Indústria do Amazonas calcula cerca de R$ 3 bilhões em prejuízos com secas e defende maiores investimentos em estudos técnicos
Cieam defende investimentos de R$ 15 milhões a R$ 30 milhões em projetos de pesquisa sobre a dinâmica dos rios amazônicos em parceria com instituições como SGB, Ufam, UEA e Inpa
As secas enfrentadas pelo Amazonas nos últimos anos já teriam provocado cerca de R$ 3 bilhões em prejuízos à indústria, segundo estimativa apresentada durante o 12º Fórum de Logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). Diante da repetição de eventos extremos e dos impactos sobre o transporte de cargas, a entidade passou a defender maior investimento em estudos técnicos capazes de melhorar a previsibilidade das condições de navegação.
O coordenador da Comissão de Logística do Cieam, Augusto César Barreto Rocha, afirmou que projetos de pesquisa entre instituições regionais poderiam receber entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. Entre os órgãos citados estão o Serviço Geológico do Brasil, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
“Tem sido muito caro para a indústria enfrentar a seca, foram cerca de R$ 3 bilhões de prejuízos acumulados nos últimos anos. Não faz sentido o país não viabilizar R$ 15 milhões ou R$ 30 milhões para projetos conjuntos com o Serviço Geológico do Brasil, Ufam, UEA e Inpa para estudar a hidrodinâmica real dos nossos rios. A indústria é contra o aumento de custos e taxas adicionais, mas é parceira de primeira hora na cobrança técnica e na construção de saídas definitivas baseadas em dados”, declarou.
A preocupação ganha força em meio à nova vazante dos rios amazônicos. Durante o fórum, representantes da Marinha informaram que, em agosto, o ritmo de descida observado nas réguas de Manaus e Itacoatiara ficou acima do registrado em 2023, aumentando a necessidade de planejamento antecipado por parte da indústria e dos operadores da navegação.
“Ainda vivemos em um campo de incertezas em relação ao que vai acontecer na estiagem. Tivemos um ritmo de vazante no mês de agosto para as réguas de Manaus e Itacoatiara com intensidade acima da de 2023, o que nos obrigou a emitir comunicados balizados no pior cenário para que a indústria e os armadores pudessem se planejar”, informou o capitão de Mar e Guerra André Lysâneas Teixeira Carvalhaes, da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.
A avaliação apresentada no encontro é de que ampliar a produção de dados sobre o comportamento dos rios pode ajudar o poder público e o setor produtivo a antecipar cenários e definir intervenções antes que as restrições à navegação provoquem impactos mais severos sobre o transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus.
O fórum reuniu representantes do Cieam, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), da Marinha do Brasil e do Ministério de Portos e Aeroportos. Além das pesquisas, foram discutidas medidas como dragagens e alternativas de longo prazo para melhorar a infraestrutura hidroviária da região.
Resumo redes: O coordenador da Comissão de Logística do Cieam, Augusto César Barreto Rocha, defende investimentos de R$ 15 milhões a R$ 30 milhões em projetos de pesquisa sobre a dinâmica dos rios amazônicos, em parceria com instituições como SGB, Ufam, UEA e Inpa.