Valgroup lidera setor de plásticos e embalagens com receita de R$ 7,6 bilhões. Companhia amplia presença em Manaus

Compra da operação de tampas da Innova amplia presença da fabricante no PIM; Companhia chegou ao topo do Valor 1000 após crescer, em média, 16,2% ao ano desde 2021

Bobinas de filmes plásticos coloridos e transparentes organizadas em prateleiras metálicas dentro de uma fábrica.
Foto: Divulgação

A Valgroup chegou à liderança do setor de plásticos e borracha no ranking Valor 1000 após encerrar 2025 com receita líquida de R$ 7,61 bilhões e crescimento médio de 16,2% ao ano nos últimos cinco anos. O desempenho ocorre em meio a uma expansão que também alcançou Manaus: em junho deste ano, a companhia anunciou a compra da operação de tampas da Innova na capital amazonense, ampliando sua presença no mercado de bebidas e fortalecendo a atuação nas regiões Norte e Nordeste.

A operação em Manaus faz parte de uma sequência de aquisições realizadas pela fabricante nos últimos anos. Em 2022, a Valgroup comprou, na Itália, a NuovaPlast, fabricante de preformas PET, e a recicladora 3R. Um ano depois, incorporou o grupo italiano Garda Plast, também voltado à produção de preformas, enquanto no Brasil avançou no segmento de tampas com a Mirvi. Depois desse ciclo, a empresa passou três anos integrando negócios que ainda operavam com marcas, processos e sistemas próprios.

A integração foi concluída em 2025 e passou a pesar diretamente na rentabilidade. Além dos R$ 7,61 bilhões em receita líquida, a Valgroup fechou o ano com margem Ebitda de 23,6% e retorno de 22,8% sobre o patrimônio líquido médio.

“Reunimos, sob uma estrutura única, empresas que antes operavam de forma independente, cada uma com sua própria marca, processos e sistemas. Isso gerou importantes sinergias, reduziu custos e aumentou a eficiência da organização”, afirma Carlo Bergamaschi, diretor-executivo da companhia.
Unidade da Valgroup em Manaus | Foto: Suframa

Agora, a prioridade deixou de ser apenas crescer por aquisições e passou a incluir maior produtividade sobre a estrutura já montada. Automação e inteligência artificial entram nessa nova etapa, principalmente na automatização de processos e na análise de grandes volumes de dados. A empresa ainda não informa quanto essas ferramentas já acrescentaram à produtividade, mas reconhece que a principal dificuldade está menos no acesso à tecnologia e mais em incorporá-la à rotina das equipes.

A Valgroup atua em seis países e aponta Estados Unidos e Europa como mercados prioritários para a expansão internacional. No Brasil, apesar da preocupação com juros, custo de capital e cenário fiscal, Bergamaschi afirma que não há previsão de retração dos aportes em 2027.

“Continuaremos investindo no país, mas hoje nossas decisões de alocação de capital consideram uma estratégia global”, diz.

Reciclagem também ganhou peso

Hoje, a Valgroup afirma reciclar volume equivalente a 23,7% de tudo o que produz e pretende chegar a 100% até 2040. Desde 2009, as iniciativas da companhia teriam evitado a emissão de mais de 8 milhões de toneladas de CO2. A empresa também desenvolveu, ao lado da Dow e do Movimento Circular, uma embalagem para café projetada para reciclagem e testou a solução em linhas de envase já existentes.

A pressão por eficiência ocorre em um setor que movimenta cifras cada vez maiores. O valor da produção brasileira de transformados plásticos saltou de R$ 97,2 bilhões para R$ 165,8 bilhões em quatro anos, avanço nominal de 70,5%, segundo a Abiplast. Para 2026, a entidade estima faturamento de R$ 168 bilhões e crescimento de 2% na produção, enquanto os investimentos previstos até 2027 somam R$ 31,7 bilhões.

Energia está no radar

Desde janeiro deste ano, as operações brasileiras da Valgroup são abastecidas integralmente por fontes renováveis, segundo a companhia, que também elevou em 36% a geração própria ao ampliar sua participação em ativos solares. Para uma indústria de consumo intensivo de eletricidade, a estratégia busca reduzir exposição às oscilações de preços e aumentar a previsibilidade dos gastos.

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