Com risco de rios baixos, Aneel antecipa recursos para estoque de combustível no Norte
Geradores poderão receber antes recursos previstos para todo o ano de 2026
Se os rios baixarem e os barcos tiverem dificuldade para navegar, o combustível usado para gerar energia em áreas mais distantes do Norte também pode ter problemas para chegar. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu se antecipar a esse risco.
A agência pretende liberar antes do previsto recursos que os geradores dos chamados sistemas isolados receberiam ao longo de 2026. A ideia é permitir a compra antecipada e a formação de estoques de combustível na região.
Esses sistemas atendem locais que não estão conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a grande rede que leva energia por boa parte do país. Nessas áreas mais afastadas, o combustível é necessário para manter a geração local.
A preocupação da Aneel está na possibilidade de dificuldades de navegação diante da previsão de um super El Niño e de pouca chuva.
“É basicamente o recurso que as empresas receberiam ordinariamente e nós vamos apenas antecipar”, destacou o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa.
O dinheiro virá da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Esse fundo é bancado pelos consumidores de energia e ajuda a pagar os custos da geração elétrica em regiões remotas.
Segundo Feitosa, um processo extraordinário já foi sorteado para tratar da antecipação.
Combustível antes que os rios baixem
A estratégia é simples: comprar antes e deixar o combustível armazenado. Assim, se a navegação ficar mais difícil, as comunidades terão uma reserva para manter o fornecimento de energia.
“A área de fiscalização [está] se antecipando, porque pode haver problemas de tráfego nos rios em função da baixa pluviosidade, e nós vamos antecipar recursos para que essas empresas comprem o combustível, deixem estocado, para que, eventualmente, havendo algum problema no trânsito, no tráfego, nos rios, haja combustível suficiente para atender às comunidades e, principalmente, durante as eleições”, ressaltou Feitosa.
A preocupação com outubro também levou a Aneel a comunicar a medida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Estamos fazendo o que é possível sob o ponto de vista de prevenção, preparação e comunicação a todas as instituições possíveis”, disse o diretor-geral.
Mesmo com a preocupação com os rios, Feitosa afirmou que não vê risco, do ponto de vista energético, para a realização das eleições.
Operação especial
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia no sistema nacional, também prepara uma operação especial para o período eleitoral.
“A gente tem todo um trabalho feito pelo ONS para garantir o suprimento de energia nos lugares mais longes, mais complicados”, afirmou o diretor-geral do órgão, Marcio Rea.
Rea também chamou atenção para outro ponto do sistema elétrico. Segundo ele, a possibilidade de ser necessário acionar um plano emergencial para cortar excedentes de geração na rede de distribuição pode ficar “um pouquinho maior” no segundo semestre.
Ainda não há, porém, uma definição de que isso será necessário. A avaliação dependerá das condições climáticas dos próximos meses.
“Vai depender da temperatura, vai depender do tipo de evento que a gente vai ter. Sempre que a gente tem, assim, 50%, 60% de chance de ter [o acionamento], a gente já põe de prontidão os agentes”, explicou.