Confiança da indústria cai ao menor nível desde a pandemia e acende alerta para investimentos
Índice da CNI recuou para 44,4 pontos em julho e completa 19 meses seguidos em nível de pessimismo
A confiança dos empresários da indústria brasileira voltou a cair em julho e atingiu o menor nível desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), passou de 46,7 pontos em junho para 44,4 pontos neste mês, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo.
Com o novo resultado, o indicador soma 19 meses consecutivos em terreno negativo, a segunda maior sequência de falta de confiança da série histórica, atrás apenas da registrada durante a recessão econômica de 2015 e 2016.
Para o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, a falta de confiança por um longo período acaba afetando o planejamento das indústrias e o ritmo da atividade econômica.
“Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, afirma.
O Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos, mostrando que os empresários avaliam o ambiente de negócios e a economia como piores do que há seis meses. Já o Índice de Expectativas recuou para 45,8 pontos, no maior tombo desde novembro de 2022, o que reflete a perda de confiança em relação aos próximos meses.
De acordo com a CNI, a piora das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional, como o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fatores que ampliam a percepção de risco para a indústria.
O Icei varia de 0 a 100 pontos. Resultados abaixo de 50 indicam falta de confiança dos empresários, enquanto índices acima desse patamar apontam otimismo em relação ao ambiente de negócios. Para a edição de julho, a CNI entrevistou 1.118 empresas entre os dias 1º e 7, incluindo indústrias de pequeno, médio e grande porte em todo o país.