Bemol fecha acordo para distribuir motores de popa elétricos que serão fabricados pela Livoltek em 2027

Tecnologia já é testada no Rio Solimões e apresenta potencial de economia superior a R$ 1 mil por mês

Pescador em uma canoa de alumínio com um motor de popa elétrico branco, navegando em um rio de águas barrentas.
Pescador participante do Projeto Pixundé, em Careiro da Várzea (AM) | Foto: Secom/AM

A Bemol vai reforçar sua oferta de produtos para o mercado náutico com uma nova tecnologia voltada à realidade dos rios amazônicos. A varejista fechou um acordo comercial com o grupo Hexing para distribuir motores elétricos para embarcações, equipamentos que já estão sendo testados no Rio Solimões e têm produção prevista em Manaus a partir de 2027.

As informações constam em reportagem publicada pelo portal Diário do Transporte.

A parceria é uma das frentes do grupo chinês para tentar ganhar escala na eletrificação do transporte fluvial na Amazônia. Além das vendas pela Bemol, o plano inclui assistência técnica e manutenção, inicialmente no Amazonas, Pará e Amapá, e a fabricação regional dos motores pela Livoltek, empresa pertencente à Hexing e instalada em Manaus.

Foto: Reprodução/Internet

A aposta nos motores elétricos mira principalmente um custo que pesa no dia a dia de quem depende de barcos para trabalhar e se deslocar. Em comunidades mais distantes, o combustível percorre grandes distâncias até chegar ao consumidor e pode exigir estruturas de transporte e armazenamento que, quando inadequadas, aumentam os riscos de acidentes e perdas por evaporação.

Teste no Solimões aponta economia

A Hexing já colocou a tecnologia para funcionar em condições reais na região. A empresa forneceu motores elétricos ao projeto Pixundé, iniciativa de pesquisa e desenvolvimento realizada no Rio Solimões, onde os equipamentos estão sendo avaliados de acordo com as condições de navegação da Amazônia.

O projeto é coordenado pelo Instituto Somar Amazônia, acompanhado pelo Sindipesca e conta com a participação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) na elaboração de estudos e relatórios a partir dos testes, realizados com 60 pescadores de Careiro da Várzea, a cerca de 25 quilômetros de Manaus.

Foto: Reprodução/Internet

Os testes identificaram potencial de redução superior a R$ 1 mil por mês nos custos de operação de uma embarcação. A diferença vem principalmente da menor dependência do combustível, uma despesa recorrente para famílias que utilizam o barco não apenas como meio de transporte, mas também para trabalhar e gerar renda.

“Quando falamos em eletrificação na Amazônia, não estamos falando apenas de substituir uma fonte de energia por outra. Estamos falando de uma tecnologia com potencial para transformar a economia cotidiana das comunidades, reduzir a dependência do combustível e melhorar a experiência de quem utiliza os rios todos os dias. É a eletrificação aplicada a uma necessidade real da região”, afirma Flávio Pimenta, diretor de negócios para a América Latina do grupo Hexing.

Além do custo, os motores elétricos reduzem o ruído durante a navegação e eliminam vazamentos de óleo e combustível relacionados ao funcionamento dos motores convencionais. A tecnologia também diminui emissões locais e a exposição de operadores e passageiros ao barulho constante dos motores.

A renovação das embarcações também coloca a segurança em discussão. Um dos problemas históricos da navegação regional é o escalpelamento, acidente provocado principalmente quando cabelos entram em contato com eixos ou componentes móveis desprotegidos e que atinge sobretudo mulheres e meninas. Para o grupo, a modernização da frota precisa ser acompanhada por padrões de proteção aos usuários.

Foto: Reprodução/Internet

Produção prevista para Manaus

O próximo passo será levar parte dessa cadeia para dentro do Polo Industrial de Manaus. A previsão da Hexing é começar a produzir os motores elétricos em 2027, na fábrica da Livoltek, empresa do próprio grupo. No início deste ano, R$ 35 milhões foram anunciados pela empresa para implementação do projeto.

Com a produção local, a estratégia passa a reunir diferentes etapas na Amazônia: testes nos rios, distribuição pela Bemol, assistência técnica regional e fabricação em Manaus. A parceria comercial poderá ser ampliada conforme a procura pelos equipamentos e o mercado de propulsão elétrica para embarcações cresçam.

Livoltek, subsidiária do grupo chinês Hexing no Polo Industrial de Manaus | Foto: Reprodução/Internet
“Queremos construir um ecossistema de eletrificação pensado para essa realidade. O acordo com a Bemol é um passo comercial importante e a produção desses motores em Manaus prevista para 2027 reforça o compromisso de desenvolver essa transformação a partir da própria região”, diz Pimenta.

Os motores fazem parte de uma estratégia que a Hexing chama de “eletrificação das coisas”. O conceito consiste em substituir aplicações tradicionalmente dependentes de combustíveis fósseis por soluções elétricas, reunindo geração de energia, armazenamento, carregamento e mobilidade.