Empresas do PIM e varejo participam de exercício nacional de defesa cibernética em Manaus
Manaus recebe como hub regional, a partir desta segunda-feira (21), o Exercício Guardião Cibernético 8.0; Mais de 100 representantes participam das atividades na EST/UEA, entre eles profissionais da Honda, Motorola, Bemol, TVLar, Super Terminais, Porto Chibatão e Âmbar Energia
Empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), portos, varejo e setor de energia estão entre as organizações que participam, a partir desta segunda-feira (21), do Exercício Guardião Cibernético 8.0 (EGC 8.0). Pela primeira vez, Manaus funciona como um dos hubs regionais da operação coordenada pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), do Exército Brasileiro.
Mais de 100 representantes de instituições públicas e privadas participam das atividades na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA). Entre eles estão profissionais da Moto Honda, Motorola, Bemol, TVLar, Super Terminais, Porto Chibatão e Âmbar Energia, além de secretarias estaduais, Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O treinamento segue até sexta-feira (25) e coloca os participantes diante de cenários simulados de incidentes digitais. A programação trabalha prevenção, detecção de ameaças, resposta a ataques, gestão de crises, recuperação de sistemas e continuidade das operações. No ambiente técnico, as redes simuladas podem ser adaptadas às características das organizações participantes, aproximando os exercícios de situações que poderiam afetar suas próprias estruturas.

Polo Industrial pesou na escolha de Manaus
A entrada de Manaus na rede nacional do Guardião Cibernético está relacionada também ao peso econômico da capital e à necessidade de proteger estruturas consideradas estratégicas. O Polo Industrial encerrou o primeiro semestre de 2026 com faturamento de R$ 121,76 bilhões e média mensal de 130.903 empregos, segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Para o chefe do Centro de Gestão Estratégica do ComDCiber, brigadeiro Paulo Milaré, a concentração de indústrias e atividades comerciais foi um dos fatores levados em consideração.
“O hub Manaus do EGC se reveste de grande importância para toda essa resiliência nacional. Está sendo realizado pela primeira vez aqui, numa parceria muito importante com a Universidade do Estado do Amazonas, porque Manaus tem um polo industrial e um polo comercial muito forte que não podem ficar vulneráveis às questões das ameaças cibernéticas”, disse.

A realização do exercício ocorre em um ambiente no qual fábricas, terminais portuários, companhias de energia, varejistas e prestadores de serviços dependem cada vez mais de redes, sistemas de gestão, equipamentos conectados e circulação permanente de dados. No caso do PIM, a Suframa contabiliza cerca de 600 indústrias em segmentos como eletroeletrônicos, bens de informática, duas rodas, naval, mecânico, metalúrgico e termoplástico.
Decisões de crise e resposta técnica
Durante os cinco dias, o Guardião Cibernético trabalha com dois ambientes principais. Na chamada Simulação Construtiva, gestores e representantes institucionais formam gabinetes de crise para avaliar riscos e decidir como uma organização deve reagir diante de um incidente.
Já a Simulação Virtual coloca equipes técnicas diretamente no ambiente digital. Os participantes analisam eventos de segurança, identificam comprometimentos e adotam medidas de proteção, contenção e recuperação diante de ataques simulados. O exercício admite perfis que vão de executivos responsáveis pela continuidade das operações a especialistas de tecnologia da informação e cibersegurança.
O diretor da EST/UEA, professor Jucimar Silva Júnior, afirmou que a estreia de Manaus no exercício amplia a participação da Amazônia em uma área que ganhou importância estratégica.
“A partir de hoje, a cidade de Manaus está integrada ao ecossistema de cibersegurança do Brasil. Esse evento é o resultado de uma grande articulação da UEA com o Exército Brasileiro e já começou um sucesso, com mais de 100 participantes no maior exercício de defesa cibernética de toda a América Latina”, declarou.

Criado em 2018, o Guardião Cibernético é realizado anualmente. Na edição de 2025, conforme os dados apresentados pela organização local, participaram mais de 160 organizações e aproximadamente 750 pessoas.
Em 2026, o exercício ocorre simultaneamente na sede principal, em Brasília, e nos hubs de Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e Belém.
Defesa começa a ganhar espaço no Polo Industrial
A chegada do exercício a Manaus ocorre paralelamente a outro movimento: a aproximação das indústrias instaladas na Zona Franca com a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.
Em 2024, o Comando Militar da Amazônia, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) começaram a promover encontros específicos para apresentar às empresas do PIM oportunidades de fornecimento de produtos e tecnologias às Forças Armadas. A segurança cibernética está entre os eixos trabalhados, ao lado de sistemas autônomos e inteligentes, inteligência artificial e tecnologias sustentáveis.
Esse movimento levou à formação do Condefesa Amazônia, criado para aproximar indústria, Forças Armadas e universidades e estimular a entrada de empresas amazonenses na cadeia nacional de defesa. Uma das pioneiras foi a BDS, instalada no PIM e credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), categoria concedida pelo Ministério da Defesa a companhias que atendem aos requisitos do setor.
O grupo local continuou crescendo. Em setembro de 2025, a Fama Tech, também instalada no PIM, recebeu o credenciamento de Empresa Estratégica de Defesa e teve quatro soluções classificadas como Produtos Estratégicos de Defesa, tornando-se, naquele momento, a terceira empresa sediada em Manaus com o reconhecimento. Em maio de 2026, o Venturus Manaus também anunciou ter recebido a classificação de EED.
A inserção em defesa abre para o parque industrial uma frente que vai além da produção de equipamentos militares. O próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta o setor como uma atividade ligada a tecnologias de alta complexidade, inovação e geração de empregos qualificados.
Parceria com a UEA
O hub amazonense do Guardião Cibernético nasceu de um Termo de Cooperação Técnica firmado entre UEA e Exército em junho deste ano. O acordo estabeleceu ações conjuntas na área de defesa cibernética e definiu a Escola Superior de Tecnologia como base regional do exercício.
A operação em Manaus conta ainda com apoio do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) e patrocínio da Moto Honda, Fundação Muraki, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Instituto Eldorado, Full Telecom, Gera Center, Venturus e Ozônio Telecom.

Resumo redes: Manaus recebe como hub regional, a partir desta segunda-feira (21), o Exercício Guardião Cibernético 8.0. Mais de 100 representantes participam das atividades na EST/UEA, entre eles profissionais da Moto Honda, Motorola, Bemol, TVLar, Super Terminais, Porto Chibatão e Âmbar Energia, além de órgãos públicos e da Ufam.