Aima começa a montar elétricas no PIM em setembro em parceria com a DBS. Fábrica própria confirmada para 2027
Fabricante ainda não definiu onde vai instalar sua unidade industrial no Brasil, mas Manaus está no radar
Líder chinesa em veículos elétricos de duas rodas, a Aima está a poucas semanas de colocar sua produção brasileira de pé. A fabricante de motos e bicicletas (em sua maioria, elétricas) começa em setembro um projeto-piloto de montagem de veículos em Manaus, por meio de parceria com a DBS, e prevê entregar as primeiras unidades já em novembro. Será a primeira operação de montagem da empresa no Brasil.
A produção utilizará o sistema CKD (Completely Knock Down), no qual conjuntos de componentes chegam para serem montados localmente.
“Um dos motivos foi também você ter uma indústria já preparada para duas rodas, e boa parte das indústrias de duas rodas está consolidada lá em Manaus”, disse Marisol Yao, diretora comercial da Aima no Brasil, destacando o potencial do PIM.
Fora da China, já mantém fábricas na Índia e na Indonésia. Com o início da montagem em Manaus, o Brasil se tornará o terceiro país estrangeiro com uma operação industrial da Aima.
Em 2025, a Aima vendeu cerca de 11,64 milhões de veículos, sendo 8,33 milhões de bicicletas elétricas, 2,62 milhões de motos/ciclomotores elétricos de duas rodas e 607 mil triciclos elétricos.
Produzir aqui para vender aqui
A nacionalização também faz parte da tentativa de fortalecer a presença da marca depois de oito anos atuando no mercado brasileiro. Para a Aima, montar os veículos no país pode facilitar tanto a disponibilidade dos produtos quanto a oferta de peças para manutenção.
“Isso consolida muito você fazer com que o consumidor tenha produtos e peças aqui no mercado”, ressaltou Yao.
A produção brasileira também chega acompanhada de mudanças nos próprios veículos. A empresa diz que vem adaptando os modelos originalmente desenvolvidos para outros mercados às condições encontradas no Brasil.
Entre os pontos identificados estão a necessidade de mais autonomia, potência e resistência, além de alterações em pneus e amortecedores.
“Requer autonomia, requer potência, porque, querendo ou não, o nosso biotipo é diferente do asiático. Então, a gente precisa agregar isso para poder consolidar um produto que seja mais resistente para a gente aqui”, explicou.
As condições das vias brasileiras também entraram nessa conta. Segundo a executiva, as diferenças em relação ao pavimento encontrado na Ásia levaram a empresa a buscar uma estrutura mais robusta para os modelos vendidos por aqui.
Delivery no radar
É principalmente no delivery e nos deslocamentos curtos que a Aima enxerga espaço para as motos elétricas competirem com as opções a combustão. A avaliação considera especialmente os modelos de menor potência. “Se forem produtos de baixa potência, sim, para uso de curta distância. Por exemplo, o entregador de delivery”.
Para esse uso crescer, a infraestrutura precisa acompanhar. Yao cita como alternativa as estações onde o motociclista pode trocar uma bateria descarregada por outra carregada, em vez de esperar pelo carregamento.
“Hoje grandes parceiros estão colocando estações de recarga para troca de bateria”, disse.
A aposta nas elétricas também passa por uma característica perceptível nas ruas: o menor ruído. Para Yao, isso pode fazer diferença principalmente nas entregas realizadas à noite, algo que, segundo ela, já é observado no mercado asiático.
“Hoje a gente na Ásia já vê muito isso. A poluição sonora, com certeza, afeta um pouco também nosso dia a dia. Os motoqueiros que fazem entrega noturna, acho que isso vai aliviar um pouco o pessoal que quer descansar no dia a dia”, afirmou.
Aima quer chegar a 100 lojas
A fábrica não é a única frente de crescimento da chinesa no Brasil. A Aima possui atualmente 50 lojas próprias da bandeira no país e pretende dobrar esse número, chegando a 100.
A expansão ocorre enquanto a fabricante aposta no crescimento da mobilidade elétrica, principalmente para deslocamentos curtos e atividades como entregas.
Para a companhia, a redução dos gastos com manutenção e o crescimento da infraestrutura de recarga e troca de baterias podem ajudar a colocar mais veículos elétricos nas ruas.
Fábrica própria
A fabricante chinesa confirmou que já trabalha para ter uma fábrica própria no país a partir de 2027, dentro de um plano de expansão de longo prazo.
Os primeiros movimentos para tirar o projeto do papel já começaram. A ideia é que a própria companhia fique à frente da produção, enquanto fornecedores e empresas brasileiras entrem como parceiros da operação.
O endereço, porém, continua em aberto. Manaus e São Paulo aparecem entre as possibilidades avaliadas, segundo fontes ligadas ao projeto, mas a definição ainda depende do avanço das discussões, que estão em fase inicial.
A fábrica também pode nascer olhando além do Brasil. Nos bastidores, existe a expectativa de que a unidade seja utilizada futuramente para abastecer outros mercados da América do Sul.