Fim da 6x1 pode acelerar a adoção de IA, IoT e automação para compensar redução de horas trabalhadas

Redução da jornada pressiona companhias a rever dimensionamento de equipes, horas extras e modelos operacionais e pode ampliar uso de dados, IoT e inteligência artificial para compensar custos e preservar eficiência

Fim da 6x1 pode acelerar a adoção de IA, IoT e automação para compensar redução de horas trabalhadas
Foto: Reprodução/Internet

O debate sobre o futuro da escala 6x1 começa a produzir um efeito que vai além das relações trabalhistas. Para empresas com operações intensivas em mão de obra, a discussão coloca no centro da agenda uma questão que há anos desafia o mercado brasileiro. Como aumentar a produtividade e a eficiência sem simplesmente ampliar o número de pessoas contratadas?

A eventual redução da jornada semanal tende a obrigar empresas a rever escalas, contratos, horas extras, dimensionamento de equipes e processos. Ao mesmo tempo, pode acelerar investimentos em automação, sensores, inteligência artificial e análise de dados para identificar onde, quando e como a mão de obra é realmente necessária.

Na avaliação da Evolv, empresa brasileira de tecnologia voltada à inteligência operacional em Facilities, o impacto mais relevante da discussão pode estar justamente nessa mudança de modelo.

“Durante décadas, muitas operações foram estruturadas a partir de escalas e cronogramas fixos. A discussão sobre jornada está obrigando as empresas a fazer uma pergunta muito mais importante. Quantas pessoas eu realmente preciso em cada momento da operação e como posso utilizar melhor essa força de trabalho? Essa resposta passa necessariamente por dados, tecnologia e inteligência operacional”, afirma Leandro Simões, CEO da Evolv.
Leandro Simões, CEO da Evolv | Foto: Divulgação

Da escala fixa para a operação orientada pela demanda

O desafio é particularmente relevante em setores intensivos em mão de obra e com funcionamento contínuo, como Facilities, varejo, saúde, shopping centers, aeroportos, indústria, logística e grandes empreendimentos corporativos.

Nessas operações, reduzir horas disponíveis sem rever processos pode significar aumento de horas extras, necessidade de novas contratações e pressão sobre custos. Mas simplesmente ampliar equipes também pode perpetuar ineficiências já existentes. É justamente neste ponto que a tecnologia ganha importância econômica.

Sensores IoT, sistemas de análise de dados e inteligência artificial já permitem acompanhar fluxo e ocupação de ambientes, produtividade, utilização de ativos e necessidades operacionais em tempo real. Na prática, tornam possível substituir parte das decisões baseadas em cronogramas e estimativas por decisões baseadas na demanda efetiva.

Um exemplo simples está na limpeza de grandes instalações. Um banheiro pode receber dez rotinas programadas de limpeza ao longo do dia mesmo tendo baixa utilização, enquanto outro, localizado no mesmo empreendimento, pode concentrar centenas de usuários no período. Sem dados de ocupação, as duas operações podem receber recursos semelhantes. Com sensores e análise de fluxo, equipes podem ser direcionadas para onde existe maior necessidade.

A mudança aparentemente operacional tem impacto direto sobre produtividade e reduz deslocamentos e homem X hora improdutivos e permite distribuir equipes de acordo com a demanda real.

A discussão deixou de ser trabalhista e agora é operacional

A proposta em discussão prevê redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, manutenção salarial e dois dias de repouso semanal remunerado.

Independentemente do formato final aprovado pelo Congresso, a discussão já expõe uma questão estrutural para as empresas brasileiras que são exatamente os modelos operacionais construídos para uma determinada disponibilidade de mão de obra que precisarão ser revistos caso essa disponibilidade diminua.

Isso significa analisar contratos, horas extras habituais, faltas, afastamentos, rotatividade, distribuição de turnos, produtividade e dimensionamento de equipes.

“Se a empresa interpretar a mudança apenas como necessidade de contratar mais pessoas, provavelmente estará olhando para metade do problema. Antes de ampliar o quadro, será necessário identificar onde estão as ineficiências, quais atividades realmente demandam mão de obra e onde existem recursos mal dimensionados. É nesse ponto que tecnologia e dados deixam de ser acessórios e passam a interferir diretamente na competitividade”, explica Simões.

O movimento pode ser especialmente importante diante de outra transformação estrutural do mercado de trabalho. O envelhecimento da população brasileira e a perspectiva de menor disponibilidade de mão de obra em determinadas atividades agravam a situação. Nesse cenário, competitividade tende a depender cada vez menos da capacidade de simplesmente adicionar pessoas à operação e mais em produzir melhor com os recursos atuais e disponíveis de tecnologia.

IA pode começar a decidir onde a mão de obra é mais necessária

A evolução tecnológica permite avançar além do monitoramento. A combinação de IoT, dados operacionais e inteligência artificial começa a permitir que sistemas identifiquem padrões, apontem gargalos e apoiem gestores na redistribuição de recursos.

Em Facilities, isso significa migrar de limpeza baseada exclusivamente em cronogramas para limpeza por demanda; de manutenção preventiva genérica para modelos preditivos; e de equipes distribuídas apenas por turnos para estruturas capazes de considerar fluxo de pessoas, ocupação e criticidade dos ambientes.

A Evolv desenvolve soluções que integram sensores IoT, dados e inteligência artificial justamente para transformar informações operacionais em decisões de gestão.

A empresa defende que a próxima fronteira da eficiência não será apenas automatizar atividades, mas utilizar inteligência para decidir quando uma atividade precisa acontecer, onde os recursos devem estar e qual estrutura é realmente necessária para executá-la.

“Não estamos falando apenas sobre trabalhar mais ou menos horas. Estamos falando sobre quanto resultado uma empresa consegue produzir a partir de cada hora disponível de trabalho. A discussão da 6x1 pode acelerar uma transformação que o mercado já precisava enfrentar. Ao sair de uma lógica baseada em volume de pessoas para uma gestão baseada em inteligência, produtividade e eficiência”, finaliza Leandro Simões.

Resumo redes: Segundo Leandro Simões, CEO da Evolv, a eventual redução da jornada semanal tende a obrigar empresas a rever escalas, contratos, horas extras, dimensionamento de equipes e processos. Ao mesmo tempo, pode acelerar investimentos em automação, sensores, inteligência artificial e análise de dados para identificar onde, quando e como a mão de obra é realmente necessária.