ZFM amplia espaço na infraestrutura de data centers com produção de servidores

No segundo trimestre de 2026, a receita bruta da Positivo com servidores chegou a R$ 174,3 milhões, avanço de 107,4%

ZFM amplia espaço na infraestrutura de data centers com produção de servidores
Foto criada digitalmente | Reprodução/Internet

A expansão dos data centers e da inteligência artificial no Brasil abre espaço para uma frente ainda pouco associada à Zona Franca de Manaus: a fabricação de servidores. Para Silvio Ferraz de Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions, produzir esses equipamentos no Polo Industrial pode dar ao país uma vantagem competitiva diante da crescente demanda por capacidade de processamento.

Em artigo publicado nesta terça-feira (8), no site Startupi, Campos afirma que o Brasil reúne condições para assumir maior protagonismo digital na América Latina, mas avalia que a atração de novos data centers precisa ser acompanhada pela capacidade de fornecer a infraestrutura computacional necessária para essas operações. Nesse cenário, o executivo coloca a Zona Franca diretamente na discussão.

“A produção de servidores na Zona Franca de Manaus reduz significativamente a carga tributária, contribuindo para tornar projetos de data centers, inteligência artificial e computação de alto desempenho mais competitivos”.

A avaliação ocorre em um momento de crescimento desse negócio dentro da própria Positivo. No segundo trimestre de 2026, a receita bruta da companhia com servidores chegou a R$ 174,3 milhões, avanço de 107,4% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro trimestre, a categoria já havia registrado crescimento de 186% sobre um ano antes, desempenho que a empresa relacionou à maior demanda de data centers por infraestrutura voltada à inteligência artificial.

Entre as apostas recentes estão o Inteliserver, direcionado a cargas de alto desempenho e grandes volumes de dados, e o IA Box, desenvolvido para processamento local de inteligência artificial.

Produção em Manaus

A estratégia passa pela fábrica da Positivo em Manaus. Em junho deste ano, durante visita à unidade, a linha dedicada aos servidores operava com produção de aproximadamente 20 equipamentos por dia. A planta empregava cerca de 1,5 mil pessoas e também concentrava a fabricação de computadores, tablets e terminais de pagamento.

A operação manauara já esteve envolvida em projetos de computação de alto desempenho. Servidores destinados aos supercomputadores Atlas e Fênix, da Petrobras, foram produzidos na capital amazonense com tecnologias de empresas como Supermicro, Nvidia e Intel. A Positivo Servers & Solutions também participou posteriormente da industrialização e da logística de servidores utilizados no Pégaso, outro supercomputador da estatal.

Para Campos, a vantagem brasileira não está apenas na presença física de novos centros de processamento. O executivo sustenta que o país precisa desenvolver uma base capaz de atender às exigências de desempenho, disponibilidade e eficiência das novas aplicações.

“De pouco adianta ampliar a quantidade de instalações se elas não estiverem equipadas para oferecer o desempenho, a disponibilidade e a escalabilidade que os novos modelos de negócio demandam”, afirma.

Redata preserva proteção à produção da ZFM

A discussão ocorre justamente quando o país avança na criação de incentivos para novos data centers. Aprovado pelo Senado em 1º de setembro, o Projeto de Lei 278/2026 cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e foi encaminhado à sanção presidencial.

O texto prevê benefícios sobre componentes eletrônicos e equipamentos de tecnologia adquiridos por empresas habilitadas, mas manteve salvaguardas para a produção nacional. No caso do IPI, a suspensão não alcançará determinados produtos de tecnologia industrializados na Zona Franca de Manaus que forem relacionados pelo Poder Executivo. Já o benefício sobre o Imposto de Importação será limitado aos itens sem produção nacional equivalente.

A definição dos produtos efetivamente alcançados pela proteção ainda dependerá de regulamentação. Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que todos os servidores fabricados no PIM estarão automaticamente enquadrados na salvaguarda.

O Redata também estabelece contrapartidas, entre elas investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Pelo menos 40% dos recursos destinados aos programas de fomento à cadeia da economia digital deverão chegar a projetos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Instalar data center não significa dominar tecnologia

Apesar dos incentivos, o desenho do Redata também provoca questionamentos sobre quanto dessa expansão poderá efetivamente se transformar em desenvolvimento tecnológico brasileiro.

Em artigo sobre o projeto, o advogado Fabrício Bertini Pasquot Polido, sócio de L.O. Baptista e professor de Direito Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chama atenção para a diferença entre instalar infraestrutura no país e possuir domínio sobre as tecnologias utilizadas por ela.

“Localização física de servidores é condição necessária e claramente insuficiente para soberania digital”.

Polido destaca que o regime desonera equipamentos, mas não estabelece exigências de transferência de tecnologia nem garante domínio nacional sobre outras camadas essenciais da infraestrutura digital.

“Um data center instalado no território brasileiro, operado por controlador estrangeiro, com chips importados, camada de virtualização proprietária, modelos treinados no exterior e contratos regidos por direito estrangeiro, satisfaz o primeiro plano e permanece inteiramente dependente nos dois seguintes”.

A observação coloca a fabricação realizada em Manaus dentro de uma discussão mais ampla. A produção local de servidores não significa que o Brasil controle toda a cadeia — processadores, GPUs e outras tecnologias críticas continuam dependentes de fornecedores internacionais —, mas permite que parte do investimento provocado pela expansão de data centers e da inteligência artificial também se traduza em atividade industrial no país.

Resumo redes: Na Positivo, por exemplo, no segundo trimestre de 2026, a receita bruta da companhia com servidores chegou a R$ 174,3 milhões, avanço de 107,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Em junho deste ano, a linha dedicada aos servidores em Manaus operava com produção de aproximadamente 20 equipamentos por dia.