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# Taxa da seca pode voltar em setembro e passar de R$ 9 mil por contêiner
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/taxa-da-seca-pode-voltar-em-setembro-e-passar-de-r-9-mil-por-conteiner/
- Published: 2026-08-26T19:31:18.000Z
- Updated: 2026-08-26T19:31:18.000Z
- Description: Armadores já sinalizam cobrança extra a partir de 5 de setembro; Sobretaxa pode encarecer fretes, pressionar a indústria da Zona Franca e chegar ao preço dos produtos no Amazonas
- Author: Redação
- Tags: Logística, #video-ok, #story-ok, #facebook-ok, #Instagram-ok

A chamada *taxa da seca* pode voltar a pesar sobre a logística do Amazonas a partir de setembro. Empresas de navegação já comunicaram a intenção de retomar a sobretaxa durante o período de estiagem, com cobranças que podem superar R$ 9 mil por contêiner, dependendo do armador e do tipo de carga.

A previsão é de que as cobranças comecem a partir de 5 de setembro.

A taxa é aplicada para compensar custos adicionais enfrentados pelas empresas de navegação quando o nível dos rios cai. Com a redução da profundidade, embarcações podem precisar transportar menos carga por viagem, o que eleva o custo operacional das rotas que atendem Manaus.

A cobrança ganhou força em 2023, durante uma das estiagens mais severas já registradas no Amazonas. Agora, diante da perspectiva de uma nova seca intensa, o tema voltou ao centro das discussões do setor produtivo.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estabeleceu regras para a aplicação desse tipo de sobretaxa. Entre elas está a obrigação de informar os clientes com pelo menos 30 dias de antecedência.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Taxa-da-seca-pode-voltar-em-setembro-e-passar-de-R--9-mil-por-cont--iner-CMA-CGM.jpg)

Foto: CMA CGM

## Impacto Zona Franca

O aumento do frete afeta diretamente as operações de importação e exportação com origem ou destino em Manaus.

Na Zona Franca de Manaus, o custo adicional pode atingir tanto a chegada de insumos utilizados pelas fábricas quanto o escoamento da produção. Como boa parte da movimentação de cargas do estado depende dos rios, uma elevação no preço do transporte tende a se espalhar por diferentes etapas da cadeia.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro, afirma que armadores internacionais já notificam cobranças extras próximas de US$ 2 mil por contêiner.

> “Caso este ano de 2026 se consolide a estiagem que eles estão prevendo, a gente vai ter um custo adicional nos fretes, visto que os armadores internacionais já estão notificando custos extras de até muito próximo a 2 mil dólares por contêiner. E isso, qual o principal reflexo disso no preço, custo de vida do nosso estado?”

A preocupação da entidade é que o custo não fique restrito às empresas de transporte ou às indústrias.

Segundo Loureiro, o comércio terá dificuldade para absorver integralmente o aumento do frete e tende a repassar parte desse valor ao consumidor.

> “Nesse período, o comércio, ele não vai ter como absorver esses custos e ele vai ter que repassar pra população. E lógico, o que muda na vida é que os salários, eles não aumentam, né? Então, o poder de compra diminui. E lógico, isso acaba tendo um grande impacto na em toda a população do estado do Amazonas”.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/Taxa-da-seca-pode-voltar-em-setembro-e-passar-de-R--9-mil-por-cont--iner-Bruno-Loureiro-ACA.jpg)

Bruno Loureiro, presidente da ACA | Foto: Reprodução/Internet

A ACA se posiciona contra uma retomada indiscriminada da taxa da seca.

A entidade defende que qualquer valor adicional cobrado pelas empresas de navegação tenha justificativa e leve em conta os impactos para o comércio, para a indústria e para o consumidor.

Com a possibilidade de uma nova estiagem mais severa, o setor acompanha agora os comunicados das empresas de navegação e a aplicação das regras da Antaq.