Suframa quer transformar startups amazônicas em indústrias

Autarquia aproxima empreendedores da bioeconomia dos incentivos da ZFM para estimular a produção em escala e ampliar a industrialização

Foto conceitual de uma mão segurando uma pequena planta brotando, com o fundo desfocado de uma fábrica ou indústria,
Foto: Criação/O POLO, com imagens da Suframa

A próxima indústria do Polo Industrial de Manaus (PIM) pode surgir de uma startup nascida na própria floresta. Para aproximar empreendedores da bioeconomia dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), a Suframa reuniu, nesta quinta-feira (6), representantes de 17 startups da Amazônia Ocidental e do Amapá. O objetivo do encontro é orientar essas empresas sobre como estruturar projetos industriais e produzir em larga escala utilizando matérias-primas regionais.

A iniciativa foi promovida em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que coordena o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio). O foco do trabalho está em negócios que já desenvolveram produtos com potencial de mercado, mas que agora buscam dar o próximo passo para alcançar a produção industrial.

Crescimento local

De acordo com o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a intenção é fazer com que os negócios inovadores baseados na biodiversidade cresçam e se consolidem dentro da própria Amazônia. A autarquia apresentou o passo a passo para o cadastramento, a elaboração de projetos e os requisitos necessários para a aprovação de empreendimentos que utilizam insumos da região.

"Se o próximo passo natural é industrializar, por que não fazê-lo onde há incentivos fiscais, que é a Zona Franca de Manaus? Aqui mostramos as vantagens de se cadastrar na Suframa, como apresentar projetos industriais com utilização de matérias-primas regionais e os requisitos para aprovação. Vivemos um momento favorável, com indústrias multinacionais chegando à região, e queremos que os empreendedores amazônicos também estejam preparados para produzir em escala e tornar seus negócios mais competitivos", disse Montenegro.

Inovação na prateleira

Entre as 17 startups participantes do encontro, destacam-se negócios que criaram produtos de alto valor agregado a partir da biodiversidade local. A lista de inovações inclui suplementos alimentares na forma de gomas vitamínicas com insumos amazônicos; a linha Energy shot, sendo um deles o shot de guaraná; superalimentos à base de castanha-da-amazônia e açaí; e alimentos amazônicos liofilizados.

Ao se inserirem no ambiente industrial do PIM, essas empresas podem aproveitar a infraestrutura logística consolidada e os incentivos tributários administrados pela Suframa para ganhar competitividade frente a concorrentes nacionais e globais.

Investimento obrigatório

A articulação com as startups ocorre por meio do PPBio, programa que utiliza recursos obrigatórios de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) das empresas que já operam no Polo Industrial de Manaus. Pela legislação da ZFM, as indústrias instaladas em Manaus devem destinar uma parcela de seu faturamento para investimentos em inovação tecnológica e sustentabilidade na região, tornando o PPBio um elo entre o capital das multinacionais e a pesquisa aplicada na floresta.

Para a líder do PPBio no Idesam, Karol de Souza Barbosa, a aproximação direta com a autarquia abre portas decisivas para o amadurecimento dos bionegócios locais, que já possuem produtos prontos para o mercado consumidor.

"O acesso às informações sobre os incentivos da Zona Franca cria novas oportunidades para que esses empreendimentos se desenvolvam, ganhem escala e se consolidem no mercado", destacou.

Com a aproximação realizada nesta quinta-feira, a expectativa da Suframa e do Idesam é que parte dessas iniciativas avance na elaboração de projetos técnicos nos próximos meses. A transição dessas startups para a categoria de indústrias incentivadas pode criar um novo vetor econômico para o Amazonas, fortalecendo a cadeia de fornecedores locais e agregando valor aos recursos naturais da floresta.