Amazonas já soma R$ 2,4 bilhões em financiamentos aprovados para neoindustrialização
Balanço apresentado pelo BNDES em Manaus também aponta R$ 592,2 milhões para inovação e reúne projetos no PIM, saneamento, transporte fluvial, aeroportos e crédito para pequenos negócios
O Amazonas já acumula R$ 2,4 bilhões em financiamentos aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos ligados à neoindustrialização entre 2023 e julho de 2026. No mesmo período, outros R$ 592,2 milhões foram destinados à inovação no Estado, com recursos voltados à modernização tecnológica, transformação digital, pesquisa e desenvolvimento.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira (10), em Manaus, durante o encontro “Balanço da Atuação do BNDES no Amazonas”, realizado na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). A reunião reuniu o presidente da Fieam, Antonio Silva, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, empresários e representantes de instituições públicas e entidades de classe.
Entre os projetos citados pelo banco estão operações envolvendo empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). A Positivo Tecnologia aparece com R$ 288 milhões em apoio para ampliar capacidade produtiva e atualizar tecnologicamente unidades industriais, incluindo a fábrica de Manaus. O Grupo Multi conta com R$ 176 milhões para um plano estratégico de inovação e Indústria 4.0, enquanto a Novamed recebeu R$ 27,5 milhões para ampliar sua estrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação na capital amazonense.
Para Mercadante, o Polo Industrial de Manaus ocupa uma posição central na estratégia econômica da região e também tem papel na manutenção da floresta.
“O Polo Industrial de Manaus é um êxito em termos do volume de investimento, da geração de impostos, geração de empregos e foi muito importante para a proteção da floresta”, afirmou.

BNDES aprovou R$ 5,65 bilhões no Amazonas desde 2023
A carteira destinada à indústria faz parte de um volume maior de operações do banco no Estado. Entre 2023 e junho de 2026, o BNDES aprovou R$ 5,65 bilhões no Amazonas e desembolsou R$ 3,42 bilhões. Somente no primeiro semestre deste ano, foram R$ 496,17 milhões em novas aprovações e R$ 853,33 milhões efetivamente desembolsados.
A Fieam quer aproveitar esse crescimento para aproximar empresas amazonenses das linhas de financiamento do banco. Antonio Silva afirmou que a relação com o BNDES pode abrir espaço para novos projetos em áreas como indústria, infraestrutura e saneamento.
“Essa parceria foi muito importante. Mercadante veio aqui para fazer uma prestação de contas e ele fez. Os investimentos estão sendo feitos no saneamento, na infraestrutura e na indústria. Então é importante a parceria do BNDES da forma como está sendo feita. E cada vez mais nós vamos aproximar”, declarou.
Pequenas e médias empresas receberam R$ 218 milhões neste ano
A expansão do crédito também chegou às micro, pequenas e médias empresas. Em 2026, os desembolsos do BNDES para esse grupo no Amazonas alcançaram R$ 218,1 milhões.
Desde 2023, as empresas de menor porte receberam cerca de R$ 1,02 bilhão, o equivalente a 30% de todos os desembolsos realizados pelo banco no Estado no período.
Durante a reunião na Fieam, Mercadante anunciou ainda a realização de uma oficina de crédito para micro, pequenas e médias empresas. A proposta é apresentar as alternativas de financiamento disponíveis e facilitar o acesso dos empresários aos instrumentos do BNDES.
Fieam busca apoio para terceiro barco-escola do Senai
Outra demanda apresentada ao banco envolve a qualificação profissional no interior do Amazonas. A Fieam busca apoio do BNDES para viabilizar o terceiro barco-escola do Senai, o Samaúma III. A proposta é ampliar o atendimento a municípios em que o deslocamento depende principalmente dos rios, levando formação profissional para localidades mais distantes dos principais centros urbanos.
Antonio Silva defendeu que a aproximação com o banco seja usada também para ampliar esse tipo de investimento. “É muito importante que nós possamos ter o BNDES aqui conosco”, afirmou.

A qualificação profissional também apareceu na avaliação de Mercadante sobre os desafios da região. Segundo o presidente do banco, a população amazônica é mais jovem que a média brasileira, o que amplia a necessidade de investimentos em educação, empregabilidade e geração de oportunidades.
Saneamento de Manaus tem projeto de R$ 3 bilhões
Entre os maiores projetos apresentados no encontro está o plano de ampliação do saneamento básico de Manaus. O empreendimento prevê R$ 3 bilhões em investimentos, sendo R$ 1,5 bilhão financiado pelo BNDES. O projeto contempla a implantação de 2.335 quilômetros de redes coletoras e a construção de 29 estações de tratamento de esgoto.
O objetivo é avançar na universalização do serviço na capital amazonense.
BNDES financia 60 balsas e dois empurradores
Na área de logística, o banco financia a aquisição de 60 balsas graneleiras e dois empurradores pela Hermasa Navegação da Amazônia.
O projeto representa R$ 384 milhões em investimentos, dos quais R$ 345 milhões são financiados pelo BNDES. Até agora, 32 embarcações já foram entregues e estão em operação.
Parte da frota está sendo construída em estaleiros da própria região, fazendo com que o investimento alcance também a cadeia naval amazônica.
Aeroporto de Manaus está dentro de programa de R$ 1,9 bilhão
A infraestrutura aeroportuária também integra a carteira apresentada pelo banco. Um programa envolvendo sete aeroportos da região soma R$ 1,9 bilhão em investimentos, com R$ 600 milhões em financiamento do BNDES.
No Aeroporto de Manaus, estão previstos R$ 213 milhões. A estrutura tem peso especial na logística da Zona Franca de Manaus por atender ao transporte de cargas de maior valor agregado ligadas à atividade industrial.

Banco também amplia carteira ligada à economia da floresta
Fora da indústria tradicional, o BNDES vem ampliando a carteira de projetos ligados ao desenvolvimento socioambiental e à chamada economia da floresta.
Entre as iniciativas apresentadas estão ações de manejo florestal sustentável, restauração de áreas degradadas e concessões voltadas à exploração sustentável de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços florestais.
A estratégia é criar atividades capazes de gerar renda a partir dos recursos naturais sem depender da conversão da floresta. Mercadante destacou que o desafio do Amazonas passa também por ampliar o processamento e a comercialização dos produtos da biodiversidade, agregando valor às cadeias produtivas locais.
Para a Fieam, a aproximação com o BNDES deve continuar justamente para transformar a maior oferta de crédito em novos investimentos no Estado. A intenção é manter empresas e entidades locais mais próximas dos instrumentos de financiamento disponíveis para indústria, infraestrutura, qualificação profissional e projetos associados ao desenvolvimento da Amazônia.
Também participaram da reunião:
- o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas;
- o superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro;
- a superintendente em exercício da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Jorgiene Oliveira;
- o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana; e
- o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro Pinheiro.
Resumo redes: Balanço apresentado pelo BNDES em Manaus também aponta R$ 592,2 milhões para inovação e reúne projetos no PIM, saneamento, transporte fluvial, aeroportos e crédito para pequenos negócios.