca de 600 toneladas, que leva três guindastes elétricos; Operação Seca envolve R$ 70 milhões

Píer flutuante com três guindastes azuis sendo rebocado no Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões.
Foto: Super Terminais

O Super Terminais iniciou nesta sexta-feira (2) uma nova etapa da Operação Seca 2026, com a saída de parte de sua estrutura portuária de Manaus em direção a Itacoatiara, a cerca de 180 quilômetros da capital. O conjunto soma aproximadamente 4 mil toneladas de infraestrutura e será usado para manter o fluxo de cargas durante as restrições de navegação provocadas pela vazante do Rio Amazonas.

Entre os equipamentos transportados está um módulo de cerca de 600 toneladas, desacoplado do píer em Manaus e rebocado por embarcações. A previsão é que ele chegue ao município em até 24 horas. Segundo a empresa, a estrutura leva três guindastes elétricos, produzidos na Alemanha e adquiridos por R$ 120 milhões. Os guindastes são considerados os primeiros do mundo desse tipo, desenvolvidos para operar em condições de restrição de navegação na Bacia Amazônica.

Os novos guindastes são do modelo Gottwald ESP 10, com capacidade para içar até 125 toneladas, velocidade de até 120 metros por minuto e alcance de lança de 64 metros. Os equipamentos podem operar navios de grande porte, com até 19 fileiras de contêineres, incluindo embarcações da classe Super Post Panamax.

Em Itacoatiara, o sistema permitirá transferir cargas de navios para balsas com menor calado, capazes de continuar a viagem até Manaus quando embarcações maiores não conseguirem avançar. A estratégia busca preservar o abastecimento e o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus (ZFM), evitando uma situação como a registrada na seca de 2023.

Foto: Super Terminais

Capacidade cresce 15% em relação a 2024

Esta será a segunda vez que o Super Terminais utiliza o píer flutuante como alternativa durante uma estiagem. A experiência anterior ocorreu em 2024, ano da pior seca já registrada no Amazonas, quando o transbordo permitiu reduzir os impactos das limitações impostas à navegação.

A operação foi redimensionada para 2026. A capacidade aumentou aproximadamente 15%, saindo de cerca de 2,6 mil movimentos por semana para entre 3 mil e 3,1 mil. De acordo com o diretor-geral do Super Terminais, Marcello Di Gregorio, os ajustes foram feitos a partir do aprendizado obtido na operação anterior, com foco em ganho de eficiência e segurança logística.

"A experiência positiva que tivemos anteriormente nos deu a segurança técnica necessária para repetir e aprimorar essa operação neste ano. Nosso compromisso é não deixar a economia do estado parar. A saída desses módulos para Itacoatiara representa uma resposta logística robusta e imediata para que a indústria e o comércio mantenham seu fluxo de insumos e escoamento regular", ressaltou.

Em 2024, a estrutura instalada em Itacoatiara recebeu 27 navios, movimentou mais de 33 mil contêineres e processou quase 840 mil toneladas de cargas.

Operação mobiliza 210 trabalhadores

A frente montada em Itacoatiara terá 150 funcionários deslocados da operação de Manaus, que permanecerão morando no município enquanto o projeto estiver ativo. Outros 60 trabalhadores do Porto Verde, naturais de Itacoatiara, também serão incorporados às atividades, totalizando 210 profissionais.

Toda a Operação Seca 2026 envolve um investimento de R$ 70 milhões, destinado à estrutura necessária para manter a logística funcionando durante a queda do nível dos rios.

A resposta emergencial não deve se transformar em rotina. O setor enfrenta a terceira estiagem severa em quatro anos e a companhia considera necessária uma solução permanente para a navegabilidade da região. Segundo Marcello Di Gregorio, terminais, armadores e indústrias já vêm adaptando suas operações, mas a recorrência das secas exige medidas capazes de reduzir a dependência de estruturas de contingência a cada novo período crítico.

Resumo redes: Operação envolve um investimento de R$ 70 milhões. A frente emergencial deve receber mais de 200 trabalhadores e operar com capacidade de 3 mil a 3,1 mil movimentos por semana. Em 2024, a mesma solução atendeu 27 navios, movimentou mais de 33 mil contêineres e cerca de 840 mil toneladas. A empresa cobra uma solução permanente para a navegabilidade dos rios.