Como a Yamaha vem redesenhando sua operação por meio da agenda ESG
Investimentos em capacitação, eletrificação e eficiência energética no segmento náutico fazem parte da estratégia de sustentabilidade da gigante japonesa
A busca por práticas mais sustentáveis deixou de ser diferencial e passou a ser um fator estratégico no setor automotivo. No Brasil, a Yamaha Motor tem reforçado esse movimento com metas ambientais ambiciosas e iniciativas que vão da produção industrial à logística e à capacitação de motociclistas.
Signatária da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, a companhia estabeleceu como objetivos alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e garantir o tratamento ambientalmente adequado de 100% dos resíduos sólidos industriais até 2035. “A adesão ao Pacto Global reforça nosso compromisso com metas de longo prazo, que envolvem não apenas o meio ambiente, mas também impacto social e governança”, afirma Rafael Lourenço, gerente de Relações Institucionais da Yamaha.
Na prática, parte relevante dessas ações já está em curso. Na fábrica de motocicletas e motores de popa em Manaus (AM), a empresa já consolidou iniciativas de economia circular. Desde 2018, não envia resíduos ao aterro municipal. Atualmente, 92% dos resíduos industriais são tratados internamente ou com parceiros externos. Outro exemplo é a adoção de racks retornáveis no transporte de motocicletas, que já evitou a geração de mais de 46 mil toneladas de resíduos desde sua adoção em 2014.
No pilar social, a empresa mantém programas voltados à segurança viária e à capacitação de jovens. A Yamaha Riding Academy, presente no Brasil desde 1994, intensificou suas atividades nos últimos anos. “Levamos muito a sério a questão da segurança viária. A Yamaha tem uma escola de condução, a Yamaha Riding Academy, e todos os anos realizamos treinamentos práticos e teóricos, além de palestras que contribuem para o aperfeiçoamento e a capacitação de motociclistas. São atividades que impactam mais de 20 mil motociclistas por ano”, destaca Lourenço.
Ainda no campo social, outro bom exemplo é a Oficina Escola Mecânica de Motocicletas, em Manaus, que capacitou cerca de 700 jovens, muitos deles hoje empregados na própria empresa.
Náutica investe em motores elétricos e eficiência energética
A estratégia de sustentabilidade também passa pela diversificação de produtos. No segmento náutico, a empresa lançou no Brasil, em 2025, motores elétricos de popa da marca Torqeedo, com foco em redução de emissões durante o uso e conectividade. “A eletrificação é um processo natural que acontece em todos os veículos que usam motorização. Mas, assim como nos automóveis, por exemplo, existe a barreira inicial relacionada ao alto custo de aquisição. Ao longo do tempo, pode-se neutralizar esse custo, pois se trata de um motor com baixas emissões e menor necessidade de manutenção periódica, além do prazer de uma navegação silenciosa”, afirma Luciano Guidugli, gerente executivo da divisão de Náutica da Yamaha.
O executivo também destaca a busca da empresa por novas matrizes energéticas. “Um bom exemplo é o protótipo Yamaha H2, um motor de popa movido a hidrogênio”, completa Guidugli.
Ao mesmo tempo, os tradicionais WaveRunners passaram por atualizações para redução de peso e maior eficiência energética. “Com o uso de materiais mais leves e tecnológicos, como o NanoXcel® e o NanoXcel®2, que permitem reduzir peso sem comprometer resistência, conseguimos melhorar a eficiência energética, diminuir o consumo e contribuir para uma menor pegada ambiental ao longo do ciclo de uso dos WaveRunners”, finaliza o gerente executivo da divisão de Náutica da Yamaha.
Logística humanizada valoriza motoristas
A logística também é um dos pilares estratégicos da operação. A Yamalog, braço logístico do grupo, ampliou sua atuação com uma nova unidade em São Luís (MA), reforçando a presença no Nordeste. Mais do que expansão, a empresa destaca iniciativas voltadas ao bem-estar dos motoristas.
Hoje, mais de 300 profissionais parceiros têm acesso a locais que a empresa chama de Espaços de Bem-Estar, distribuídos em 14 filiais da Yamalog. A estrutura inclui áreas para alimentação e descanso, com o objetivo de reduzir riscos nas estradas.
“Atuamos com motoristas agregados e parceiros, profissionais que nem sempre recebem no mercado o reconhecimento que merecem. Por isso, criamos os Espaços de Bem-Estar em todas as unidades. Trata-se de uma ação concreta, que reforça nosso compromisso com o pilar social do ESG”, analisa Carlos Lomonaco, diretor adjunto da Yamalog.
Com operações que vão da Amazônia ao restante do País, o Grupo Yamaha acredita em um modelo de negócio que combina expansão, eficiência e sustentabilidade — fatores que ganham peso crescente na competitividade da indústria.