Professor Augusto Rocha defende industrialização como caminho para superar lógica colonial na Amazônia

Especialista em logística destaca que a indústria de transformação representa 33% do PIB do Amazonas e defende, em artigo, que o estado seja reconhecido também por sua força industrial

Homem (Augusto Rocha) de camisa clara gesticulando com as mãos, sentado em um sofá em um estúdio com painéis acústicos
Augusto Rocha, professor da Ufam e referência em logística na Amazônia | Foto: Reprodução/Internet

Augusto Cesar Barreto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e uma das grandes referências da logística na Amazônia, defende a industrialização e o avanço tecnológico como caminhos para o desenvolvimento econômico da Amazônia e para a superação de uma lógica que associa à condição colonial.

A discussão foi apresentada no artigo “Industrialização, floresta e colonialismo: o dilema amazônico no século XXI”, publicada no Jornal GGN. No texto, Rocha parte do modelo econômico do período colonial, marcado pela retirada de riquezas e por relações desiguais, para discutir as alternativas de desenvolvimento da Amazônia no cenário atual.

O professor chama atenção para a necessidade de aumento da produtividade e destaca a transição de uma economia agrária para uma economia industrial e, posteriormente, para atividades de serviços como possibilidades de geração de riqueza.

Ao trazer essa discussão para o Amazonas, Rocha destaca a participação da indústria de transformação na economia estadual.

Segundo dados citados por ele e compilados pelo professor André Ricardo Reis Costa, da Ufam, a indústria de transformação corresponde a 33% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas. O percentual apresentado no artigo coloca o estado à frente de Santa Catarina, com 23%, e do Rio Grande do Sul, com 21%.

“Não olhamos normalmente para o Amazonas como uma possibilidade ou como uma potência industrial, mesmo que seja”, destaca Rocha.

Floresta, indústria e tecnologia

No artigo, o professor argumenta que a imagem do Amazonas costuma estar associada à floresta e ao potencial de sua biodiversidade, apesar da presença da indústria na economia estadual.

A partir desse contraste, Rocha questiona qual modelo de desenvolvimento deve ser buscado para a região. Entre as possibilidades levantadas no texto estão o uso da natureza pela agricultura, a incorporação de tecnologia por meio de um modelo agroindustrial e o desenvolvimento de empresas de base tecnológica que utilizem ciência para agregar valor aos recursos naturais.

Ao tratar da primeira possibilidade, o professor questiona se transformar a Amazônia em um “fazendão” significaria um retorno ao que chama de “ideal colonial”.

Rocha também relaciona essa discussão diretamente ao modelo industrial de Manaus. Na avaliação do professor, ataques a essa estrutura representam um retrocesso no estágio de desenvolvimento econômico.

“Toda vez que se ataca o modelo industrial de Manaus é um ataque para devolver a um estado mais primitivo de atividade econômica. É uma cabeça de colônia ou de império, querendo retroceder o estágio de desenvolvimento”, escreve.

Debate sobre os rios

O professor estende o questionamento às discussões sobre concessões de rios à iniciativa privada.

Quando se fala em fazer concessão do rio para a iniciativa privada: é para ajudar a região ou é para encontrar um novo meio de explorar a região por meio da potência da natureza? São perguntas inconvenientes que precisamos começar a enfrentar, para que não percamos a grande oportunidade histórica que estamos construindo, na superação da condição de colônia, questiona.

O docente defende que questões como essa sejam discutidas dentro de um debate mais amplo sobre o futuro econômico da Amazônia e sobre a superação de sua condição histórica de colônia.