Vazante dos rios em Manaus e Itacoatiara supera ritmo de 2023, alerta Marinha. Dnit soma mais de R$ 500 milhões investidos em frentes de dragagem

Governo Federal aponta as concessões hidroviárias como uma alternativa de médio prazo para ampliar a manutenção e o monitoramento das rotas navegáveis

Vazante dos rios em Manaus e Itacoatiara supera ritmo de 2023, alerta Marinha. Dnit soma mais de R$ 500 milhões investidos em frentes de dragagem
Foto: Cieam/Redes Sociais

A aceleração da vazante dos rios no Amazonas voltou a acender o alerta sobre a logística regional e o abastecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM). Durante o 12º Fórum de Logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), realizado nesta quinta-feira (3), representantes da Marinha, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e do Ministério de Portos e Aeroportos apresentaram as medidas em andamento para manter a navegação e discutiram soluções de longo prazo para as hidrovias.

Segundo o capitão de Mar e Guerra André Lysâneas Teixeira Carvalhaes, da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, o ritmo de descida dos rios observado em agosto nas réguas de Manaus e Itacoatiara ficou acima do registrado em 2023, ano que terminou com uma das secas mais severas já enfrentadas pela região. Diante do cenário, a Marinha passou a trabalhar preventivamente com projeções mais críticas para orientar empresas e operadores da navegação.

“Ainda vivemos em um campo de incertezas em relação ao que vai acontecer na estiagem. Tivemos um ritmo de vazante no mês de agosto para as réguas de Manaus e Itacoatiara com intensidade acima da de 2023, o que nos obrigou a emitir comunicados balizados no pior cenário para que a indústria e os armadores pudessem se planejar. A chegada da draga hopper e a cooperação institucional nos dão esperança de mitigar as paralisações, mas a Amazônia precisa com urgência de investimento em pesquisa e dados de longo prazo para não vivermos apenas apagando incêndios a cada seca”, disse.

Enquanto o comportamento dos rios é monitorado, o Dnit mantém quatro contratos de dragagem no Amazonas e soma mais de R$ 500 milhões em investimentos em carteira nessas frentes. Uma das principais operações envolve a draga do tipo hopper já instalada em Itacoatiara, com previsão de retirada de 1,8 milhão de metros cúbicos de sedimentos.

“Hoje nós temos quatro contratos de dragagem no estado do Amazonas e mais de meio bilhão de reais em investimentos em carteira somando essas frentes. A draga hopper já está instalada em Itacoatiara para operar no trecho com previsão de 1,8 milhão de metros cúbicos dragados, um aprendizado que nos permitiu adequar o equipamento à necessidade da navegação de longo curso. Cada centímetro que o rio desce afeta o frete, a geração de empregos e o desenvolvimento do país, por isso atuamos fortemente para manter os rios navegáveis”, afirmou o diretor de Infraestrutura Aquaviária do Dnit, Edme Tavares de Albuquerque Filho.

As intervenções buscam preservar a trafegabilidade em pontos considerados críticos dos rios Amazonas, Solimões e Madeira, reduzindo o risco de interrupções no transporte de insumos e produtos destinados ao Polo Industrial de Manaus e ao abastecimento do Estado durante o período de estiagem.

Foto: Cieam/Divulgação

Governo defende concessões hidroviárias

Além das ações emergenciais, o Governo Federal aponta as concessões hidroviárias como uma alternativa de médio prazo para ampliar a manutenção e o monitoramento das rotas navegáveis. Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, a capacidade de investimento público é limitada diante de uma malha superior a 20 mil quilômetros navegáveis no país.

“O setor hidroviário carrega uma dívida histórica perante o país, e só nesta gestão devemos alcançar quase R$ 2 bilhões em investimentos. Contudo, devido aos limites orçamentários do Estado brasileiro para atender a mais de 20 mil quilômetros navegáveis, defendemos no médio prazo o modelo de concessões hidroviárias. O objetivo é trazer operadores privados com contratos longos que assegurem manutenção e monitoramento 24 horas, o que reduz o custo do frete pela previsibilidade operacional. Queremos construir essa agenda ouvindo e convencendo a sociedade e o setor produtivo local”, ressaltou o secretário nacional.

O Fórum de Logística do Cieam foi mediado pelo coordenador da Comissão de Logística da entidade, Augusto César Barreto Rocha, e contou ainda com a participação do presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, além de representantes do Dnit, da Marinha do Brasil e do Ministério de Portos e Aeroportos.

Resumo redes: Durante o 12º Fórum de Logística do Cieam, realizado nesta quinta-feira (3), representantes da Marinha, do Dnit e do Ministério de Portos e Aeroportos apresentaram as medidas em andamento para manter a navegação e discutiram soluções de longo prazo para as hidrovias. Governo Federal defende concessões hidroviárias.