Casa inteligente deve movimentar US$ 6,68 bilhões no Brasil até 2033
Cerca de 21,5% dos lares brasileiros devem ter automação integrada em 2026, aponta pesquisa
A automação residencial deixou de ser associada apenas a cenários futuristas e passou a ocupar um espaço definitivo no mercado imobiliário brasileiro. Impulsionado pelo avanço da Internet das Coisas (IoT), da inteligência artificial e da conectividade 5G, o setor de casas inteligentes (smart homes) ganha força entre consumidores e incorporadoras. De acordo com projeções do IMARC Group e da Statista, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 6,68 bilhões no Brasil até o ano de 2033.
A estimativa para este ano de 2026 é que aproximadamente 21,5% dos lares no país já contem com algum nível de automação integrada. O dado sinaliza uma mudança profunda na percepção de valor por parte dos consumidores, que deixaram de avaliar apenas a localização e a estrutura física do imóvel, passando a exigir também conectividade, segurança, conforto e eficiência energética no dia a dia.
Tecnologia acessível
De acordo com Letícia Castro, arquiteta da Construtora Sudoeste e Incorporadora ZIP, a trajetória da automação residencial assemelha-se à popularização histórica da internet banda larga e dos smartphones. Soluções que no passado eram restritas a projetos de alto padrão começam, gradualmente, a fazer parte do cotidiano e das expectativas de consumo de uma parcela maior da população.
Esse crescimento é viabilizado por fatores práticos, como a redução progressiva nos preços dos dispositivos, a maior oferta de equipamentos conectados no varejo e o avanço da infraestrutura digital em território nacional.
"Mais do que acionar luzes por comando de voz ou controlar aparelhos pelo celular, o conceito de casa inteligente reúne um conjunto de tecnologias capazes de tornar a rotina mais eficiente. Fechaduras eletrônicas, câmeras conectadas, sensores de presença, climatização automatizada, iluminação inteligente, persianas motorizadas e assistentes virtuais já fazem parte da lista de recursos mais almejados por compradores de imóveis", afirma a arquiteta.
Segurança e consumo
A busca por proteção patrimonial figura entre os principais fatores que estimulam a adoção imediata dessas tecnologias. Os sistemas conectados permitem que o morador acompanhe a residência em tempo real, controle acessos de forma remota e receba notificações imediatas no celular caso os sensores identifiquem qualquer movimentação suspeita.
Além da segurança, as soluções voltadas para iluminação, climatização e gerenciamento de energia ganham relevância no orçamento familiar. Esses recursos auxiliam no monitoramento do consumo elétrico e na redução de desperdícios, otimizando as despesas mensais. A integração entre os diferentes aparelhos permite que tarefas antes manuais sejam programadas ou controladas de maneira centralizada.
Valorização de imóveis
A preparação tecnológica passou a ser vista como um diferencial de mercado para as construtoras. Segundo Letícia Castro, os imóveis planejados para receber sistemas inteligentes atraem maior interesse de compradores e de investidores, com destaque para os segmentos de médio e alto padrão.
"A tendência acompanha uma transformação mais ampla do mercado imobiliário, que passa a incorporar inovação, conectividade e experiência do usuário como atributos cada vez mais relevantes na decisão de compra", reforça Letícia Castro.
Com uma taxa de crescimento médio anual estimada em 10,7%, o mercado brasileiro de casas inteligentes consolida-se como uma das principais frentes da transformação digital aplicada à habitação, unindo inteligência artificial e redes de alta velocidade para personalizar ambientes.