BYD é 1º lugar em emplacamentos de ônibus elétricos no Brasil. Manaus fornece componentes estratégicos
Fabricante chinesa foi responsável por 74% dos emplacamentos de julho no país
A liderança da BYD no mercado brasileiro de ônibus elétricos passa por um endereço que muitos ainda nem imaginam: Manaus. Enquanto a fabricante chinesa respondeu por 74,16% dos ônibus elétricos emplacados no Brasil em julho, com 66 dos 89 veículos licenciados no mês, é no Polo Industrial de Manaus (PIM) que são produzidos os módulos de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) que equipam esses veículos antes da montagem final em Campinas (SP).
Na prática, cada novo ônibus elétrico da BYD que entra em circulação pelo país carrega um componente estratégico fabricado na Zona Franca de Manaus.
Os dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que o mercado continua em expansão. Entre janeiro e julho deste ano, foram licenciados 678 ônibus elétricos, alta de aproximadamente 44% em relação às 471 unidades registradas no mesmo período de 2025.
Apesar disso, julho apresentou uma desaceleração natural, com 89 emplacamentos, contra 278 em junho e 160 em julho do ano passado. A queda, segundo o próprio comportamento do mercado, está ligada ao calendário de entrega de grandes contratos, comum no segmento de transporte coletivo elétrico.
Mesmo com o recuo mensal, a BYD terminou julho muito à frente das concorrentes. A Induscar (Caio + Eletra) ficou com 20 unidades (22,47%), enquanto a Mercedes-Benz registrou apenas três veículos.
Manaus ganha protagonismo na estratégia da BYD
Se Campinas monta os chassis, Manaus ajuda a fornecer um dos componentes mais valiosos do veículo: a bateria.
Para acompanhar o crescimento da demanda, a BYD está investindo até R$ 60 milhões para expandir a produção dos módulos de fosfato de ferro-lítio destinados aos ônibus elétricos fabricados na unidade paulista.
O investimento se soma a outro projeto ainda maior em estudo pela companhia. Recentemente, a BYD anunciou que avalia aplicar até R$ 500 milhões na produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, e Manaus aparece entre as principais candidatas para receber o empreendimento. A expectativa é que a decisão seja tomada até setembro, após análises de viabilidade e da regulamentação do setor.
A possível expansão ganhou força após o governo federal definir as regras do primeiro leilão brasileiro voltado a sistemas de armazenamento de energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN). O novo mercado deve movimentar bilhões de reais nos próximos anos, ampliando a demanda por tecnologias de armazenamento e fortalecendo ainda mais a posição estratégica de Manaus.
O investimento faz parte da estratégia de nacionalização da companhia, que pretende elevar para 50% o conteúdo nacional de seus veículos até 2027. A ideia é ampliar a fabricação de componentes considerados estratégicos dentro do Brasil, reduzindo a dependência de importações.
Inaugurada em 2020, a planta de Manaus foi concebida já com espaços para futuras expansões.
Crescimento continua, mas em ritmo irregular
No acumulado de janeiro a julho, a liderança do mercado ainda pertence à Induscar (Caio + Eletra), com 244 ônibus emplacados e participação de cerca de 36%.
A BYD aparece em segundo lugar, com 175 unidades (25,81%), seguida pela Mercedes-Benz, com 116 veículos.
O desempenho mensal, porém, mostra que a fabricante chinesa vem ganhando espaço rapidamente, impulsionada principalmente pela entrega de grandes lotes. Um dos marcos deste ano foi o fornecimento de 265 ônibus elétricos para a cidade de São Paulo, a maior entrega da história da empresa no Brasil. Boa parte dessa frota utiliza módulos de baterias produzidos na fábrica da BYD em Manaus.
A aposta na operação amazonense não é recente: entre 2024 e 2025, a empresa anunciou expansões na unidade do Polo Industrial de Manaus, incluindo novos projetos, como a produção de módulos Blade Battery, nova linha de barramentos (busbars) e fornecimento de componentes para as operações em Camaçari (BA).
A própria Fenabrave destaca que o mercado de ônibus elétricos ainda depende da execução de grandes contratos públicos e privados. Por isso, oscilações entre um mês e outro são consideradas naturais. O que chama atenção é outra tendência: o crescimento de quase 44% no acumulado do ano confirma que a eletrificação do transporte coletivo segue avançando e que Manaus ocupa um papel cada vez mais estratégico nessa transformação.