Super Terminais leva, na sexta (2), estrutura de 600 toneladas a Itacoatiara para reforçar operação logística durante a seca

Módulo será desacoplado do terminal em Manaus e seguirá pelo Rio Amazonas com três guindastes elétricos, dentro da estratégia para manter o abastecimento e o escoamento de cargas do Polo Industrial durante a vazante

Vista aérea de navios cargueiros atracados no terminal portuário do Super Terminais em Manaus, com guindastes verdes.
Foto: Reprodução

O Super Terminais inicia nesta sexta-feira (2), às 8h, uma das etapas mais complexas da Operação Seca 2026: a transferência de um módulo de aproximadamente 600 toneladas de Manaus para Itacoatiara. A estrutura será desacoplada do terminal na capital e transportada pelo Rio Amazonas para reforçar a operação durante o período de restrição à navegação provocado pela queda do nível dos rios.

O módulo levará três guindastes elétricos que integram a estrutura preparada para operar quando grandes navios enfrentam limitações para chegar a Manaus. Segundo o Super Terminais, os equipamentos são os primeiros desse tipo no mundo e foram fabricados na Alemanha. A aquisição representa investimento de R$ 120 milhões.

Os novos guindastes são do modelo Gottwald ESP 10, com capacidade para içar até 125 toneladas, velocidade de até 120 metros por minuto e alcance de lança de 64 metros. Os equipamentos podem operar navios de grande porte, com até 19 fileiras de contêineres, incluindo embarcações da classe Super Post Panamax.

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Pelo peso e pelas dimensões do conjunto, a operação exige planejamento específico para movimentação, desacoplagem e transporte fluvial de centenas de toneladas. A estratégia é permitir que parte da operação portuária seja deslocada para Itacoatiara e, a partir dali, mantenha o fluxo de cargas destinado à indústria amazonense.

Itacoatiara volta a integrar estratégia para a vazante

A transferência retoma uma solução já utilizada pelo Super Terminais em 2024. Quando as condições de navegação dificultam a chegada de navios de maior porte à capital, parte da estrutura flutuante pode ser posicionada em Itacoatiara para receber contêineres e organizar o encaminhamento das cargas para Manaus.

O diretor-geral do Super Terminais, Marcello Di Gregorio, afirma que a estiagem passou a exigir preparação antecipada das operações diante da possibilidade de perda de calado, redução da visibilidade e restrições em diferentes pontos das rotas fluviais.

“Este é um momento especialmente desafiador para o Amazonas. A estiagem e as queimadas já afetam a rotina da população e, com a piora da qualidade do ar, exigem atenção também à saúde. No setor logístico, sabemos que as condições climáticas podem trazer impactos para a navegação, como a redução do nível dos rios, a perda de visibilidade e a dificuldade de movimentação em diferentes trechos”, afirma o diretor.

A operação busca evitar que essas limitações interrompam o abastecimento de insumos e o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), incorporando Itacoatiara como ponto alternativo enquanto persistirem as restrições de navegação.

R$ 650 milhões em infraestrutura e expansão

A preparação para os períodos de seca faz parte de um pacote de aproximadamente R$ 650 milhões investidos pelo Super Terminais nos últimos dois anos em infraestrutura, tecnologia e expansão no Amazonas, segundo reportagem do Jornal do Comércio. Desse total, cerca de R$ 400 milhões foram destinados à operação em Manaus.

Além dos três guindastes elétricos, a empresa ampliou o cais de quatro para seis berços de atracação. Outra frente é uma usina de gás natural para as operações portuárias, com investimento de R$ 30 milhões, desenvolvida em parceria com o Governo do Amazonas e a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás). Segundo a companhia, a substituição do diesel poderá evitar aproximadamente 17 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

No primeiro semestre de 2026, o terminal movimentou 138.035 TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, e projeta superar 300 mil TEUs até o fim do ano. A operação mantém atualmente entre 600 e 700 empregados diretos.

Super Porto Verde reforça presença em Itacoatiara

A outra parcela dos investimentos está concentrada em Itacoatiara, onde o grupo aplica R$ 250 milhões no Super Porto Verde, terminal destinado principalmente à movimentação de grãos e fertilizantes.

O empreendimento ocupará 300 mil metros quadrados, terá píer flutuante de 240 metros, três guindastes elétricos e capacidade para movimentar até 2.100 toneladas por hora. O projeto foi concebido para atender simultaneamente um navio Panamax de até 50 mil toneladas e seis barcaças, com conclusão do transbordo em até 36 horas.

Localizado próximo à confluência dos rios Amazonas e Madeira e a cerca de 175 quilômetros de Manaus, o terminal amplia a presença do Super Terminais no corredor logístico do Arco Norte e reforça Itacoatiara como alternativa operacional para períodos em que a navegação até a capital enfrenta maiores restrições.

Resumo redes: O módulo transportado inclui três guindastes elétricos adquiridos por R$ 120 milhões para ampliar a capacidade portuária. A movimentação integra a Operação Seca 2026, que visa manter o abastecimento e o escoamento de cargas do Polo Industrial de Manaus durante a vazante.