Programa de crédito para entregadores aquece demanda por motos feitas no Polo Industrial de Manaus
Programa Move Brasil oferece financiamento de até 100% para motos flex de até 160 cilindradas e modelos elétricos, com taxas a partir de 11,5% ao ano
O governo federal lançou um novo programa de crédito voltado para trabalhadores que utilizam veículos de duas rodas como ferramenta de trabalho. Batizado de Move Brasil Entregadores e Motoapp, o programa tem como meta viabilizar o financiamento de 100 mil motocicletas, motonetas e ciclomotores novos.
A iniciativa representa um impulso importante para o setor de duas rodas, já que as regras exigem que os veículos financiados sejam fabricados no Brasil ou possuam projeto de produção nacional, englobando modelos populares produzidos no Polo Industrial de Manaus (PIM).
Modelos elegíveis
A linha de crédito estabelece critérios técnicos específicos para os veículos participantes. Podem ser financiadas motocicletas flex de até 160 cilindradas ou modelos elétricos com potência de até 7.500 watts, além de bicicletas elétricas de até 1.000 watts. Todos os veículos devem ser zero-quilômetro.
Entre as opções flex incluídas no programa estão alguns dos modelos mais vendidos do país, muitos deles fabricados pelas montadoras instaladas em Manaus. A lista de modelos elegíveis com motor flex e seus respectivos preços sugeridos inclui:
- Honda Biz 125 EX (R$ 16.840);
- Honda CG 160 Cargo (R$ 18.390);
- Yamaha Factor (R$ 18.490);
- Honda CG 160 Fan (R$ 20.590); e
- Yamaha Crosser 150 Z ABS (R$ 22.990).
No segmento elétrico, o programa contempla opções como a Shineray SE1 e a Shineray SE2, ambas por R$ 12.490, além da Watts W125, Shineray SHE-S e Yamaha Neo’s.
Juros e prazos
Operado pela Caixa Econômica Federal, o programa conta com recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Um dos principais atrativos é a possibilidade de financiar até 100% do valor do veículo, sem a necessidade de pagamento de entrada.
As taxas de juros são diferenciadas por gênero: 11,5% ao ano para mulheres e 12,5% ao ano para homens. De acordo com dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), esses patamares ficam significativamente abaixo da média de mercado, que em abril de 2026 atingiu 26,6% ao ano para esse tipo de financiamento. O prazo para pagamento das parcelas pode chegar a até 48 meses para pessoas físicas, com uma carência de dois meses para o início dos pagamentos.
Além do financiamento de veículos, empresas podem acessar recursos para instalar pontos de recarga ou estações de troca de baterias para elétricos. Esse crédito pode incluir capital de giro associado ao investimento, limitado a 30% do valor financiado.
Regras para cadastro
O benefício é voltado tanto para profissionais autônomos de aplicativos quanto para trabalhadores contratados sob o regime da CLT. Para entregadores e motoristas de aplicativo, o programa exige a comprovação de pelo menos seis meses de cadastro ativo em alguma plataforma e a realização de no mínimo 100 corridas ou entregas. Já para motofretistas, mototaxistas e ciclistas com carteira assinada, é necessário comprovar vínculo empregatício mínimo de seis meses na mesma empresa.
O cadastro é realizado pelo portal gov.br. De acordo com as regras do governo federal, o trabalhador não precisa anexar documentos na inscrição, pois o sistema consulta dados como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) diretamente na plataforma. A análise inicial leva até cinco dias úteis.
Após essa aprovação, o interessado deve procurar um banco ou concessionária parceira. Embora o programa não exija que o beneficiário esteja sem restrições cadastrais, as instituições financeiras ainda realizam a própria análise de crédito antes de liberar o recurso.