Zona Franca de Manaus mantém plano de ultrapassar 2 milhões de motos produzidas este ano
Mesmo com seca e El Niño no radar, Abraciclo projeta alta de 4,5% na produção de motos
A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) confirmou, nesta terça-feira (28), que mantém a projeção de superar a marca de 2 milhões de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM) em 2026. A informação foi compartilhada pelo presidente da entidade, Marcos Bento, durante o Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026.
De acordo com a associação, o plano é encerrar o ano com 2.070.000 unidades fabricadas, o que representará uma alta de 4,5% em relação ao ano passado. O otimismo é sustentado pelo desempenho do primeiro semestre, período em que saíram das linhas de montagem de Manaus 1.063.000 motocicletas, um crescimento de 6,3% frente aos primeiros seis meses de 2025. As informações foram divulgadas pela AutoData Editora.
Produção e mercado interno
O ritmo forte da indústria local também reflete um marco histórico alcançado na primeira metade deste ano. O Polo de Manaus atingiu a marca acumulada de 40 milhões de motos produzidas desde a sua criação.
"No primeiro semestre atingimos a marca de 40 milhões de motos produzidas em Manaus, o que nos classifica como o maior polo de duas rodas do mundo fora do eixo asiático. Lá empregamos diretamente 22 mil pessoas, sendo 150 mil em todo o país", destacou Marcos Bento.
No mercado interno, os emplacamentos também bateram recorde no primeiro semestre, com 1.174.000 motos vendidas, um avanço de 14,1% na comparação anual. Segundo a Abraciclo, esse aquecimento é impulsionado pelo setor de entregas (delivery) e pelo aumento do público feminino.
O consórcio continua sendo uma ferramenta essencial de compra, respondendo por um terço dos pagamentos. A entidade também espera impactos positivos com a entrada em vigor dos programas Move Brasil Entregadores e Motoapp.
Logística e o fantasma da estiagem
Apesar dos bons números, o segundo semestre exige cautela. O setor monitora de perto as chances de ocorrência do fenômeno El Niño e a possibilidade de uma nova seca histórica na Amazônia, semelhante à que paralisou linhas de produção no PIM em 2024.
Marcos Bento explicou que a indústria local acumulou aprendizados com a crise de dois anos atrás e está mais prevenida para enfrentar gargalos logísticos.
"Precisamos do rio tanto para a entrada de mercadorias quanto para a saída de produtos acabados em Manaus. A seca de dois anos atrás trouxe uma curva de aprendizagem. Desta vez a indústria está mais preparada, inclusive com a formação de estoques e o estabelecimento de novos portos logísticos. Foi com sofrimento mas foi positivo. Seguimos caminhando firmes", afirmou o dirigente.
Exportações e barreiras técnicas
No mercado externo, as exportações do polo de duas rodas registraram alta de 30% no primeiro semestre, somando 5,4 mil embarques para destinos como Argentina, Colômbia, Guatemala e Estados Unidos. Embora o volume seja considerado recorde para o período, Bento classificou as vendas externas como "ainda tímidas", apontando barreiras como políticas protecionistas e diferenças na legislação ambiental.
Atualmente, o Brasil é o único país da América Latina que adota a norma Promot M5, que impõe limites rígidos de emissão de poluentes. Vizinhos como Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia ainda utilizam a fase Promot M3, menos restritiva, o que encarece e reduz a competitividade do produto brasileiro na região.
"Uma regulamentação no setor é algo de extremo interesse do setor, a fim de alavancar nossas exportações", concluiu Bento.