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# Terminal no Peru avança com rota pelo eixo Manaus-Iquitos; Projeto prevê receber cargas de Roraima, Mato Grosso e Rondônia com destino ao Pacífico
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/terminal-no-peru-avanca-com-rota-pelo-eixo-manaus-iquitos-projeto-preve-receber-cargas-de-roraima-mato-grosso-e-rondonia-com-destino-ao-pacifico/
- Published: 2026-09-29T17:35:55.000Z
- Updated: 2026-09-29T17:35:55.000Z
- Description: Terminal projetado em Loreto pretende integrar transporte fluvial, armazenagem e serviços navais em uma rota entre Brasil e Peru
- Author: Redação
- Tags: Logística, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

A empresa peruana Pialze Oriente S.A.C. avançou no projeto de um novo terminal portuário no departamento de Loreto com a proposta de transformar Iquitos (capital de Loreto) em um ponto de conexão entre áreas produtoras da Amazônia brasileira e os portos peruanos do Pacífico. A iniciativa recebeu Viabilidade Técnica Temporária da Autoridade Portuária Nacional do Peru (APN), etapa preliminar que permite avaliar as condições técnicas necessárias ao desenvolvimento da infraestrutura.

O Terminal Portuário Pialze Oriente (TPPO) foi concebido para captar cargas procedentes principalmente de Roraima, Mato Grosso e Rondônia, utilizando o sistema fluvial amazônico como parte de uma rota até o território peruano e, posteriormente, aos corredores que levam à costa do Pacífico. A estratégia busca criar uma alternativa para produtos brasileiros destinados ao mercado internacional, inclusive países asiáticos, hoje atendidos também por rotas que seguem pelo Atlântico.

A proposta contempla a movimentação de grãos, soja, proteína animal e insumos destinados à atividade agroindustrial. Segundo informações divulgadas pela empresa, uma primeira experiência já foi realizada neste ano: 2 mil toneladas de torta de soja saíram de Roraima e chegaram ao Peru pelo eixo fluvial Manaus-Iquitos.

A operação piloto serviu para testar o uso dos rios amazônicos no transporte de cargas brasileiras até o território peruano. A intenção da Pialze Oriente é transformar movimentos desse tipo em parte de um corredor comercial de maior escala, caso as próximas etapas do projeto e as conexões logísticas previstas sejam concretizadas.

## Rota também é pensada no sentido Peru-Brasil

O corredor não foi desenhado apenas para levar mercadorias brasileiras ao Pacífico. A empresa prevê uma operação bidirecional, aproveitando também fluxos originados no Peru e destinados ao mercado brasileiro.

Entre os produtos citados estão os fosfatos produzidos no norte peruano por operações vinculadas à norte-americana Mosaic e à japonesa Mitsui & Co., ativos que anteriormente estiveram nas mãos da brasileira Vale. Parte dessa produção já tem o Brasil como destino.

A possibilidade de movimentação nos dois sentidos é um dos elementos usados pela companhia para sustentar a viabilidade de uma estrutura que reúna diferentes tipos de carga e amplie as alternativas logísticas para regiões produtivas próximas à Amazônia.

## Terminal terá 50 hectares e profundidade natural de cerca de nove metros

O TPPO está projetado para uma área de 50 hectares, localizada águas abaixo de Sinchicuy, nas proximidades de Iquitos. Segundo a Pialze Oriente, o local possui acesso direto ao sistema fluvial amazônico e profundidade natural aproximada de nove metros durante o período de vazante.

A infraestrutura deverá reunir atividades de recepção, armazenamento e transferência de mercadorias. O projeto também prevê instalações destinadas ao apoio das embarcações que operam pelos rios da região.

A Pialze Oriente informou ainda possuir licença para operar estaleiro e varadouro. Com isso, o complexo deverá incorporar serviços de manutenção e atendimento naval, concentrando em uma mesma área operações portuárias, logísticas e de suporte às embarcações.

A estratégia é reduzir etapas no manuseio das cargas e, ao mesmo tempo, atender necessidades dos barcos que percorrem o sistema hidroviário amazônico.

## Rio Napo pode abrir conexão com o Equador

A localização do terminal também é considerada estratégica para uma futura integração com o Equador. O projeto prevê a possibilidade de conexão fluvial por meio do Rio Napo, navegável entre a Amazônia equatoriana e o sistema hidrográfico peruano, que posteriormente se conecta ao Rio Amazonas.

Esse desenho ampliaria o papel de Iquitos como ponto de intercâmbio de mercadorias entre Peru, Brasil e outros mercados da Bacia Amazônica, adicionando um terceiro país à rede logística pretendida pela empresa.

A proposta, portanto, vai além da construção de uma instalação portuária isolada. O objetivo é utilizar a posição de Loreto dentro da malha hidroviária amazônica para organizar fluxos de carga que possam seguir tanto em direção ao interior do continente quanto aos portos do Pacífico.

## Próxima etapa ainda depende de avaliações

A Viabilidade Técnica Temporária concedida pela Autoridade Portuária Nacional não representa a autorização definitiva para implantação do terminal. De acordo com a Sociedade Nacional de Indústrias, entidade da qual a Pialze Oriente é associada, o documento constitui uma etapa prévia do desenvolvimento portuário e permite prosseguir com a avaliação técnica da proposta.

A partir dessa autorização, a empresa poderá continuar os estudos e procedimentos necessários para definir o desenvolvimento do TPPO em Loreto.

Resumo redes: Terminal projetado no departamento de Loreto pretende integrar transporte fluvial, armazenagem e serviços navais em uma rota entre Brasil e Peru. Uma operação piloto já levou 2 mil toneladas de torta de soja de Roraima pelo eixo Manaus-Iquitos, enquanto o projeto prevê fluxos nos dois sentidos e conexão futura com o Equador.