Estiagem pode elevar preços de produtos em até 10% no comércio de Manaus a partir de novembro
A estimativa é do presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, e considera a alta dos custos do transporte fluvial
O comércio de Manaus poderá registrar aumentos de 8% a 10% nos preços de produtos a partir de novembro, em consequência dos custos adicionais de transporte provocados pela estiagem no Amazonas. A estimativa é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, apresentada em entrevista à BandNews Difusora.
Apesar da previsão de reajustes, Assayag afirma que não há risco de desabastecimento na capital neste momento. A expectativa do setor é de que os preços comecem a se estabilizar no início de dezembro, com a melhora das condições de navegação e a normalização do transporte de cargas.
Outro fator que pode pressionar os custos é a chamada taxa da seca, sobretaxa aplicada por empresas de navegação em determinadas condições. O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro, acompanha os possíveis efeitos dessa cobrança sobre o transporte de mercadorias destinadas ao estado.
Desde 2025, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reforçou as regras para a aplicação da taxa, exigindo análise regulatória e comprovação dos custos extraordinários provocados pela estiagem. Entre as condições previstas está o nível do Rio Negro abaixo de 17,70 metros. As empresas também precisam comunicar a intenção de cobrança com antecedência mínima de 30 dias.
Nesta sexta-feira, 30 de outubro, o rio apresenta 16,50 metros, abaixo do limite estabelecido pela agência. Atingir esse nível, porém, não autoriza automaticamente a cobrança. As transportadoras precisam demonstrar os custos adicionais e os impactos efetivos da estiagem sobre suas operações.
A preocupação do setor comercial tem como referência a seca histórica de 2023, quando o Rio Negro atingiu 12,70 metros. Naquele ano, as dificuldades no transporte de cargas provocaram cerca de R$ 1,4 bilhão em custos adicionais para a indústria amazonense.
Diante desse histórico, o comércio acompanha os efeitos da estiagem sobre os fretes e a possibilidade de repasse das despesas aos preços finais dos produtos. A intensidade dos reajustes dependerá das condições de transporte nos próximos meses.
Resumo redes: A estimativa é do presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, e considera a alta dos custos do transporte fluvial. A entidade não prevê risco imediato de desabastecimento.