Caldeirada no copo? Startup de Manaus transforma tambaqui em refeição instantânea

Amazon Porridge leva a lógica do alimento instantâneo para um dos pratos mais tradicionais do Amazonas e ainda desenvolve novos mingaus e uma ração militar com ingredientes amazônicos

Copo de caldeirada de tambaqui instantânea da Amazon Porridge, com peixe e legumes visíveis
Foto: Divulgação

O mingau amazônico foi só o começo. Depois de transformar a receita encontrada nas ruas de Manaus em um produto instantâneo, a Amazon Porridge resolveu partir para um desafio bem diferente, e salgado. A startup manauara prepara uma caldeirada de tambaqui pronta para consumo, com previsão de chegar ao mercado em meados de dezembro deste ano.

A ideia é aplicar ao tambaqui a mesma lógica que colocou o mingau da empresa nas prateleiras: pegar um alimento fortemente associado à cultura e à mesa amazônica e encontrar uma maneira de fazê-lo durar mais e ficar pronto em pouco tempo.

Dessa vez, porém, a empresa sai dos sabores doces e entra de vez no universo das refeições salgadas. A caldeirada está sendo desenvolvida em versão de copo e faz parte de uma nova linha que a Amazon Porridge pretende colocar no mercado.

E ela não vem sozinha.

Enquanto trabalha no novo produto à base de tambaqui, a startup também finaliza duas novas versões do mingau instantâneo: arroz com coco e uma opção caramelizada. Segundo Costa, os produtos estão na etapa final de testes de validade antes da comercialização.

As novidades foram reveladas pelo fundador e CEO da empresa, Vanilson Costa, em entrevista ao jornalista Márcio Azevedo, no programa Primeira Onda, da Rede Onda Digital, nesta quinta-feira (13). As informações foram compiladas pelo portal Tech Amazônia.

Vanilson Costa | Foto: Divulgação

E tem comida amazônica até para ração militar

Outra frente pode levar a Amazon Porridge para um mercado completamente diferente daquele das prateleiras de supermercados.

A empresa trabalha no desenvolvimento de uma ração militar feita com produtos amazônicos, aproveitando ingredientes da região para formular alimentos voltados ao consumo em operações.

O projeto também conversa com a própria trajetória de Costa. Antes de entrar no setor de alimentos, o empresário, que é ex-militar das Forças Especiais do Exército, tentou empreender justamente no segmento militar, com a fabricação de itens como coletes e fardamentos.

O negócio não prosperou naquele momento por uma dificuldade que ele encontrou em Manaus: mão de obra especializada para esse tipo de produção.

Foi preciso mudar completamente de setor até chegar ao produto que daria origem à Amazon Porridge.

Tudo começou com um copo de mingau numa padaria

Natural de Goiás, Costa chegou ao Amazonas em 2004 durante uma operação militar e passou a morar definitivamente em Manaus no fim de 2009.

Anos mais tarde, já incubado na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), trabalhava em um projeto de fintech verde para comercialização de créditos de carbono. A mudança de rumo veio quando apareceu um edital direcionado a produtos da bioeconomia.

Ele precisava encontrar um produto físico.

A resposta apareceu onde talvez menos esperasse: no balcão de uma padaria próxima à incubadora.

Ao olhar para um copo de mingau, Costa associou aquele alimento aos tradicionais vendedores que circulavam pelo Centro de Manaus durante a tarde. A percepção foi simples: havia ali um produto conhecido pelo amazonense, mas ainda preso ao consumo imediato e à produção artesanal.

“Naquele momento, chegou na minha percepção que o mingau era um produto tradicional. Era três horas da tarde, e eu lembrei que era o horário que os mingauzeiros andavam lá no centro com um carrinho vendendo mingau”, recordou.

A pergunta passou a ser como colocar aquela tradição dentro de uma embalagem, aumentar sua validade e manter um preparo simples.

Para chegar à fórmula, o empreendedor buscou primeiro a ajuda da filha, que estudava engenharia de alimentos, depois de uma nutricionista e, posteriormente, do laboratório de alimentos funcionais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Da sequência de testes saiu a combinação que hoje reúne ingredientes como castanha, leite, farinha de tapioca e banana frita.

Foto: Divulgação

De uma ideia na padaria para 10 mil copos por dia

A operação ganhou escala.

Hoje, a Amazon Porridge funciona em um galpão de 1,2 mil metros quadrados no bairro Alvorada, em Manaus, e tem capacidade instalada para fabricar até 10 mil copos de mingau instantâneo por dia.

A estrutura também consegue produzir diariamente 10 mil sachês de um quilo destinados à alimentação escolar.

São 14 empregos diretos dentro da fábrica, além da cadeia de produtores familiares e extrativistas envolvida no fornecimento das matérias-primas utilizadas pela empresa.

No varejo, o mingau já pode ser encontrado em supermercados, frutarias e outras redes de Manaus. O preço sugerido fica na faixa de R$ 10,90 a R$ 11, embora possa chegar a cerca de R$ 14, dependendo do estabelecimento. No atacado, a comercialização ocorre em caixas com 28 copos.

Segundo Costa, a startup já chegou ao breakeven (o ponto em que as receitas cobrem os custos da operação) e agora trabalha para crescer. Uma das próximas fronteiras é justamente fora do Brasil: a empresa já possui embalagem preparada em inglês de olho no mercado internacional.

Cada copo do mingau instantâneo tem aproximadamente 13 gramas de proteína, segundo as informações apresentadas durante a entrevista. Costa também aponta o perfil funcional do alimento como uma das características que vêm atraindo consumidores.

“Tem pessoas que precisam de um tipo de alimento como o nosso, porque têm comorbidades, têm pessoas celíacas. O mingau tem uma função, ele é um alimento funcional”, afirmou.