Empregos da Zona Franca impulsionam Minha Casa, Minha Vida, que já responde por 80% dos lançamentos em Manaus

Geração de empregos formais ligada ao modelo industrial ajuda a sustentar a procura por moradias econômicas na capital, segundo representantes do mercado imobiliário

Trabalhadores em linha de produção de eletrônicos no Polo Industrial de Manaus.
Foto: Reprodução/Internet

A força do emprego formal gerado pela Zona Franca de Manaus (ZFM) está produzindo reflexos para além das linhas de produção. Um deles aparece no mercado imobiliário da capital, onde os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já concentram 80% dos lançamentos residenciais. É o que mostra matéria da sessão Metro Quadrado, do Brazil Journal.

O percentual foi levantado pela Brain (empresa de inteligência de mercado e consultoria) para a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM). Há 12 anos, os imóveis enquadrados no programa habitacional representavam cerca de metade dos lançamentos em Manaus.

Um dos fatores por trás desse movimento, segundo representantes do setor, é justamente a geração de empregos com carteira assinada proporcionada pela atividade econômica da Zona Franca. Além de atrair trabalhadores do interior para Manaus, aumentando a demanda por moradia, a formalização facilita o acesso ao financiamento habitacional.

Foto: Honda
“O trabalhador com carteira assinada tem uma análise de crédito melhor na Caixa do que quem tem renda informal. E Manaus é uma das cidades com o maior percentual de renda formal”, diz Adriano Nobre, diretor comercial e de incorporação da Direcional.

A incorporadora atua há 20 anos em Manaus e acompanhou de perto a transformação do mercado local. Quando chegou à cidade, havia uma distribuição maior dos lançamentos entre imóveis econômicos, de médio e de alto padrão.

Esse cenário começou a mudar após a recessão que atingiu o país durante o segundo governo Dilma Rousseff. A crise imobiliária levou grandes incorporadoras do Sudeste voltadas ao médio e alto padrão a deixarem diferentes cidades do Norte e Nordeste, entre elas Manaus.

O espaço foi ocupado principalmente pelos empreendimentos econômicos. Nos últimos dez anos, essa categoria nunca respondeu por menos de 60% dos lançamentos residenciais da capital. Em 2016 e 2018, chegou a representar 100%.

O médio padrão ainda ensaiou uma recuperação no início da pandemia, período marcado por juros historicamente baixos. A participação desse segmento passou de 14% dos lançamentos, em 2020, para 40% em 2021. O movimento, porém, perdeu força e atualmente médio e alto padrão representam cerca de 20% do mercado.

Foto: Direcional

Perfil dos cargos mudou

Para a Ademi-AM, não foi apenas o volume de empregos que interferiu nessa configuração. O perfil dos profissionais ligados à atividade industrial em Manaus também passou por mudanças nos últimos anos.

“A cidade ficou mais pobre? Não. Mas o comportamento do setor industrial mudou pós-Covid. Antes ficavam aqui os executivos, agora ficam os gerentes, supervisores e coordenadores, que não ganham como os executivos”, afirma Hélio Alexandre, vice-presidente da Ademi-AM.

Segundo Alexandre, a renda de uma parcela significativa da população está ligada aos salários oferecidos pelo Distrito Industrial e pelo comércio.

Esse perfil de renda contribui para concentrar a procura nas faixas mais acessíveis do Minha Casa, Minha Vida. As faixas 1 e 2 reúnem grande parte dos empreendimentos atualmente lançados na capital.

A procura é suficiente para produzir uma diferença expressiva no estoque disponível. No segmento econômico, a quantidade de imóveis à venda corresponde a aproximadamente oito meses de comercialização. No médio e alto padrão, são cerca de 20 meses.

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“Se não lançarmos mais empreendimentos econômicos até o final do ano, no ano que vem teremos dificuldades de encontrar produto no mercado”, pontua o vice-presidente da Ademi-AM.

A Direcional, historicamente uma das principais construtoras do Minha Casa, Minha Vida em Manaus, avalia de forma diferente o risco de falta de imóveis.

“Nos últimos três anos, entrou mais um player nacional e há algumas empresas locais. Então temos fluxo de produtos para atender a procura constante”, diz Adriano Nobre.

A companhia já entregou mais de 30 mil unidades na região e coloca Manaus entre as seis maiores praças de sua operação. No primeiro semestre, a Direcional registrou R$ 3 bilhões em lançamentos e R$ 2,7 bilhões em vendas.