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# ZFM vai até 2073. O desafio agora é depender menos dos incentivos, diz secretário
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/zfm-vai-ate-2073-o-desafio-agora-e-depender-menos-dos-incentivos-diz-secretario/
- Published: 2026-08-13T21:25:36.000Z
- Updated: 2026-08-13T21:25:36.000Z
- Description: Gustavo Igrejas defende que as próximas décadas sejam usadas para diversificar a economia, aproximar indústria, tecnologia e biodiversidade e tornar o modelo menos dependente dos benefícios fiscais
- Author: Redação
- Tags: Zona Franca, Gustavo Igrejas, Sedecti, FIEAM, PIM, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok, #Linkedin-ok

A Zona Franca de Manaus (ZFM) tem seus incentivos garantidos constitucionalmente até 2073\. São mais 47 anos pela frente, mas, para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, o Amazonas precisa aproveitar esse tempo para preparar uma economia que dependa cada vez menos desses benefícios.

A avaliação foi feita nesta quinta-feira (13), durante encontro promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) com empresários, investidores e representantes do setor produtivo que estão em Manaus para conhecer o modelo Zona Franca.

> “A Zona Franca está garantida até 2073 e eu gostaria muito que até lá a gente tivesse cada vez menos dependência dos incentivos fiscais. E o nosso diferencial é a utilização da biodiversidade mais rica do planeta”, afirmou Igrejas.

A ideia defendida pelo secretário não é abandonar os incentivos que sustentam a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM), mas aproveitar as próximas décadas para desenvolver outras vantagens capazes de fortalecer a economia amazonense.

Entre os caminhos apresentados estão a biodiversidade, pesquisa e desenvolvimento, agroindústria, logística, desenvolvimento de novos produtos e maior integração entre conhecimento científico e a indústria já instalada no Estado.

## Da biodiversidade para a indústria

É justamente na biodiversidade amazônica que Igrejas enxerga uma das principais oportunidades para esse próximo passo.

A proposta apresentada durante o encontro passa por transformar recursos e conhecimento da região em produtos e insumos com maior valor agregado, aproximando pesquisa, tecnologia e indústria.

Nesse cenário, o PIM continuaria sendo uma importante base industrial, mas poderia incorporar cada vez mais produtos desenvolvidos localmente e tecnologias relacionadas às características da Amazônia.

> “O ideal seria que um dia, ainda que distante, conseguíssemos que o PIM fosse uma forte base industrial mundial, com desenvolvimento de produtos locais e com uma infraestrutura que permitisse que o mesmo se tornasse um centro exportador de produtos e tecnologias”, ressaltou o secretário.

Igrejas também fez um panorama das transformações da Zona Franca desde sua criação e defendeu que a discussão sobre o modelo deixe de lado antigos estigmas.

Entre as características atuais do modelo destacadas pelo secretário estão a produção verticalizada, a formação de mão de obra especializada, o surgimento de *clusters* industriais e a contribuição da atividade econômica para o desenvolvimento urbano e a preservação da floresta.

Ao mesmo tempo, a dependência tecnológica e a forte concentração das vendas no mercado interno ainda aparecem entre os desafios que precisam ser enfrentados.

## PIM continua no centro da estratégia

A discussão sobre diversificação acontece sem tirar o atual parque industrial do centro da estratégia econômica do Amazonas.

Durante o encontro, a Fieam apresentou a Zona Franca como uma plataforma para atração de novos investimentos. O presidente da entidade, Antonio Silva, destacou que os incentivos continuam sendo um dos principais instrumentos para trazer empresas ao PIM, especialmente os benefícios estaduais relacionados ao ICMS e os incentivos federais administrados no âmbito da Suframa.

> “O grande atrativo mesmo é o imposto ICMS, é o do governo do Estado do Amazonas”, disse.

Silva também disse que o setor industrial pretende disputar novos investimentos interessados em instalar operações no Estado.

> “Nós não vamos perder nenhuma implantação de nenhuma fábrica que queira se instalar aqui no nosso Polo Industrial de Manaus”, declarou.

Os números apresentados no encontro ajudam a dimensionar o tamanho dessa estrutura. Segundo os dados utilizados por Igrejas, o PIM registrou faturamento de US$ 19,3 bilhões entre janeiro e maio de 2026\. A média anual de mão de obra chegou a 132.075 trabalhadores em 2025.

Para o secretário, o volume de empregos chama atenção principalmente diante do nível crescente de automação dentro das fábricas.

> “Esse número que nós temos hoje, 132 mil pessoas, é extremamente relevante, dado ao grau de automação que existe nas empresas”, avaliou.

Assim, o caminho apresentado para as próximas décadas combina duas frentes: preservar a força industrial construída a partir da Zona Franca e, paralelamente, desenvolver novas atividades capazes de dar ao Amazonas outras vantagens competitivas.