Visteon 'prepara terreno' para crescer em Manaus com novas frentes de produção

Novas divisões e ampliação de portfólio na Zona Franca estão no radar da multinacional estadunidense

Pessoas em um evento de negócios, com um banner da Fieam ao fundo e um telão exibindo o logo da Visteon
Foto: Fieam

A fábrica da Visteon em Manaus pode estar prestes a dar um passo além da produção de painéis automotivos. A multinacional estadunidense, instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) desde 1998, trabalha para trazer à capital amazonense novas divisões de negócios e ampliar seu portfólio de produtos, aproveitando o avanço das montadoras chinesas no mercado brasileiro.

A movimentação ganhou força nesta terça-feira (28), durante o encontro "Ampliação do Relacionamento Indústria Chinesa e Zona Franca de Manaus", promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares (Sinaees).

Quem costurou essa aproximação foi um velho conhecido da indústria amazonense. Depois de comandar a unidade da Visteon em Manaus por mais de 6 anos e passar pelas operações da companhia em Portugal, Sérgio Capela foi promovido, no início deste ano, para Diretor Sênior de Operações na China, onde está baseado em Xangai. De lá, articulou a vinda de representantes das montadoras BYD, Geely, GWM e Chery para conhecer de perto o potencial da Zona Franca. Segundo a Fieam, executivos da Europa e dos Estados Unidos também participaram da reunião.

A estratégia é simples: mostrar que Manaus reúne competências muito maiores do que apenas fabricar componentes. A operação chinesa da Visteon reúne outras unidades de negócio e uma gama muito maior de produtos, e parte dessa estrutura pode, futuramente, desembarcar no polo industrial amazonense.

Hoje, a planta de Manaus ocupa cerca de 14 mil metros quadrados, funciona em três turnos e emprega algo em torno de 450 trabalhadores. No local são produzidos painéis de instrumentos, telas digitais, centrais multimídia e outros componentes eletrônicos destinados a diferentes montadoras.

"A expansão das montadoras chinesas no Brasil abre espaço para que fabricantes de componentes também escolham Manaus para produzir. É uma oportunidade de fortalecer nossa cadeia industrial, gerar empregos e ampliar a competitividade do Polo Industrial”, pontuou o presidente da Fieam, Antonio Silva.

Durante o encontro, a Zona Franca foi apresentada como uma plataforma para o fornecimento de baterias, displays, painéis eletrônicos, sistemas embarcados e outros sistemas automotivos. O foco foi tratar da capacidade de produção de componentes de maior valor agregado.

“As montadoras chinesas estão iniciando um processo de nacionalização da produção e precisarão desenvolver fornecedores locais. Nosso papel é mostrar que Manaus oferece não apenas incentivos competitivos. Manaus reúne tecnologia, capacidade industrial e segurança jurídica para atender essa demanda. Precisamos aproveitar esse momento para inserir cada vez mais empresas do Polo Industrial nessa nova cadeia de suprimentos", disse Sérgio Capela, que também coordena a Comissão Cieam de Relacionamento Internacional.

Tecnologia inédita

A Visteon Amazonas, inclusive, já vinha dando sinais de que buscava ampliar sua relevância dentro da estrutura global da companhia. Em fevereiro deste ano, a companhia colocou em operação uma nova linha dedicada à fabricação de displays automotivos com as tecnologias Optical Bonding e Liquid Optical Clear Adhesive (LOCA), utilizadas na montagem de telas para painéis digitais e sistemas de infoentretenimento veicular. Na ocasião, a empresa classificou a iniciativa como pioneira na Zona Franca de Manaus e, possivelmente, inédita no Brasil.

Segundo o diretor de Operações da Visteon Amazonas, Marcelo Batista, o nível tecnológico da nova linha coloca a fábrica de Manaus em um patamar diferenciado.

"Não há ninguém no Brasil e possivelmente na América do Sul com essa tecnologia aplicada à montagem de displays automotivos", afirmou à época.

Agenda é ampla

Nesta segunda-feira (27), a comitiva chinesa esteve na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), onde obtiveram mais informações sobre incentivos fiscais, infraestrutura e capacidade produtiva do modelo ZFM. Até o fim da semana, o grupo seguirá visitando fábricas instaladas no PIM para acompanhar os processos produtivos, os níveis de automação e a logística da região.

O momento também é considerado favorável pelo Governo do Amazonas. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Gustavo Igrejas, o Polo Industrial de Manaus, que mantém atualmente mais de 130 mil empregos diretos, deve fechar 2026 com faturamento próximo de US$ 45 bilhões. Ele também destacou que a regulamentação da Reforma Tributária tende a tornar a Zona Franca ainda mais competitiva para a atração de investimentos a partir de 2032.