Denis Minev avalia cenário da ZFM, revela avanços tecnológicos da Bemol e fala sobre expansão da empresa no interior
Diretor-presidente da Bemol participou, nesta quarta-feira (29), do Café Institucional, evento promovido pela Associação Comercial do Amazonas
A Associação Comercial do Amazonas (ACA) recebeu, na última quarta-feira (29), o empresário e diretor-presidente da Bemol, Denis Benchimol Minev, para o Café Institucional com o tema "Cenários, Amazonas e Mundo". O encontro reuniu empresários, associados e dirigentes de classe para debater as transformações que impactam o setor produtivo regional.
Na abertura, o presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, destacou a histórica relação da família Benchimol com a associação, iniciada em outubro de 1944. Minev representa a terceira geração de sua família ligada à entidade.
Tecnologia e produtividade
Durante sua apresentação, Denis Minev detalhou como a Bemol aplica inteligência artificial na operação. A varejista utiliza sensores e gêmeos digitais para controlar a temperatura de suas lojas. Segundo o empresário, os testes apontaram redução de 20% a 30% no consumo de energia dos sistemas de climatização, além de estabelecer uma meta de crescimento anual de 5% na produtividade.
A tecnologia exigirá profissionais mais qualificados e pode reduzir equipes. Para preparar seu quadro, a Bemol investiu mais de R$ 1 milhão para enviar 56 colaboradores a um evento da Nvidia, na Califórnia. A varejista também anunciou 80 vagas para a próxima edição do evento internacional.
Logística e concorrência chinesa
Com o risco de estiagem, a Bemol ampliou os estoques para Manaus e o interior. Minev alertou para dificuldades de navegação, falta de embarcações e alta de custos em Coari. Como alternativa, a empresa mantém dez caminhões trafegando pela BR-319 entre Manaus e Porto Velho. A ACA, segundo o presidente Bruno Loureiro Pinheiro, continuará acompanhando as taxas cobradas na seca junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ao Judiciário e ao Ministério Público Federal.
Em relação ao mercado internacional, Minev apontou a China como concorrente, fornecedora e parceira. Estruturas cotadas a R$ 2 milhões no Brasil são encontradas por cerca de R$ 800 mil no mercado chinês. A Bemol mantém equipe no país asiático, investe no ensino de mandarim e planeja enviar gestores para conhecer as operações locais.
O executivo defendeu que a Zona Franca de Manaus (ZFM) deve focar na atração de indústrias chinesas de baterias, energia solar e veículos elétricos. Ele também cobrou equilíbrio tributário entre produtos importados diretamente e os vendidos por empresas instaladas no Brasil.
Desafios do varejo e expansão
Ao analisar o mercado de consumo, Minev revelou que a inadimplência supera os níveis da crise de 2015 e 2016. O cenário é pressionado pela ampliação do crédito, pelo comprometimento da renda e pela entrada de Mercado Livre e Shopee no financiamento ao consumidor. O empresário também citou o desvio de renda para apostas eletrônicas, defendendo maior regulamentação e tributação das bets.
Para competir com gigantes como Amazon, Mercado Livre e Shopee, a Bemol integra lojas físicas, vendas digitais, crediário, serviços financeiros e um marketplace de empresas locais. A presença física no interior continua estratégica pelas particularidades logísticas. Em Tefé, onde a empresa já registra cerca de R$ 2 milhões mensais em vendas on-line, a varejista prepara a abertura de uma nova loja física.