Eneva encontra indícios de gás natural no Amazonas
Sinais de hidrocarbonetos foram identificados durante a perfuração de um poço no AM-T-85, área ligada à operação de gás natural que abastece a geração de energia da companhia no estado
A Eneva comunicou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a identificação de possíveis indícios de hidrocarbonetos durante trabalhos no bloco AM-T-85, em Silves, interior do Amazonas. A informação foi publicada pelo Valor Econômico.
Os sinais foram registrados no poço 1-ENV-60D-AM, que começou a ser perfurado em julho. Em 2026, este foi o único poço da companhia a chegar à etapa de perfuração. A notificação à ANP ocorreu na semana passada.
A identificação de indícios, por enquanto, não significa que uma nova reserva comercial de petróleo ou gás tenha sido confirmada. O bloco faz parte da operação da Eneva na região, onde o gás natural produzido é utilizado na geração de energia elétrica.
Área passou para a Eneva em 2020
O AM-T-85 está na região de desenvolvimento de Azulão Oeste e chegou às mãos da Eneva após um leilão realizado em 2020. Na área, descobertas anteriores já tiveram a viabilidade econômica reconhecida para produção de petróleo ou gás.
A companhia apresentou à ANP a declaração de comercialidade dessas descobertas, etapa em que a concessionária reconhece que o ativo possui condições econômicas para seguir em direção à produção.
A presença da Eneva nessa região combina duas pontas da operação: a produção de gás em campos terrestres e o uso desse combustível para geração termelétrica no Amazonas.
Azulão ganha novas estruturas
A expansão desse modelo teve um novo passo em julho, quando a termelétrica Azulão I entrou em operação comercial. A próxima unidade prevista é Azulão II, que, de acordo com o planejamento da empresa, deve começar a funcionar até meados de 2027.
A Eneva foi procurada para comentar os indícios comunicados à ANP, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem que revelou a informação.
Bloco já esteve com a Petrobras
A história do AM-T-85 também passa pela Petrobras, que adquiriu a concessão da área em 2008 em parceria com a Petrogal.
Na época, a Petrobras possuía 60% de participação no consórcio e a Petrogal, os outros 40%. O grupo permaneceu com a área até 2015, quando o bloco foi devolvido à ANP.
O AM-T-85 retornou ao mercado cinco anos depois, no segundo ciclo da oferta permanente de concessão. A Eneva adquiriu o bloco nesse processo, em 2020.
Outro registro de hidrocarbonetos na Região Norte
A movimentação no Amazonas acontece poucos dias depois de outro episódio envolvendo exploração de hidrocarbonetos no Norte do país. No Amapá, a Petrobras havia comunicado indícios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
Nesta segunda-feira (17), a presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou que petróleo foi encontrado no poço Morpho, cuja perfuração começou em 2025.
Apesar da proximidade dos anúncios, são projetos distintos. A Eneva trabalha em um bloco terrestre no Amazonas. Já o poço da Petrobras está localizado na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá.